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Repercussão do Prêmio Nobel na blogosfera

Certamente o Marginal Revolution já tratou do tema, mas eis outros reflexos:

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Prêmio Nobel: um pouco sobre Williamson e um pouco mais sobre Elinor Ostrom

Estive longe de um terminal de computador por alguns dias, mas consegui me informar sobre o Nobel. Bem, não li ainda o que meus colegas de blogosfera publicaram, mas eis o que eu penso sobre este Nobel.

Em primeiro lugar, creio que este Nobel segue uma lógica que vem desde a concessão do prêmio para Hayek e Myrdal (por dizerem praticamente o oposto, mas por terem em comum a preocupação com o desenvolvimento e o uso do conhecimento).

Depois veríamos Douglass North e Ronald Coase serem igualmente agraciados com o prêmio por falarem de custos de transação na história e em geral. O ponto comum, novamente, é claro: o que atrapalha o funcionamento dos mercados?

James Buchanan também é parte desta história, já que ampliou nosso conhecimento sobre como o sistema político influi no funcionamento dos mercados ao invés de corrigi-lo, como reza a cartilha do “planejador benevolente”.

Se pensarmos um pouco no significado de prêmios como este, poderíamos até falar de Gary Becker e outros que abriram campos de pesquisa por meio do relaxamento de hipóteses dos modelos, digamos assim, canônicos (embora este não seja um bom nome, creio).

Oliver Williamson – na minha opinião – é simplesmente a versão North-Coase aplicada a aspectos de Organização Industrial. Já merecia ter ganho o prêmio há mais tempo. Não é uma de minhas leituras favoritas – acho até que ele é muito prolixo – mas é, sem dúvida, um importante autor na área de Organização Industrial. Sem cair no canto da sereia pterodoxo, Williamson foi capaz de reler o funcionamento dos mercados sob a ótica dos custos de transação. Estranho mesmo é pensar que Baumol ainda não ganhou o prêmio por lançar muitos dos conceitos que nós – Williamson incluso – tomaríamos como base para o avanço da teoria de Organização Industrial nos últimos anos.

O outro prêmio, o de Elinor Ostrom, é bastante merecido. Lembro-me de ter começado minha dissertação, graças ao Marcos Fernandes, com a leitura de Vincent Ostrom, seu marido, que tratava do federalismo como uma instituição. Por meio dele, acabei descobrindo os artigos de Elinor Ostrom sobre problemas de bens de uso comum. Rules, Games and Common Poll Resources, editado por ela e mais alguns outros pesquisadores, foi um dos primeiros livros que li na tradição dos estudos empíricos de economia sobre o problema (ou a tragédia) dos comuns. Não foi o livro que mais me entusiasmou na época, mas a abordagem empírica me atraiu. Depois eu teria contato com gente como Bruce Benson (a lei como ordem espontânea), Robert Ellickson (Order without Law), John Umbeck e Jack Hirshleifer (o uso da violência como forma alternativa de alocar recursos na sociedade), dentre outros.

Talvez possamos associar o prêmio de Elinor Ostrom com o de alguns anos atrás, ganho por Vernon Smith por suas contribuições à economia experimental. Talvez se possa pensar no prêmio como mais um representante do “ampliação das fronteiras do conhecimento” (Becker, Buchanan, etc), já que a profa. Ostrom, como tantos antes dela, mostrou que instituições importam para o funcionamento dos mercados. Mais ainda, não é apenas “instituições importam”, mas também como importam.

Não é um convite para que economistas fujam da economia para estudar sociologia ou antropologia. É um convite para que cientistas sociais (e alguns economistas) leiam mais Elinor Ostrom.

Agora vou ler o que meus colegas escreveram a respeito. Boa terça-feira, leitor.