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Relações na Web

Então o Kenji resolveu abrir o jogo para ver se as pessoas se portam com um mínimo de educação. Não me leve a mal, leitor, mas ele está correto. É meu irmão, eu sei, mas nossas desavenças e nossa história me permitem dizer que ele está correto no desabafo-bronca. Em todos os blogs que já vi (e nos que administro), sempre vejo este visitante que entra no meio de um diálogo, fala algo totalmente fora de contexto – e geralmente com a educação de um jumento raivoso – e depois sai por aí como feliz da vida.

Vida feliz, por um lado, mas triste. Afinal, o sentido da vida do cara é descarregar suas frustrações em outros. A mulher brigou com ele? Ele vai a um blog qualquer e reclama. O salário não aumentou? Idem. E assim por diante.

Reinaldo Azevedo e Marco Bittencourt são alguns que já deixaram claro em algum lugar de seus blogs que a liberdade é um valor muito importante para não ser usado: não gosta do blog? Saia e vá embora. Quer que o blogueiro reproduza suas idéias? Faça o seu próprio blog e aprenda a assumir os custos e os benefícios de ter seus próprios comentaristas bem ou mal educados.

Eu já pensei muito sobre este tipo de coisa. Minha conclusão é bem simples: não há como evitar a entrada de estranhos no blog. É até bom que isto ocorra. Afinal, uma das virtudes da rede (web) é a disseminação de idéias de e para quem estiver online. Mas há um padrão – aqui ou nos EUA ou em qualquer outro lugar – bem claro: quanto menos educado o sujeito (no sentido de ter sido educado pelos pais com valores mínimos de civilidade, tolerância, respeito e etiqueta), pior a qualidade de seu entendimento dos textos de um blog. Geralmente até os comentários se transformam em frases com erros crassos e letras garrafais. Parece que o sujeito se expressa urrando com a garganta fechada por uma gripe forte.

Talvez o Kenji já saiba, mas eu apenas reforço que a falta de educação não é correlacionada com os anos de estudos. Nossos políticos, empresários, alunos, professores, donos de pastelaria, taxistas, donos de ONG’s, militantes de partidos políticos, torcedores de futebol, etc, estão aí para provar que o berço é o que mais conta.

Eu me lembro de, nos meus primeiros anos de aula, chamar a atenção de alguns alunos universitários que jogavam giz na faxineira que trabalhava no prédio em que eu lecionava. Até que os garotos (garotos? Adultos?) reagiram bem. Pior foi uma outra ocasião em que os sujeitos achavam bonito, natural e, pior ainda, tinham a ilusão esotérica de que era um direito fundamental do aluno estourar fogos de artifício no meio do período de provas, no pátio central do prédio (não, não falamos de trotes).

Uma vez me disseram que uma pesquisa feita no Brasil – não tenho como confirmar, mas aposto que é verídica – apontava que o pior aspecto no ambiente de trabalho era o fato de o banheiro da empresa estar sempre sujo. Ou seja, pessoas não davam descarga. Ou não lavam as mãos ao sair do banheiro. E assim por diante. Isto é algo que não se ensina na escola e muitos pais pensam que não é seu dever educar os filhos nestes aspectos.

A queixa do Kenji, para mim, é sobre como alguém pode achar bonito defecar na rua e sair andando por aí…no século XXI. Eu penso se comentários em blogs têm, realmente, algum valor. Não que nossos leitores mais fiéis e educados estejam neste saco de estrume, mas eles sabem que não estão. O problema são os que não sabem.