Ironias da história

Obama renova o Patriot Act (mostrando que Bush estava no caminho certo?) e o maior doador (que alguns identificam como um exemplo de “capitalista”) de sua campanha defende que o presidente deveria ter “reposto todo o capital perdido pelos bancos”.

No mínimo, é irônico. Mas podemos rir. Afinal, yes, we can.

Anúncios

Análises quantitativas

Este artigo apresenta uma forma de análise quantitativa pouco comum entre os economistas brasileiros. Curiosamente, um dos programas utilizados é bem difícil de se encontrar com uma rápida busca no Google. Enquanto o “Foxit Reader” é facilmente encontrado, o tal Sphinx Plus só aparece sem referências ao fabricante.

Minha curiosidade é saber qual dos dois programas faz o que, exatamente. Pelo artigo, não ficou clara a relevância de cada um na análise dos autores. Alguém conhece algum dos programas?

R$ 300,00 mensais (ou mesmo R$ 1000,00) para uns, R$ 10 mil para outros…

É o que recebe a família de um soldado morto pela esquerda durante o regime militar. Alguns outros receberiam R$ 500,00. Aqui está um relato completo do caso (embora a exatidão da Wikipedia brasileira seja bem sofrível).

Agora a pergunta do dia: quanto é a indenização para o pessoal da esquerda que também morreu na época, em circunstâncias similares? Se for igual a isto aí, então este papo de direitos humanos só serve mesmo para gente que não morreu e está bem viva e saudável.

p.s. eis uma correção no valor: R$ 1000,00 contra R$ 10 mil para o assassino Lamarca. A Justiça tem suas complicações, reconheço. Mas quem vê fica com a impressão de que, até na morte, ser socialista e pregar a ditadura do proletariado, a revolução, a morte da burguesia, limpeza cultural a la Pol Pot ou Mao Zedong vale mais do que defender ditaduras de direita ou mesmo ser um liberal.

Novos artigos…

Eu e o Erik Alencar Figueiredo fizemos a revisão que pediram. Por outro lado, eu, Leo e Noguerol estamos prestes a emplacar uma bela produção científica. Aguardem detalhes, meus 2 leitores (*).

(*) Aos excepcionais 2 leitores somam-se os eventuais 10 burrinhos que mandam mensagens com palavrões escritos incorretamente como se isso fosse algum tipo de arma contra firewalls. Não podemos deixar de mencionar também os 3 leitores pseudo-intelectuais que fingem debater, mas são pagos com caixa 2 para praticarem a técnica astrológica de argumentação que os caracteriza como cabeças-de-Word.

Valeu, gente.

É nas palavras dos pais, após toda aquela pompa e circunstância que convém às formaturas que a gente percebe que existe algo além de um mero tapinha nas costas ou um seco aperto de mão.

É também na belíssima quebra de protocolo, promovida pelos formandos, e que resultou no mais belo presente que eu poderia ganhar além, claro, do próprio sorriso no rosto de cada um.

Valeu, gente. Enquanto estiver vivo, tentarei continuar divertindo vocês (como dito no cartão) e, claro, agora sem copos de plástico e sim com uma elegante garrafa térmica.

Novas aquisições

Finalmente chegou mais um daqueles livros cujo título faz a gente gostar (mais ainda) de ler: Why popcorn costs so much at the movies & other pricing puzzles. O autor – já conheço coisas dele de longa data – é o Richard B. McKenzie. Não li ainda, mas a folheada inicial promete.

O estranho moralismo brasileiro

Então a mesma galera que ignora assassinatos de dissidentes cubanos, faz vista grossa para uma campanha eleitoral que não deveria ocorrer ainda, acha certo (ou não protesta) contra a presença de representantes de grupos terroristas no Brasil, não se manifesta sobre invasões de terra com depredação de propriedades….agora está muito brava com a Paris Hilton em propaganda de cerveja.

Fica difícil, né? O povo brasileiro realmente não merece lá muitos aplausos. Por mais que a gente queira, não dá. Desculpa, galera.

De como o governo ajuda na criação de oligopólios, cartéis e tudo o mais

Veja o caso da Anvisa. A medida criticada é proposta num pacote que mistura coisas interessantes – do ponto de vista da saúde – com coisas estranhas. Engraçado é como nenhum economista – que vejo na blogosfera – tocou neste tema ainda. Talvez seja questão de ler um pouco mais sobre o tema.

Consequência elementar (lembro-me do prof. Guilherme dizer isto): diminui a competição em vários produtos. Supermercados e padarias ganham poder de monopólio.

Onde estava o CADE este tempo todo?

Sinal dos tempos

Há alguns anos, amigos meus “torcedores” do partido do presidente da Silva costumavam dizer que seu partido era diferente dos demais e não era, diziam), por conta do socialismo que hoje vemos explicitamente no programa da candidata (escolhida pelas bases?) do mesmo partido.

O que lhes era único – enchiam o peito antes de falar – era a ética, o conjunto de militantes combativos que tinham uma causa que envolvia trocar a democracia representativa “burgueso-corrupta” pela democracia do partido. Um outro mundo era possível.

Aí veio o mensalão e, como nos casos do ex-prefeito paulista, Maluf, ninguém foi formalmente “enquadrado”, digamos assim. Houve lá um sr. Hélio Bicudo – hoje no ostracismo da esquerda – que, militante antigo, indignou-se com a história. Alguns foram, simbolicamente, desligados do partido, como se a ética fosse uma questão de extirpar o bom militante que virou câncer.

O famoso movimento estudantil que se dizia independente – mas que era satélite de partidos diversos – berrava, urrava, atrapalhava o trânsito e pedia urgência para vários problemas. Hoje, eles se calaram. Não parecem enxergar problema algum em coisas como esta.

Nem preciso dizer que este é apenas um único caso. Há gente da pesada lutando para censurar a imprensa, bloquear a diversidade do pensamento e tudo o mais, usando os normais mecanismos democráticos ou, se preciso, alterando-os a bel prazer e, quem sabe, ao arrepio da lei.

Triste mesmo é ver que os militantes que conhecia hoje são céticos tristes, “realistas” (realista, para eles é reconhecer que eles se rebaixam ao mesmo nível dos outros, claro, contra sua vontade). Acreditam, ainda, que anjos vermelhos os guiarão ao paraíso com um forte setor estatal, economistas chapas-branca, jornalistas dóceis e estudantes doutrinados, sem falar nos padres enlouquecidos.

Bem, este é um sinal dos tempos. Devem haver outros, mas ainda não consigo vê-los.

Voltemos à programação normal.

O problema é por que o correio é um monopólio?

O presidente da Silva diz que não recebeu nenhuma carta de prisioneiros políticos de Cuba. Sabe, não? Prisioneiro político como ele foi, durante pouco tempo, sob o regime militar.

Fiquei em dúvida. O governo cubano não pode ser culpado porque colunistas de jornal – como um frei popular – sempre dizem que lá é bacana. Pensei que talvez fossem os ativistas políticos, que não existiriam, mas não é o que dizem dezenas de organizações internacionais que sempre são elogiadas pelo presidente e seus amigos. Então, imaginei, só pode ser porque o correio brasileiro é um monopólio.

Pronto, na verdade, o presidente da Silva quer mesmo é privatizar os correios. Ah…eu sempre desconfiei…

O ditador vai bem, obrigado

O nosso governo, sempre tão enfático na hora de protestar contra alguns governos estrangeiros, ficou caladinho enquanto um homem morria no paraíso ditatorial da esquerda brasileira por conta de uma greve de fome.

Você começa a se perguntar sobre qual é o conceito de justiça que está na cabeça dos adolescentes. Na época da administração Collor foram às ruas protestar. Hoje, o que será que os filhos deles fazem? Bem, sempre há uma esperança. Quem sempre não se vê algum adolescente neste evento de domingo próximo? O tema é outro, mas a mobilização é válida. Eu sugiro, inclusive, que se faça uma homenagem ao cubano “assassinado” pelos irmãos imperiais que governam Cuba. Afinal, direitos humanos não é o suposto tema da candidata da administração (virulenta) do sr. da Silva?

Cariocas se movimentam

Falam sempre para mim que o pessoal, hoje em dia, não protesta. Efetivamente, digo, porque entrar no twitter não é protesto, mas mero grito na imensa blogosfera. Sim, eu sei que há maneiras e maneiras, mas o que a mídia gosta – e vejo isto sempre – é de gente na rua.

Neste sentido, é interessante ver que nem todos os brasileiros concordam com todas as políticas que emanam do Planalto. Eis um exemplo que, aliás, pode contar com sua presença.

A economia brasileira não tem ido nada bem

Pedro Albuquerque tem argumentos bem interessantes para contestar o otimismo com a economia brasileira.

Aliás, a comparação faz todo sentido. Olhar apenas para você mesmo (uma análise de série de tempo, digamos assim) não ajuda a visualizar seu desempenho relativo a outros países. Por exemplo, o paíse pode crescer a 17% ao ano e ainda assim não alcançar patamares de desenvolvimento de países de primeiro mundo.

Claro, o exemplo é exagerado, mas você entendeu o ponto. Melhor ainda seria se o Pedro fizesse uma análise de painel (países e tempo). Ei, mas espere! De certa forma, ele fez isto. Como assim? Vá lá ler o texto.

Dica para você, de São Paulo

A Economia Politica do Desenvolvimento do Brasil”
Prof. Aldo Musacchio (Harvard University)
Dias: 8, 10 e 24 de março de 2010
Horário: 11h30
Local: FEA 1, sala A-3
Promoção: Departamento de Economia e Pós-Graduação em Economia, FEA/USP
Apoio: Reitoria USP
Informações: Secretaria da Coordenação de Pós-Graduação em Economia
Tel: 3091-6078/5886

Temas e Leituras
1. A Economia Política do Desenvolvimento nas Ex-Colônias Européias (8/3)
Acemoglu, Daron, Simon Johnson, and James Robinson (AJR). 2001. “The Colonial Origins of Comparative Development: An Empirical Investigation.” American Economic Review 91: 1369-1401.
Engerman, Stanley L. and Kenneth L. Sokoloff. 2002. “Factor Endowments, Inequality, and Paths of Development among New World Economies” in Economía 3-1 (Fall): 41–109.
Engerman, Stanley L. and Kenneth L. Sokoloff. 2008. “Once Upon a Time in the Americas: Land and Immigration Policies in the New World.” Book manuscript, Harvard University, 2009.
2. Economia Politica do Desenvolvimento e Instituições Coloniais no Brasil (10/3)
Naritomi, Joana, Rodrigo R. Soares, and Julian J. Assunção. 2007. “Rent Seeking and the Unveiling of ‘De Facto’ Institutions: Development and Colonial Heritage Within Brazil.” NBER Working Paper 13545, October.
Sachs, Jeffrey, and Andrew Warner. 1995. “Natural Resource Abundance and Economic Growth” National Bureau for Economic Research (NBER) Working Paper 5398. Cambridge, Massachusetts.
Martínez-Fritscher, André and Aldo Musacchio, “ Can Endowments Explain Regional Inequality? State Governments and the Provision of Public Goods in Brazil, 1889-1930” mimeo, Harvard Business School, 2009.
Nunn, Nathan, “Slavery, Inequality, and Economic Development in the Americas: An Examination of the Engerman-Sokoloff Hypothesis,” E. Helpman (ed.), Institutions and Economic Performance, 2008, Harvard University Press, pp. 148-180.

3. Educação e Desenvolvimento Econômico de Longo Prazo no Brasil (24/3)
Mariscal, Elisa and Kenneth L. Sokoloff. 2000. “Schooling, Suffrage, and the Persistence of Inequality in the Americas, 1800–1945. “ In Political Institutions and Economic Growth in Latin America: Essays in Policy, History, and Political Economy. Ed. Stephen Haber. Stanford, CA: Hoover Institution Press.
Martínez-Fritscher, André, Aldo Musacchio and Martina Viarengo. “The Great Leap Forward in Education in Brazil: The Political Economy of Education in Brazil, 1890-1940,” mimeo Harvard Business School, 2009.
Goldin, Claudia and Lawrence F. Katz, “The Race Between Education and Technology: The Evolution of U.S. Educational Wage Differentials, 1890 to 2005”, NBER Working Paper 12984, 2007.

Você gosta de história econômica e desenvolvimento? Esta dica é do Renato Colistete.

Excelente introdução a um tema recorrente: as consequências não-intencionais de nossas ações

Este texto está ótimo. Destaco dois trechos. O primeiro, sobre uma questão institucional importante:

An irony of social institutions is that by limiting our choices they make us better able to execute our plans and anticipate their likely consequences. However, to perform that coordinative function in complex matters and help us overcome uncertainty, institutions need to emerge from people’s voluntary interactions, usually over a period long enough for them to embody the best ways of doing things. This is why markets are so good at generating positive unintended consequences and why institutions imposed by force from the top down tend to generate negative ones. Just as we are much more productive as a society when entrepreneurs and consumers have access to competitively determined prices, so in general does human action produce beneficial unintended consequences when social institutions generally are the result of unhampered evolutionary processes.

E este outro:

… a number of years ago there was a call for government to require very young children to sit in car seats rather than on their parents’ laps when flying on airplanes. This arose out of concern that in some circumstances lap children could be hurt or could hurt others. Critics, particularly economists, quickly responded that such a law would actually kill more children than it saved.

Ah sim, neste último trecho você tem que completar a leitura para descobrir como os economistas ajudaram a salvar vidas.

O autor é o Steve Horwitz, um austríaco que esteve no comando da SDAE ano passado (não sei se continua ainda no cargo).

Incrível

O presidente falou de improviso e, praticamente, chutou o balde. Nunca antes na história deste país um discurso foi mais beligerante e exótico. Talvez esta seja uma herança maldita do socialismo que a tudo quer estatizar.

p.s. O Reinaldo Azevedo pode ser criticado (a garotada adora jogar pedra), mas o discurso está lá, reproduzido e sem adições. Saiu mesmo da boca do presidente. Fatos são fatos. Sorry, guys.

Algumas ditaduras geram recompensas, outras, são esquecidas

O militante médio de centro-esquerda (e de esquerda) brasileiro tem o confortante (para ele) hábito de não questionar sobre certas incoerências da própria esquerda. Sem comentários sobre o uso de dois pesos e duas medidas pelas nossa nova política externa. Saiu um urânio no Irã, palmas. Obama deu um tapinha nas costas do presidente brasileiro, três vivas. O Sudão massacra, silêncio. Dissidentes políticos pedem para falar com o sr. da Silva, pretenso guia de um suposto Brasil potência, mais silêncio.

Difícil fazer política, mas é um péssimo sintoma quando qualquer um percebe as incoerências. A estratégia oculta se transforma em uma simples sucessão de erros e acertos confusos. Eis o perigo para nossa política externa.