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Devemos pagar aos estudantes para que aprendam?

A revista Nova Escola apresenta uma reportagem sobre o tema. No meio dela há uma tentativa de rotular o incentivo financeiro como uma “inovação dos anos 90 liberalizantes e pró-mercado”, infelizmente, descaracterizando um pouco o problema (afinal, alguém poderia dizer que o repórter deveria trabalhar pelo prazer de aprender mais sobre o mundo, não pelo salário, o que, certamente, ele repudiaria).

A despeito deste pequeno detalhe, a reportagem é interessante, embora pobre na parte econômica. Discute-se muito com gente da educação, e pouco com gente que estuda incentivos há muito tempo (economistas). Já que é para analisar criticamente um incentivo, seria bom ouvir mais gente da área.

Há, claro, aquela sensação de que todo mundo acha uma pena os alunos não gostarem de aprender (tanto pedagogos como pais, economistas, etc) o que nos levaria a uma inevitável abordagem via incentivos (monetários ou não). Em uma matéria como esta, aliás, eu esperaria uma discussão como a que foi feita, há alguns anos, por Bruno Frey, sobre incentivos monetários e não monetários.

Interessante nas críticas típicas aos incentivos monetários é a falta de opção que sempre redunda em algum tipo de “o aluno tem que querer estudar”. A revista tenta escapar deste cipoal apresentando um brevíssimo resumo dos ganhadores de seu Prêmio Victor Civita.

No final, a sensação é de que o que falta à reportagem é a compreensão de que incentivos não são apenas monetários. Também parece claro, para mim pelo menos, que os educadores têm muito a aprender com a Ciência Econômica e com áreas correlatas. Talvez um pouco menos de “ideologização” nas faculdades de pedagogia e um pouco mais de prática sejam um bom começo.

p.s. eu não pagaria o aluno para estudar. Eu o ensinaria a noção de custo de oportunidade: seu pai paga esta escola para você porque acha que é uma oportunidade ótima. Como você pensa neste problema, meu jovem? Seu pai explicou para você todas as possíveis consequências de não estudar? E assim por diante.

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P.J. O´Rourke

Esqueça estes cronistas que puxam o saco de qualquer governista de um certo partido. O negócio é ler gente séria e talentosa como P.J.O´rourke. O artigo sobre o movimento social tea party – erroneamente rotulado pela imprensa brasileira como “movimento conservador”, “movimento di-direitcha”, et caterva – está ótimo.

Ao invés de imaginar a realidade, como fazem 9 entre cada 10 egressos das faculdades de jornalismo, ele entrevista as pessoas e constrói um texto agradável e interessante de se ler. Nada que aconteça em 9 de cada 10 jornais brasileiros, ocupados por gente que confunde militância política com informação…

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Nobel

Quem poderia ganhar o Nobel?

1. Alesina e Svensson – pelo conjunto da obra de economia política, que avançou nosso conhecimento sobre os microfundamentos políticos da macroeconomia.

2. John Taylor – pela regra de Taylor e também pelas contribuições à macroeconomia (staggered wages, por exemplo).

3. Christopher Sims – pela revolução teórica e econométrica da profissão.

Depois penso em mais alguns, mas estes seriam meus primeiros na lista de apostas.

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Eis o resumo de algo que eu gostaria de ler se tivesse tempo:

Gasoline Price Cycle Drivers: An Australian Case Study

Harry Bloch
Nick Wills-Johnson
Acil Tasman

Abstract:
In many retail gasoline markets, prices follow a saw-toothed cycle first posited by Edgeworth (1925) and formalised by Maskin & Tirole (1988). A growing literature explores driving factors behind such cycles, most particularly in Canada and the US. This paper explores price cycles in a retail gasoline market in Australia with a unique regulatory environment that provides a census of data. We make use of a threshold regression model, and pay particular attention to local market effects and market structure. Both are novel in the study of retail petroleum prices.