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Orgulho de ter feito algo de bom nesta vida

O André Greve faz um comentário que eu gostaria de compartilhar com o Leo Monasterio, meu co-fundador do primeiro blog que tive de economia e este.

Shikida, vc não é apenas um dos melhores blogueiros da teoria econômica séria e do pensamento político liberal, vc foi um dos primeiros a fazer isso. A blogosfera econômica, por exemplo, cresceu ao redor do seu blog.
Esse ótimo trabalho que o Liberdade na Estrada montou em diversas universidades brasileiras para palestras se tornou mais fácil graças a existência de toda uma rede de contatos funcionando há algum tempo.
Parabéns pelo trabalho Shikida.

O elogio realmente vem de alguém que nunca vi, mas já conheço da internet (tal como, inicialmente, com o Leo Monasterio).  Algo que o André fala e que é importante é que este blog terminou por ser um blog de legítima economia política. Em outras palavras, todo mundo sabe o que acho do liberalismo, mas todo mundo também sabe que há uma diferença entre economia normativa e positiva. Mais ainda, sabe também que não nos furtamos (eu e os co-blogueiros que, realmente, sumiram a partir de 2008…) a encarar a difícil tarefa de falar de um e de outro sem misturar tudo.

Se a gente consegue isto é outra história, mas o elogio do André mostra que temos sido bem-sucedidos.

André, obrigado pelo comentário e, claro, por fazê-lo no Dia do Professor.

p.s. será que os inimigos deste blog também cresceram por conta da gente? Provavelmente sim. Não deixa de ser irônico e me faz lembrar daquela famosa cena final do filme “Conan, o Bárbaro”…

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Trabalho em equipe, um bebê e milagres

Este video foi um sucesso na blogosfera. Em resumo, os pais arrumam o bebê no carrinho, mas se esquecem dos freios. O carrinho vai para baixo do trem e, por um milagre, o menino não morre. “Parabéns aos fabricantes do carrinho”, foi meu primeiro impulso.

Mas há outro ponto a se refletir. Mesmo com pessoas bem-intencionadas envolvidas em uma tarefa (dois pais e a segurança do bebê), uma pequena falta de atenção pode por tudo a perder.

Pensando deste ângulo, fica fácil ver que é necessário sempre estar pronto para o imprevisto. Quantas vezes você não viu um colega seu perder tudo por conta de sua incrível falta de atenção? Tem gente que não enxerga sua reputação como dependente de sua atenção nas tarefas. Claro que o caso do carrinho de bebê envolve fatores estocásticos, mas, vamos lá, você não se educa e trabalha para diminuir o risco que corre na vida?

Que o episódio seja uma lição para os que trabalham em grupo.

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Pela destruição do prédio da ONU (leia o texto para entender o título)

Eis a mais exótica manifestação de um burocrata do mega-governo da ONU que já vi. Se a Liga das Nações já tinha problemas, a ONU então, nem se fala. E olha que eles se pretendem tão importantes que podem estabelecer o que são as metas do milênio para governos soberanos.

Nada contra a parte do discurso que diz que o problema fundiário no Brasil é um problema. Óbvio que é. Mas daí a justificar depredações de propriedade alheia? Isto me faz pensar em porque alguns europeus, há alguns anos, aceitaram manifestações populares violentas em prol de uma mudança social e…não aprenderam totalmente a lição.

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História Econômica do Brasil – Federalismo fiscal em 1891-1930

Endowments, Fiscal Federalism, and the Cost of Capital for States: Evidence from Brazil, 1891-1930
André C. Martínez Fritscher – Aldo Musacchio
Abstract
There is a large literature that aims to explain what determines country risk (defined as the difference between the yield of a sovereign‘s bonds and the risk free rate). In this paper, we contribute to the discussion by arguing that an important explanatory factor is the impact that commodities have on the capacity to pay. We use a newly created data base with state-level fiscal and risk premium data for Brazil states between 1891 and 1930 to show that Brazilian states with natural endowments that allowed them to export commodities that were in high demand (e.g., rubber and coffee) ended up having higher revenues per capita and, thus, lower cost of capital. We also explain that the variation in revenues per capita was both a product of the variation in natural endowments (i.e., the fact that states cannot produce any commodity they want) and a commodity boom that had asymmetric effects among states. These two effects generated variation in revenues per capita at the state level thanks to the extreme form of fiscal decentralization that the Brazilian government adopted in the Constitution of 1891, which gave states the sole right to tax exports. We end by running instrumental variable estimates using indices of export prices for each state to instrument for revenues per capita. Our IV estimates confirm our results that states with commodities that had higher price increases had lower risk premia.

Como sempre digo, história econômica se faz e se entende com esforço intenso e com muito cuidado. Há quem pense que a área é parente próxima dos contos de fadas que se lê para criança dormir: inventa-se uma história e cita-se alguns clássicos como os irmãos Grimm ou o nosso velho e genial Câmara Cascudo.

Mas há também gente séria e trabalhadora que não tem tempo para se envolver em políticas ou panelas acadêmicas porque está muito ocupada tentando fazer da área uma coisa séria.

Só de passar os olhos pelo texto você percebe que é mais um na tradição recente de uma história econômica brasileira de melhor qualidade. Novamente, divulgo alguns nomes responsáveis por esta mudança positiva na área de história econômica: Fábio Pesavento, Thomas Kang, Renato Marcondes, Renato Colistete, Ulysses Gamboa, Leo Monasterio, Felipe Tâmega, dentre outros.

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Por que políticos aceitam Bancos Centrais independentes?

A pergunta tem a ver com a óbvia dificuldade de se entender como políticos – que adoram gastar e odeiam ceder poder, ainda que para o combate da inflação – entram nesta de defender a independência de um Banco Central.

Claro que o resultado deste jogo deve ter a ver com o nível da inflação. Bem, é o que encontram os autores deste artigo.

O mais bacana é que os autores disponibilizam a base de dados que eles mesmos construíram, no apêndice. Mais um bem público que pode ser checado por outros profissionais da área, bem como também usado em trabalhos outros.

Quem gosta de política monetária e bancos centrais tem aí mais uma recomendação de leitura.