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Coca

É difícil engolir que Serra seguirá uma política econômica decente. Ele faz questão de não se declarar a favor de instituições básicas, talvez por seu passado histórico. Bem, mas Maluf, diziam, poderia ganhar votos mesmo prometendo o contrário (e alguns diziam que votar no sr. da Silva era bom porque…ele não iria fazer o que havia prometido).

Mas quando ele fala do fantoche boliviano, é difícil não acreditar em suas palavras. Afinal, o próprio alvo da declaração nunca escondeu de ninguém seu uso propositalmente político dos anseios dos plantadores de coca para avançar sua agenda política.

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Até mais, Porto Alegre

O curso teve uma bela – e participativa – audiência. Aguentaram minhas piadas com bom humor e, espero, ficaram incomodados com o que eu disse.

Ah sim, após um pouco de Escolha Pública na qual defendi um Estado eficiente – e mostrei (creio) os problemas de se chegar lá por conta dos incentivos (sempre eles) – tive um almoço agradável com Fábio e seus amigos, estudantes que me fazem pensar que há uma alternativa ao consenso do pensamento político brasileiro, tal como se manifesta em todas as eleições, em todos os níveis.

Há certamente uma geração diferente surgindo neste país…de qualquer forma, falar de Escolha Pública é sempre terrivelmente difícil porque é muito difícil não cair no lugar comum.

Obrigado ao Henri, à Margaret Tse e ao Fábio Ostermann pela recepção sempre calorosa e atenciosa. Foi um prazer.

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O Itamaraty é uma agência-fantoche do Pentágono(?)

Além de já sabermos que a carta do Obama não ser exatamente o que a grande imprensa (agora também com um canal oficial) tem dito, eis que o portal G1 faz a pergunta inescapável: nossos diplomatas são vaquinhas de presépio?

Eu, como bom brasileiro, achava que a política externa brasileira na administração da Silva era uma “alternativa” às “falidas democracias ocidentais” que deturpam os valores da mocidade com seu jazz e outras influências perniciosas (já denunciadas por Dom Hélder Câmara?). Agora, pelo que foi feito com a “alternativa” totalitária do Irã – pelas mãos, sim, da diplomacia brasileira – temos que refletir: será que basta Obama mandar um bilhete que o Itamaraty abana o rabo?

Quem diria que o partido do sr. da Silva iria abandonar todo aquele discurso contra os EUA de maneira voluntária…(mas o que você esperava de gente que faz isto?).

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Não, você não precisa de reserva de mercado de cultura “nacional”…

…até porque não existe tal coisa chamada “cultura nacional”. Não como querem alguns. Pense no Japão de hoje. Diz-se que preserva a sua cultura. Preserva? As pessoas se matam cortando a barriga hoje em dia? Não. Então, calma lá, colega. Não me venha com este papo de cultura. Temos aqui um “bumba meu boi” tal e qual os americanos têm o “dia de ação de graças”. E japoneses, brasileiros e americanos jovens certamente já dançaram sob o ritmo de alguma música da Madonna.

A cultura é sempre uma palavra “geléia” que se molda conforme o discurso dos respectivos interesses. Para um gaúcho produtor de mate, comprar mate de Santa Catarina é “anti-cultural”. Bem, um baiano poderia patentear o acarajé. E um mineiro – povinho chato este – poderia fazer a proposta de um projeto de salvação nacional para a goiabada com queijo.

Então, não, não dá para começar uma discussão séria sobre políticas públicas se as pessoas insistem em serem enganadas – mesmo quando são inteligentes e estudadas – pelo discurso político da “reserva de mercado para filme/música/autor/prostituta/político/cachorro/pipoca nacional. Isto é uma grande balela.

Agora, se você quer começar a discutir seriamente a interação entre o “nacional” e o “estrangeiro”, então podemos nos perguntar sobre se a introdução de músicas estrangeiras substitui (, complementa, um pouco de cada e, claro, não há relação com…) as músicas nacionais. Será o samba a vítima da maldita música norte-americana? As modinhas de carnaval eram tão ruins assim que foram destruídas pelo imperialismo norte-americano? Olho à minha volta e vejo, na verdade, uma diversidade de “tribos” de jovens ouvindo de tudo. Então, talvez não seja do jeito que o pessoal fala. Evidências? Sim, são sempre bem-vindas.

Bem, aqui estão os economistas – causando raiva aos outros cientistas sociais que ficaram no papo furado e não meteram a mão na massa para trabalhar (síndrome de aristocratas?) – para nos dizer sobre as evidências. Vou resumir: não dá para justificar estas bobagens chamadas do tipo “reservas de mercado” que alguns políticos adoram vender para os cidadãos que, sim, sabem que é balela, mas adoram se apaixonar ao invés de serem profissionais. Algo que, de novo, economistas também explicam bem.