Pluralismo na prática: a liberdade na estrada

Vejamos como a empreitada proposta em boa hora pelo Diogo Costa reflete nas pessoas.

A academia brasileira está prestes a testemunhar uma empreitada inédita no país. De Porto Alegre a Fortaleza, um grupo de intelectuais públicos percorrerá 13 cidades durante o mês de outubro com uma missão: apresentar aos estudantes universitários brasileiros o pensamento libertário, de apoio ao livre mercado, paz e direitos individuais. Cansados de ver as ideias liberais sendo retratadas apenas pelos seus oponentes intelectuais de direita e esquerda, eles agora querem apresentá-las em primeira mão.

A iniciativa é do OrdemLivre.org, projeto da Atlas Economic Research Foundation em cooperação com o Cato Institute, dois think tanks sediados em Washington, sem vínculos partidários e sem qualquer patrocínio estatal. Todo o financiamento do OrdemLivre.org vem de contribuições voluntárias e da venda de publicações.

O projeto consiste na realização de seminários nas principais instituições de ensino do país (como USP, UFRGS, UFMG e Ibmec) com conferências versando sobre temas relevantes como crise econômica, globalização e direitos humanos, além de questões espinhosas como reforma tributária e descriminalização das drogas.. As idéias de liberdade individual são universais, e unem pensadores como Joaquim Nabuco e Friedrich Hayek, mas suas aplicações encontram resistência de grupos de interesse que se beneficiam do status quo. O objetivo é convidar alunos e professores de todas as áreas do ensino para participar de um diálogo aberto que associe a teoria à prática das políticas públicas.

“Por décadas, os intelectuais de esquerda foram praticamente os únicos a apresentar aos estudantes brasileiros uma causa política baseada em princípios”, diz Diogo Costa, coordenador do OrdemLivre.org “chegou a hora de mudarmos esse paradigma, e mostrar o liberalismo como um ideal sublime que promove a paz e a prosperidade, e que não tem um histórico sangrento como o do socialismo”. Bruno Garschagen, gerente de relações institucionais de OrdemLivre.org, completa: “o debate entre diferentes correntes filosóficas é necessário para que a Universidade esteja livre das ortodoxias do pensamento e avance com a universalidade do conhecimento”.

Participarão da turnê: Adolfo Sachsida (economista), Bruno Garschagen (cientista político), Diogo Costa (cientista político), Hélio Beltrão (economista), Lucas Mafaldo (filósofo) e Rodrigo Constantino (economista).

Acho excelente que Diogo fale das propostas de políticas públicas na prática. Uma queixa comum – e correta, ao meu ver – sobre os liberais brasileiros é que eles nunca ou quase nunca propõem propostas realistas de política econômica (não vale resposta fácil como: “fecha o Banco Central”, “exporta brasileiros para a China”, ou “decreta a liberdade de mercados via Executivo”).

Lembro que o evento ocorrerá aqui, em BH, no Ibmec.

A política monetária é neutra no longo prazo?

Is monetary policy really neutral in the long-run? Evidence for some emerging
and developed economies
Reginaldo Pinto Nogueira Jr.
Fundação João Pinheiro, Brazil
Abstract
The traditional economic theory suggests that changes in the money supply or in the interest rates can influence the
business cycle, but not the long-run potential output. In other words, monetary policy is neutral over the long-run. In
this paper we use some new developments in econometrics to test for the existence of a long-run relationship between
the monetary policy instrument used by most Central Banks – short-term interest rates – and real output. Using annual
data for 14 emerging and developed countries our results offer overall support for the traditional economic theory.

Is monetary policy really neutral in the long-run? Evidence for some emerging and developed economies

Reginaldo Pinto Nogueira Jr. – Fundação João Pinheiro, Brazil

Abstract

The traditional economic theory suggests that changes in the money supply or in the interest rates can influence the business cycle, but not the long-run potential output. In other words, monetary policy is neutral over the long-run. In this paper we use some new developments in econometrics to test for the existence of a long-run relationship between the monetary policy instrument used by most Central Banks – short-term interest rates – and real output. Using annual data for 14 emerging and developed countries our results offer overall support for the traditional economic theory.

Reaper: um ministério infernal

O pessoal do misticismo já pode festejar: um ministro vê em forças ocultas a causa dos problemas do Brasil. Cada povo tem o governo que merece, versão misticismo.

Às vezes tenho a sensação de que há forças políticas que são possuídas por um pensamento demoníaco…

Google Domestic Trends

O Kenji me envia um interessante post sobre o uso do R pelo Varian (o economista-chefe da Google, para o desespero dos nossos pterodoxos). A novidade é que a Google está melhorando a disseminação de informação com o tal Google Domestic Trends.

Eis a prova de que expectativas são racionais (ou de que pessoas não são estúpidas): se há informação, você a busca em sua forma mais atual para minimizar perdas. Se você consegue o máximo com a informação atual, ok, racional. Se se aproxima, ok, você tentou. Mas ninguém pode dizer que você queria ser irracional.

Veja por exemplo aquela questão do Kenji sobre relações sociais na Web. O cara entra no blog e solta uma falta de educação porque nem se importa com o que o Kenji escreveu. Outro leitor, mais preocupado em usar as informações do blog dele e aprender, se porta como gente (civilizada). Dependendo do objetivo, a ação racional ou é a falta de educação ou o seu contrário. Simples assim.

No meu caso, são os carinhas que entram aqui e xingam/cospem impropérios porque não gostaram de um post. Claro, não vem muito aqui, chega, não pensa muito (ou não consegue pensar muito além do umbigo), xinga e vai embora. Outros ficam, pensam, decidem se voltam ou não e por aí vai. Maximizar o bem-estar dado o tempo disponível para passear na internet também é racional, mesmo que você pense que não é racional…

Blogosfera – além do biscoito polvilho

Biscoito polvilho, diz meu colega Coutinho, faz muito barulho e tem pouco conteúdo. Muitas vezes os posts dos blogs (este incluso) ficam curtos e, portanto ,viram biscoito polvilho. De vez em quando, esta regra é quebrada. Eis um exemplo. Resumo da ópera: há uma discussão sobre política monetária na blogosfera e o amigo aí faz um teste simples. Bacana, não tão superficial e informativo.

Liberdade na Estrada – Edição de BH

O pessoal do Ordem Livre promove uma excelente iniciativa de discutir as idéias da liberdade com a sociedade. Eis aqui a edição de BH. Não é restrito ao público interno, embora o anúncio não seja específico. Se quiser ajudar na divulgação, eis o convite.

Creio que os leitores deste blog residentes em BH apreciarão o debate. O momento atual impõe especiais desafios para o liberalismo no Brasil. Não há um pensamento único liberal e aqueles que aparecerem para o encontro terão a oportunidade, creio, de perceber isto por meio de um debate saudável e, espero, divertido.

Só não sei se o site “liberdadenaestrada.com” já está ativo.

p.s. recomendo fortemente ao público externo que confirme presença pelo telefone 3247-5757.

Crise: como identificar este período?

Credit Crises, Money and Contractions: an historical view

Michael D. Bordo, Joseph G. Haubrich

NBER Working Paper No. 15389
Issued in September 2009
NBER Program(s): DAE IFM
The relatively infrequent nature of major credit distress events makes an historical approach particularly useful. Using a combination of historical narrative and econometric techniques, we identify major periods of credit distress from 1875 to 2007, examine the extent to which credit distress arises as part of the transmission of monetary policy, and document the subsequent effect on output. Using turning points defined by the Harding-Pagan algorithm, we identify and compare the timing, duration, amplitude and co-movement of cycles in money, credit and output. Regressions show that financial distress events exacerbate business cycle downturns both in the nineteenth and twentieth centuries and that a confluence of such events makes recessions even worse.

O governo brasileiro apóia quem desrespeita a lei?

Então um presidente rasga a Constituição, é deposto pela própria Corte Suprema e, na ausência da figura do impeachment, é exilado. Ok, pode-se fazer vista grossa à interferência de Chávez – com aquelas urnas fraudadas – mas, mesmo assim, Zelaya é um problema. Aí o Daniel Piza dá a cartada de mestre nos “torcedores” (não analistas, torcedores) da política externa brasileira. Sua pergunta, na coluna de hoje, é:

Por mais que tenha sido Chávez o articulador da volta de Zelaya a Honduras e seu refúgio na embaixada brasileira, e por mais que o presidente deposto tenha tentado agir contra a democracia ao convocar plebiscito depois de ver que seu candidato à sucessão não seria eleito, o fato é que o golpista é Micheletti e o Brasil pode ajudar na recondução do país à legalidade. Só não pode fazer papel do “grandão bobo” e deixar de exigir que Zelaya cumpra a Constituição.

Já notou, leitor, que o Itamaraty nunca se pronunciou sobre o tema?

p.s. a coluna dele, hoje, está, inclusive, ótima. A crítica aos “torcedores” da administração da Silva é equilibrada, educada e muito bem escrita. Fiquei com inveja do poder de síntese do Daniel.

p.s.2. outra crítica interessante à administração da Silva aqui.

Kimuchi (Kimchee)

A história coreano-nipônica é uma tristeza. Guerras, invasões e tudo o mais. No entanto, eu tenho meus amigos coreanos – uns poucos (um deles bem sumido, o Kim…digo, Hakyu Kim) espalhados por aí.

Mas há sempre o lado positivo destas coisas como o intercâmbio de novelas, os músicos sul-coreanos que fazem sucesso no Japão (Cho Yong Pil, meu favorito, e outros), etc. Mas a mais recente novidade que a mim chegou pela melhor via: a estomacal-restaurantal é o Kimuchi (em coreano: Kimchee).

Comprei um negócio destes na versão cup lamen e o resultado é que comprei mais dois potes. Eis algumas fotos da delícia.

From Drop Box
From Drop Box
From Drop Box

É Thomas (Kang), isso aí é uma delícia!

O incrível correio brasileiro

Incrível. Tentaram entregar um livro aqui em casa. Não conseguiram. Deixaram aviso? Não. Por três vezes. Agora descubro, graças ao setor privado (Estante Virtual, um site de sebos) que o livro está lá, no Correios. Nem o aviso final eles deixaram aqui.

Moral da história: monopólio estatal é o pior dos males. Se você não concorda, pense no inferno, um único lugar para onde vão todos os pecadores. Eles nem a opção de escolha têm.

Parabéns, Correios, financiam muitos esportes, mas o serviço básico, desta vez, deixou a desejar. Quando será que o governo fará algo a respeito disto? Ou a crise, agora, é desculpa para aumentar a estatização e o poder dos monopólios públicos?

Sociedade educada teme viés heterodoxo de Serra e Dilma

Eu me pergunto sobre o porquê de as pessoas não lerem esta manchete (acima) ao invés desta. Ok, é óbvio que a pesquisa foi feita entre os que realmente trabalham com o seu dinheiro. Corrija-me se estiver incorreto, mas todos os que aplicam no mercado financeiro, poupam, enfim, trabalham com ativos que rendam juros maiores do que zero (o caso da moeda é a única exceção, obviamente), se preocupam em entender como funciona a economia para minimizarem o risco de (suas próprias) perdas.

Logo, se você é um poupador que administra seus recursos, você não perde em entender economia melhor. Se você é um funcionário do banco e aplica o dinheiro dos outros, idem. Em ambos os casos, você deveria se preocupar com o viés de Serra, Dilma ou de qualquer outro político. Se o viés é heterodoxo ou não é uma discussão até enganadora porque muito economista pterodoxo tem uma retórica afiada (ou um modelo matemático bonito, mas inútil) e aí reside o perigo.

A cada dia que passa percebemos que o capital humano das pessoas no entendimento da economia melhora. Mas melhora lentamente. Muito aos poucos aprendemos a punir políticos seguidores da pterodoxia. Em outras palavras, você não vê muita gente inteligente, hoje, defendendo a volta da inflação ou o congelamento de preços. Aprenderam da pior forma possível, no laboratório dos anos 80 que foi a economia brasileira. Aliás, este sofrimento poderia ter sido evitado se tivessem estudado mais a economia não-pterodoxa. Mas seria um mundo 100% melhor? Óbvio que não porque a diferença fundamental entre a pterodoxia e a economia é que a segunda é uma ciência, logo, em constante evolucão. A primeira é um poço de lama de onde saem consultores de má qualidade, formuladores de política ruins, gente que não conseguiria emprego no setor privado facilmente (dependendo do grau de competição do sub-setor do setor privado no qual pede um emprego, até consegue).

O mercado financeiro é composto de seres humanos, imperfeitos (veja aí a crise e blá-blá-blá), mas são eles, supostamente, que sabem o que você deve fazer com seu dinheiro. Em outras palavras: se você estuda mais e decide sua carteira de investimentos, você também é “mercado financeiro”, colega. Se é o caso, comece a pensar seriamente nas eleições.

Relações na Web

Então o Kenji resolveu abrir o jogo para ver se as pessoas se portam com um mínimo de educação. Não me leve a mal, leitor, mas ele está correto. É meu irmão, eu sei, mas nossas desavenças e nossa história me permitem dizer que ele está correto no desabafo-bronca. Em todos os blogs que já vi (e nos que administro), sempre vejo este visitante que entra no meio de um diálogo, fala algo totalmente fora de contexto – e geralmente com a educação de um jumento raivoso – e depois sai por aí como feliz da vida.

Vida feliz, por um lado, mas triste. Afinal, o sentido da vida do cara é descarregar suas frustrações em outros. A mulher brigou com ele? Ele vai a um blog qualquer e reclama. O salário não aumentou? Idem. E assim por diante.

Reinaldo Azevedo e Marco Bittencourt são alguns que já deixaram claro em algum lugar de seus blogs que a liberdade é um valor muito importante para não ser usado: não gosta do blog? Saia e vá embora. Quer que o blogueiro reproduza suas idéias? Faça o seu próprio blog e aprenda a assumir os custos e os benefícios de ter seus próprios comentaristas bem ou mal educados.

Eu já pensei muito sobre este tipo de coisa. Minha conclusão é bem simples: não há como evitar a entrada de estranhos no blog. É até bom que isto ocorra. Afinal, uma das virtudes da rede (web) é a disseminação de idéias de e para quem estiver online. Mas há um padrão – aqui ou nos EUA ou em qualquer outro lugar – bem claro: quanto menos educado o sujeito (no sentido de ter sido educado pelos pais com valores mínimos de civilidade, tolerância, respeito e etiqueta), pior a qualidade de seu entendimento dos textos de um blog. Geralmente até os comentários se transformam em frases com erros crassos e letras garrafais. Parece que o sujeito se expressa urrando com a garganta fechada por uma gripe forte.

Talvez o Kenji já saiba, mas eu apenas reforço que a falta de educação não é correlacionada com os anos de estudos. Nossos políticos, empresários, alunos, professores, donos de pastelaria, taxistas, donos de ONG’s, militantes de partidos políticos, torcedores de futebol, etc, estão aí para provar que o berço é o que mais conta.

Eu me lembro de, nos meus primeiros anos de aula, chamar a atenção de alguns alunos universitários que jogavam giz na faxineira que trabalhava no prédio em que eu lecionava. Até que os garotos (garotos? Adultos?) reagiram bem. Pior foi uma outra ocasião em que os sujeitos achavam bonito, natural e, pior ainda, tinham a ilusão esotérica de que era um direito fundamental do aluno estourar fogos de artifício no meio do período de provas, no pátio central do prédio (não, não falamos de trotes).

Uma vez me disseram que uma pesquisa feita no Brasil – não tenho como confirmar, mas aposto que é verídica – apontava que o pior aspecto no ambiente de trabalho era o fato de o banheiro da empresa estar sempre sujo. Ou seja, pessoas não davam descarga. Ou não lavam as mãos ao sair do banheiro. E assim por diante. Isto é algo que não se ensina na escola e muitos pais pensam que não é seu dever educar os filhos nestes aspectos.

A queixa do Kenji, para mim, é sobre como alguém pode achar bonito defecar na rua e sair andando por aí…no século XXI. Eu penso se comentários em blogs têm, realmente, algum valor. Não que nossos leitores mais fiéis e educados estejam neste saco de estrume, mas eles sabem que não estão. O problema são os que não sabem.

Como ser um líder (estudantil, sindical, político, etc) sem saber nada

Alan Sokal é um cientista inesquecível dos anos 90. Ao mostrar a absoluta falta de critérios nas Ciências Sociais, deixou o rei sócio-filosófico nu, nuzinho mesmo. Para o pessoal sério da área, foi um choque. Para os plagiadores, nem tanto. Para entender o que digo, veja este texto.

Bancos Centrais e a crise

The Effectiveness of Central Bank Interventions During the First Phase of the Subprime Crisis

Frank, Nathaniel & Hesse, Heiko

This paper provides evidence that central bank interventions had a statistically significant impact on easing stress in unsecured interbank markets during the first phase of the subprime crisis which began in July 2007. Extraordinary liquidity provisions, such as the Term Auction Facility by the Federal Reserve, are analyzed. First a decomposition of the Libor-OIS spread indicates that credit premia increased in importance as the crisis deepened. Second, using Markov switching models, central bank operations are then graphically associated with reductions in term funding stress. Finally, bivariate VAR and GARCH models are adopted to econometrically quantified these impacts. While helpful in compressing Libor spreads, the economic magnitudes of central interventions have overall not been very large.

Bancos Centrais importam? Os temíveis “patinadores” e “desindustrializadores” banqueiros centrais deveriam ser reverenciados pelos seus críticos (principalmente os com baixo estoque de capital humano)? Eis uma pergunta que geralmente eu me faço e cuja resposta eu já sei…

O mais importante é notar que não é de críticas bonitinhas, com retórica de briga de futebol, que você ganha o debate. É com medidas de custo e benefício. Qual o impacto líquido das ações do Banco Central? Mede aí, rapaz. O que deu? Mostre os resultados, vamos discutir a metodologia. Assim é que se faz Ciência Econômica. O resto é oba-oba.

Ótimas leituras

A crise econômica chega à blogosfera – novo ebook

E também o novo ebook sobre a crise chega à blogosfera. Sabino, Paulo Almeida, Juliano Torres, Cristiano Costa, Rodrigo Constantino e eu. Onde? Aqui.

p.s. Quem teve acesso logo cedo deve ter notado dois erros: o Cristiano não aparecia no índice e o misterioso segundo nome (do mesmo) estava errado. Agora, agora sim, estamos corrigidos.