E ninguém sabe quem estará na equipe econômica de qualquer candidato

O povo brasileiro vota, desta vez, na escuridão econômica. Quem quer que seja o vencedor, não se tem idéia de quem comandará a economia. Há, claro, suspeitas de que a política econômica seja bastante alterada já que ninguém se comprometeu com a política que deu um padrão de vida melhor – inclusive – para os opositores do Plano Real.

Vejamos quem vencerá. Depois dos erros ridículos dos institutos de pesquisa, não acredito em mais nada. Vamos esperar até o final do dia…

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Finanças

Este pessoal que diz gostar de Finanças, mas “sem econometria” deve ter um problema sério quando resolve ler os estudos de Finanças. Eis aqui um belo exemplo, da Revista Brasileira de Finanças. Outro bom exemplo é este. Aliás, este segundo exemplo é didaticamente excelente: ele mostra como um sujeito que despreza a econometria deixa de entender, inclusive, os próprios métodos que usa, a eficácia dos mesmos, bem como os próprios problemas.

Foi-se o tempo em que Finanças era apenas uma palavra bonita para designar o “rentismo” de um sujeito caricato, sempre gorducho de fraque e cartola em quadrinhos de jornais…

Cointegração e ativos

Geralmente relego as discussões sobre Finanças para as aulas do meu colega Salvato (modelos ARCH), mas eis aqui um exemplo de como a cointegração pode ser útil na análise de mercados financeiros. Já este outro resolveu usar o Homem de Ferro como auxiliar em seus slides sobre o uso de equações diferenciais na modelagem.

Tudo isto graças ao Pedro Valls.

O câmbio é apenas um preço, cara!

Eis uma bela notícia para o aluno de economia entender um pouco sobre os problemas da economia política (no sentido moderno). Vou resumir:

1. O câmbio valorizado possibilitou um aumento no padrão de bem-estar de todos os consumidores brasileiros.

2. O mesmo câmbio tem dificultado a vida dos exportadores.

3. O mesmo câmbio tem facilitado a vida de quem renova sua fábrica com insumos importados.

Obs: os exportadores nem sempre são claros quanto à qualidade “chinesa” dos produtos que exportam. Quanto menor a qualidade, mais dependem do câmbio desvalorizado.

O mais engraçado é que o grupo 2 conseguiu se fazer presente no discurso dos dois candidatos que praticamente se esqueceram dos consumidores para fazer bonito para este grupo com seus discursos ao longo dos últimos tempos.

A taxa de câmbio é simplesmente um preço, mas há quem queira transformá-lo no preço mais importante (como se tal coisa existisse em economia) de todos. Algo como o fetiche da “função social de …..” (preencha o espaço com o que quiser) lá na cabeça de alguns.

Se você é aluno de economia, reflita sobre o preço acima. Ele não tem nada de diferente da análise que você poderia fazer entre preço de salgados entre dois bares ou qualquer outro preço que temos na economia.

O tamanho ótimo do governo

Um dos países menos liberais do mundo, o Haiti, hoje enfrenta uma situação indigna e triste. Trata-se de um exemplo simples de como um Estado gigantesco (mesmo para um minúsculo país como o Haiti), com o poder concentrado nas mãos de um presidente pode ter um destino horroroso.

Pode não, terá. Sempre.

Foi só o chão tremer e todo o gigantismo do governo haitiano veio abaixo. Sequer conseguiram tirar as pessoas dos escombros, ao contrário do governo chileno em situação similar (mas de menor impacto).

Haiti é um exemplo a ser lembrado quando se discute o tamanho do governo.

Fumar é uma escolha racional

Para quem não acredita em escolha racional, eis um contra-exemplo que me foi citado pelo amigo Reginaldo hoje. No artigo abaixo citado, como os fumantes reagem a um aumento de preços nos cigarros? Consumindo menos cigarros, mas aumentando o consumo de nicotina. Não sei se era este o artigo que ele me explicava (talvez seja este), mas a história era de que o monitoramento da amostra mostrou que os fumantes tragavam mais fortemente o cigarro mais caro porque, na verdade, o que importa para eles não é o número de cigarros, e sim a nicotina em seu sangue.

Simples, mas esclarecedor. Quantas vezes já ouvi colegas do Direito dizerem que o problema era apenas o de aumentar a carga tributária sobre os cigarros? Talvez pelo fato de alguns dos colegas não entenderem todas as implicações da economia, tenhamos políticas públicas que, efetivamente, não afetam tanto assim os fumantes.

Alguém mais maldoso dirá que os colegas citados têm racionalidade limitada, mas eu penso que é apenas questão de pouco estudo em economia. Como sempre diz o Ivo Gico: o pessoal do Direito tem que estudar Economia. Eis aí uma evidência de que ele está correto. Mas complemento: estudar Economia não é apenas ler um manual de microeconomia de graduação. Tem-se de ir além.

Vai um cigarrinho aí, seu juiz?

 

Falta capital humano ao Conselho de Educação?

Quem nunca leu Monteiro Lobato, levante a mão. Aposto que há vários leitores que nunca leram. Bem, as gerações futuras, agora, correm o risco de nunca o lerem. Afinal, para esta gente (quem?), o famoso escritor escreveu um livro racista.

Curioso este pessoal. Quando alguém mostra evidências de que Zumbi seria homossexual (o que, aliás, seria até politicamente correto), pede-se censura. Por outro lado, permite-se que socialistas tenham partidos políticos, enquanto integralistas são proibidos de formarem um partido. O aborto deve ser liberado para o gozo da esquerda, mas os eleitores católicos são acusados de reacionários.

Democracia, desta forma, passa a ser uma palavra que designa apenas a regularidade eleitoral. Assim nasceram Hitler e Chavez.

Ah, claro, não posso me esquecer dos sucessivos – e orquestrados? – ataques da “operação condor” dos bolivarianos em todo o continente contra a imprensa livre. Se o argumento é o poder econômico, por que o monopolista da coerção e da emissão de moeda deveria ser quem decide sobre a liberdade alheia?

Finalmente comprei…

…e poderei ler a nova edição de “Quem é John Galt?” traduzido com o novo título de “A Revolta de Atlas” (mais fiel ao original).

Eu gosto dos romances de Ayn Rand e de sua caracterização quase monotóna dos personagens. O Fountainhead (A Nascente) foi uma leitura que, após iniciada, tive que me conter para não terminar às custas de não fazer mais nada. Tentarei ler este novo livro em consultórios médicos, bancos de aeroporto ou de aviões. Senão eu não trabalho.

Ayn Rand é uma leitura sempre bem-vinda.

A economia e o sexo

Outro dia um aluno perguntou-me, com certo incômodo: “- Mas professor, cada hora vem um aqui e nos diz que há evidências favoráveis a este modelo, depois vem outro professor e diz o contrário, é uma confusão na minha cabeça…”.

Há uma resposta simples para isto, oriunda da metodologia científica, mas eis uma outra resposta melhor: economia é igual ao que você pretende fazer com sua namorada (adapte conforme suas preferências hetero/homo/bi/(s)sexuais). Pense: você deixará de fazer sexo com ela porque….ela não é a Angelina Jolie?

Eu sei que o modelo ideal é a Angelina, mas sua namorada não é Angelina. Eu sei, eu sei, você investiu seu conhecimento na busca de um modelo ideal para testá-lo (na cama, no banco traseiro do carro, etc), mas, veja, sua namorada ainda não é a Angelina.

Você tem que escolher, meu caro.

Evidentemente, pode ser que você queira testar outros modelos. Ok, procure pela Angelina no bairro, na boate…mas acho que dificilmente você dirá que não vai tentar uma investida mais íntima porque….ela não é a Angelina.

Minha metáfora também nos permite ver que economista que não quer testar seus modelos não está na profissão certa. Ok, há quem ache que o teste é apenas um baita onanismo, sem econometria. Eu entendo estas pessoas. Mas também entendo os que desejam testar seus modelos com econometria.

Outro ponto a se destacar é que ciência não é fé. Não tem isto de um único modelo para tudo. Você não é Deus (e reze para ele não jogar dados) para dizer que sabe se existe mesmo apenas um modelo para explicar tudo. Enquanto se possa usar 9,8 m/s2 para a gravidade em qualquer lugar da Terra como boa aproximação, há Angelinas com preferências Cobb-Douglas e há Jennifer Anistons com restrições de liquidez. A modelagem é muito mais rica e interessante e, por isso mesmo, há modelos e modelos.

Aliás, também há mulheres e mulheres e seria um pouco injusto dizer que sua namorada se parece com apenas um modelo ideal.

Não se esqueça: embora tudo o que eu disse, há quem seja assexuado, há quem não goste de sexo, etc. De minha parte, eu prefiro testar os modelos, mas respeito o direito dos pterodoxos de praticarem a abstinência, as práticas bizarras, sexo com animais, etc. Só não vale sexo com menores e sexo não-consentido. Quando pterodoxos entram nesta área nebulosa, realmente, merecem meu desprezo.

Os preços caíram…

O consumidor – pobre ou rico – tem mais opções de produtos com a queda dos preços dos importados. Contudo, alguns grupos de interesse querem que este consumidor fique sem estas opções. Eles chamam esta queda de preços de “desindustrialização”.

Cada qual defende seu interesse, mas é bom ser bastante claro sobre os efeitos que se discute. Por exemplo, o discurso da “desindustrialização” é positivamente correlacionado com a diminuição das opções para os consumidores.

Matinais

Leo Monasterio desmascara mais uma destas cartas com dados supostamente corretos que circulam na internet. Aliás, sobre dados, Adolfo nos lembra que já havia alertado para esta manipulação escandalosa do superávit primário.

Onde estão os corajosos economistas da antiga oposição que reclamavam da “inflação do chuchu”? Provavelmente estão senis, sem internet, foram comprados ou então morreram. Afinal, nenhum deles reclamou ainda. Seus sucessores, por sua vez, não têm se manifestado muito (salvo as duas ou três exceções de sempre).

Depois me falam do tal pluralismo que supostamente teria a ver com “progressismo” e também com uma tal “razão crítica”. Nada disso. A “crítica” do pessoal só existe quando o ditador não é o deles…

Sustentabilidade da dívida

Depois a Roseli tem que me explicar como incluirá estes “artifícios” contábeis inovadores em séries de tempo para estudar a sustentabilidade da dívida pública.

Uma coisa é criar um conceito novo, outra é mudar a metodologia no meio do jogo. Depois falam que não há pesquisa no país. Também, o governo quer controlar todos os dados, alterando-os conforme seu discurso político…

Deixar a velha contabilidade funcionar, menos politicagem e mais transparência: eis a receita para se conhecer, de fato, a realidade do país.