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AMDE

Já citei, mas vou reforçar: o II Congresso Mineiro da AMDE já tem chamada de trabalhos.

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O dinheiro é que é o vilão da história?

Aqui está a entrevista. Trechos:

O que ela precisa ser?
Precisa ser uma instituição de estudo, porque o ensino é consequente à pesquisa, ele não vem antes do estudo. Ao contrário. Só quem estuda é capaz de ensinar, ao passo que no Brasil, por interesse comercial, você enfatiza o ensino. O ensinismo inverte a equação, deixando a situação cada vez pior, cada vez pior… O cara que vai ser professor não precisa estudar, não precisa produzir. Ele simplesmente se apoia num manual qualquer. É o gráfico que se estabeleceu em cima da hora-aula. É isso que chamam de curso.

Mais um pouco:

O que o senhor acha das exigências da Nova Lei de Estágios, que demandam mudanças importantes nos cursos de graduação, licenciatura e bacharelado que preveem esse dado nos currículos?
O governo federal é responsável atualmente pela maior parcela do financiamento do mercantilismo, por meio das bolsas de estudo. Essas bolsas são um expediente para financiar os mercantilistas. Elas é que dão dinheiro para sustentar essas universidades particulares, que não são universidades. Aliás, as universidades federais também não são universidades. São arranjos das oligarquias locais em cada um dos Estados brasileiros.

Será isso mesmo? O dinheiro é a causa de todos os males e a solução está no setor público? Ou será que o problema é o rent-seeking incentivado pelo governo, como o mesmo entrevistado sugere no segundo trecho acima?

Talvez o entrevistado deva se inteirar dos problemas da produção científica no Brasil (um mundo do qual ele faz parte). Na Economia, artigos como este, este e este mostram os problemas dos incentivos criados pelo…governo federal (que o entrevistado parece ter em alta conta, a despeito da crítica sobre as bolsas) para gerar pesquisas, em economia. E em filosofia? Tem alguém preocupado com isto?

Um bom ponto para se começar a discussão é mudar o foco simplista sobre “dinheiro” versus (um super-suposto ad hoc) “espírito puro do pesquisador” e pensar no que disseram os artigos citados acima e também o nosso velho e sábio Ronald Coase: não existe tal coisa como o “avanço da ciência”, mas sim pesquisadores com interesses próprios que raramente são convergentes como qualquer debate científico, disputa por bolsas e as diferenças entre este autor e o entrevistado, por exemplo, revelam.

Em outras palavras, a entrevista toda pode ser analisada sob a ótica de um problema do tipo “agente-principal”. Aí começa o debate mais refinado. Será que temos pesquisadores brasileiros preocupados com isso? Quantos professores de economia que se debruçam sobre o problema do dilema “ensino-pesquisa” do ponto de vista microeconômico (incentivos!) você conhece? Sugestões são bem-vindas.