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Oferta e demanda

Qualquer aluno de economia com dois meses de uso (digo, de curso), já leu uns 10 capítulos do livro do Mankiw, exceto por contratempos como excesso de conversas e outros comportamentos inadequados.

Logo, não é difícil que já tenha passado por uma discussão sobre comércio internacional. Se apenas se preocupou em decorar gráficos, claro, perdeu boa parte da história.

Mas sempre há a realidade para lhe perturbar, inclusive com os vizinhos maradonitos, os argentinos. Veja a notícia do Estadão. Todos os elementos estão lá: o Brasil reclama da Argentina e ambos reclamam da China. Preocupam-se com a presença de produtos chineses nos respectivos países, mas querem invandir a China com seus produtos.

No frigir dos ovos – e omelete não faz sem se quebrar alguns ovos, embora Lenin nunca tenha dito isto – o que a reportagem não nos relata é como os consumidores argentinos, brasileiros e chineses ficam neste tiroteio. O que eles acham disso tudo é uma incógnita. Suspeito que gostem de consumir produtos mais baratos, já que seus compatriotas não são tão eficientes nestes mesmos mercados em que chineses dão um show de bola.

Sabe-se de onde surgem as pressões por quotas, tarifas (lembre-se de quem ganha em cada caso) ou mesmo subsídios para a exportação e a notícia não apenas não rejeita a teoria econômica como também é um belo exemplo de como isto já era previsto por nós, economistas. Claro que educação faz a diferença, mas a política também faz (lembro-me sempre de “Petição”, de Bastiat).

Evidentemente, não podemos esperar muito se é do desejo de nossos planejadores benevolentes que tenhamos tantos custos relativamente maiores do que o Yemen, Nepal ou Bangladesh. Some-se a isto a busca de renda dos grupos de interesses tradicionais e você tem uma boa aproximação do que é esta economia “gigante com pés de barro”. A pergunta que permanece é: o que os consumidores acham de produtos mais baratos?

p.s. argumentos do tipo: “perda de empregos porque a economia mudou” só são aceitos se você renunciar a seu confortável carro para preservar os empregos dos semi-medievais catadores de dejetos de cavalos puxadores de carroças. Se há um papel para o governo, certamente não é o de preservar profissões australopitecas.