O bom e velho “Fame”

A lição básica: “sem esforço, não há sucesso”.

Os universitários de hoje em dia aprenderiam muito com esta única frase se perdessem dois segundos para entendê-la. Os que já a entenderam estão no caminho certo. Conheço pelo menos cinco ex-alunos de uma certo curso de uma faculdade estadual que estão neste caminho e sempre me dão a honra de me atualizar sobre suas carreiras. Há também outros que estão em seu(s) mestrado(s) e, claro, muitos outros que sempre me deixam felizes por mostrarem que há esperança apesar deste sistema de ensino sofrível que é o nosso.

p.s. talvez o novo sucesso musical tenha algo a dizer.

Vejo-os como exemplos esquecidos pela horda ignara. Bem, mas é por isso que inteligência e esforço valem tanto: são escassos.

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Há expectativas e expectativas

Difícil ser otimista com tanta manobra criatividade contábil para “melhorar” o superávit primário. Como muitos, Sardenberg é um pessimista e eu não tenho como discordar dele. Claro que o pessoal do governo pensa diferente o que, parafraseando  (quase exatamente) uma fala de um ministro hoje, “é uma interpretação legítima, embora não precisemos concordar com tanto otimismo”.

Quando o governo espera uma coisa e todo o resto espera outra, lembramos da experiência fracassada dos anos 80 de tentar empurrar goela abaixo das pessoas uma expectativa de inflação bem otimista quando a vida real nos dava algo como 20% de inflação mensal. Não funcionou lá e nem funcionará aqui, por mais que alguns insistam.

Tomara que não dê no que eu acho que vai dar…

Libertários soltos no mundo real…

…deveriam fazer como Mises?

Excelente levantamento histórico. Mises também viveu no mundo real e, como tal, tinha que fazer escolhas (como ele mesmo ensinou). Há uma lição de sociologia econômica a ser tirada desta revelação sobre Mises e sua vida profissional e certamente ela nos traz ao ponto central do paradoxo de muitos libertários brasileiros: como conciliar discurso e prática?

No mínimo, serve para reflexão.

Oferta e demanda

Qualquer aluno de economia com dois meses de uso (digo, de curso), já leu uns 10 capítulos do livro do Mankiw, exceto por contratempos como excesso de conversas e outros comportamentos inadequados.

Logo, não é difícil que já tenha passado por uma discussão sobre comércio internacional. Se apenas se preocupou em decorar gráficos, claro, perdeu boa parte da história.

Mas sempre há a realidade para lhe perturbar, inclusive com os vizinhos maradonitos, os argentinos. Veja a notícia do Estadão. Todos os elementos estão lá: o Brasil reclama da Argentina e ambos reclamam da China. Preocupam-se com a presença de produtos chineses nos respectivos países, mas querem invandir a China com seus produtos.

No frigir dos ovos – e omelete não faz sem se quebrar alguns ovos, embora Lenin nunca tenha dito isto – o que a reportagem não nos relata é como os consumidores argentinos, brasileiros e chineses ficam neste tiroteio. O que eles acham disso tudo é uma incógnita. Suspeito que gostem de consumir produtos mais baratos, já que seus compatriotas não são tão eficientes nestes mesmos mercados em que chineses dão um show de bola.

Sabe-se de onde surgem as pressões por quotas, tarifas (lembre-se de quem ganha em cada caso) ou mesmo subsídios para a exportação e a notícia não apenas não rejeita a teoria econômica como também é um belo exemplo de como isto já era previsto por nós, economistas. Claro que educação faz a diferença, mas a política também faz (lembro-me sempre de “Petição”, de Bastiat).

Evidentemente, não podemos esperar muito se é do desejo de nossos planejadores benevolentes que tenhamos tantos custos relativamente maiores do que o Yemen, Nepal ou Bangladesh. Some-se a isto a busca de renda dos grupos de interesses tradicionais e você tem uma boa aproximação do que é esta economia “gigante com pés de barro”. A pergunta que permanece é: o que os consumidores acham de produtos mais baratos?

p.s. argumentos do tipo: “perda de empregos porque a economia mudou” só são aceitos se você renunciar a seu confortável carro para preservar os empregos dos semi-medievais catadores de dejetos de cavalos puxadores de carroças. Se há um papel para o governo, certamente não é o de preservar profissões australopitecas.

Propaganda gratuita

Renato Colistete me enviou a mensagem abaixo:

Segue divulgação do processo seletivo 2010 do Doutorado em Economia das
Instituições e do Desenvolvimento da FEA-USP. O cartaz encontra-se em
anexo.

Doutorado em Economia – USP

Área de Concentração: Economia das Instituições e do Desenvolvimento

Inscrições: 10 de maio a 11 de junho de 2010.

Provas: 05 e 06 de julho de 2010.

Informações (Edital, ficha de inscrição, corpo docente)detalhadas em:

http://www.usp.br/feaecon/posgraduacao.php?i=224

Sem que ninguém perceba…

A vaca sagrada do “Estado-mamãe-mimadora” que socorre qualquer filho irresponsável, do antigo discurso histórico do partido do presidente da Silva voltou ao noticiário.

Os eleitores brasileiros são pessoas curiosas. Elas condenam pais que mimam seus filhos, mesmo que estes cometam crimes, enojam-se com o comportamento – realmente lamentável – destes pais, mas mudam de opinião quando se trata de punir prefeitos igualmente irresponsáveis.

Notícias da AMDE

Foi muito bom o encontro da AMDE, no final da semana passada (quinta e sexta). Cheguei já à noite, mas pude ver o meu colega Fabiano terminar sua apresentação e, claro, ganhei um exemplar autografado.

Fabiano foi injusto comigo, dando-me um papel mais importante do que eu realmente tive no desenvolvimento final de sua tese que, imagino, será polêmica entre advogados e economistas.

Apresentei na sexta-feira pela manhã e tentei dar noções de Economia para uma platéia de alunos do Direito. Após a apresentação, um grupo de alunos me procurou e me disseram que já estudaram o livro do Mankiw (sempre ele) e que o professor cobrava bastante. Senti-me até inútil, mas o melhor mesmo foi uma aluna que disse: “- Professor, eu concordo com o que o senhor falou! Precisamos de mais pesquisas. Eu adoro pesquisas”.

Isto ilustra bem o significado da vida na Academia. Você pode transformar seu período de graduação em algo rico em termos de conhecimento e, claro, de amizade. Mas também pode transformar todo este tempo em uma reles extensão do colégio, comportando-se como uma máquina que só funciona se alguém lhe aplica uma prova.

É difícil pensar nisto com tanto hormônio na adolescência, mas a gente encontra pessoas inteligentes de vez em quando, como o grupinho de alunos (acho que eram 3 moças e 3 rapazes, ou algo assim) que encontrei.

p.s. Também fui pego por uns dois alunos me perguntando questões de economia e custos de transação.

p.s.2. A AMDE, a ABDE e a ALACDE têm sido encontros muito interessantes e prazeirosos. Sem desmerecer meus colegas de ANPEC ou SBE e ANPECs regionais, sinto-me mais à vontade entre economistas que não sabem Direito e advogados que não sabem Economia. Há sempre algo novo a se aprender. Meus parabéns à organizadora da UFJF, Luciana e ao nosso presidente da AMDE, Alexandre Cateb.

A internet, o governo e você

Você, leitor ocasional deste blog, que entrou aqui por acaso e provavelmente não ficará aqui por muito tempo, deve ter chegado aqui porque “surfou” no google e, por meio de alguma palavra-chave, chegou. Talvez não tenha encontrado a informação como queria ou não entendeu as sutilezas de meu diálogo com meus leitores permanentes.

Você, então, tem uma escolha: ou continua lendo, ou vai embora.

Caso escolha a primeira opção, tem outra escolha: ou comenta, ou não.

Neste caso, mais uma: ou faz comentário bem-educado ou faz aquelas bovinices (finge que “quer dialogar”, fala palavrão, xinga e vai embora, estas coisas que crianças fazem e imbecis também, após os 5 anos de idade, claro).

Tudo isso só acontece porque você tem acesso à internet, algo desenvolvido a partir de uma rede centralizada (de uso militar?) lá nos longínquos anos 80 e 90. Esta rede se desenvolveu, saiu do controle original e se tornou o que é: um grande boteco. Ao contrário dos botecos, contudo, você não vê (ainda) as pessoas com quem fala. Digo, vê, mas não em tempo real. Então você lê o que está aqui e, bem, voltamos ao início do texto.

Bacana? Também acho. Mas sabe quem não gosta disto? O presidente Chavez.

Eu sei que você sempre ouve elogios sobre ele de seu professor de história que sempre te convida para passeatas ou para se revoltar contra “o sistema”. Também ouve elogios dele de boa parte dos amigos diplomatas importantes do seu pai e, claro, daqueles diretores de cinema e artistas famosos cujos filmes você viu em Gramado ou na TV, direto de Hollywood ou Cannes. Talvez até a Patrícia Pillar tenha dito algo sobre ele, não sei. Acho que não. Ou talvez o Verissimo tenha publicado uma crônica insinuando que não gostar de Chavez é uma reação “burguesa” contra a ameaça de seus privilégios. Realmente não dou a mínima para o que alguém tenha dito sobre o presidente venezuelano. A internet me permite até não dar a mínima para o papa, afinal, não existe apenas o site do Vaticano na internet.

Acho que não é muito exótico dizer que toda esta liberdade é boa porque cada um acha o que quer, desenvolve seu poder crítico se quiser e paga o preço pela falta de educação (ou gera intermináveis discussões) se puder e quiser. Ótimo. Aposto que você não se sentiria bem se o governo resolvesse controlar a informação e limitar seu acesso a alguns sites. Eu sei que isso te incomodaria. Mais ainda, seria bem chato se o governo resolvesse que todos deveriam publicar apenas conteúdo uniforme, pseudo-pluralista (como aqueles “debates” entre trotskistas, leninistas, gramscianos….supostamente representando todo o espectro político).

Eu sei que você me acha um sujeito simplório quando falo do “governo”. Deixe-me esclarecer: o governo, este que pretende, no meu exemplo, cercear seu acesso à informação (este as ONGs não pretendem incorporar aos direitos humanos “ampliados”, né?), é uma entidade certamente complexa. Até outro dia, o governo do Distrito Federal estava nas mãos de um sujeito, hoje, o governo é outro. Outros, ainda no governo, já foram citados em matérias que deveriam ser censuradas pela pornografia relatada envolvendo políticos e o dinheiro público. O governo é um emanharado de gente que vai desde vereadores até o presidente. O governo também é, de certa forma, os seus procuradores e juízes (principalmente quando não ponderam as decisões, mas apenas ratificam-nas). O governo, claro, são os burocratas dos ministérios, das secretarias estaduais, etc.

Com tanta gente, quem será que dirá o que você pode ler na internet? Deve ser uma tarefa árdua reunir tanta gente, não é? Não se preocupe. Não é feito desta forma. Mas uma coisa eu sei: assim que for feito – caso você deixe que isto aconteça – você poderá até se sentir feliz no início mas, depois, descobrirá que sua visão do mundo, antes passível de aperfeiçoamento em um processo certamente caótico de erros-acertos, agora se limitará a umas poucas esmolas que lhe chegarão por meio dos espaços entre as novas grades de sua também nova cela.

Bem-vindo ao admirável conceito de “função social da internet”.