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É possível corrigir o ensino de economia sem cair na picaretagem pterodoxa?

Mario Rizzo, um eterno crítico da matemática em economia, levanta um bom ponto que pode ser resumido pela pergunta acima.

Obviamente, alguém poderia dizer que o melhor seria jogar fora a matemática. Muita gente que nunca a usou – por fé ou por má vontade e preguiça – diz isto. Rizzo não é bem um caso como este, por isto merece ser citado aqui. A crítica é interessante. Certamente, leitor, você ouvirá gente invocando nomes da era do gelo como Celso Furtado ou outros antigos economistas para criticar a economia atual.

Digo isto porque um dos pontos principais de Rizzo é que falta ao estudante de economia um conhecimento dos problemas reais. É verdade que o livro de Mankiw derruba boa parte de seu argumento, mas, no caso brasileiro, é verdade. Diversos economistas pterodoxos vivem em um mundo em que não é possível prever uma crise, exceto por adivinhação. Ao ler qualquer texto destes autores, depara-se com uma infinidade de jargões e frases feitas nas quais ou o “mundo está em crise”, ou o “capitalismo financeiro está em crise inerente” ou “eu avisei que a crise viria um dia”.

Sempre com o mau uso da história econômica – por exemplo, citando Furtado como um semi-Deus – estes charlatães do conhecimento acusam seus colegas – os economistas não-pterodoxos, não-charlatães – de apenas aprenderem matemática.

Nossa, que sono. Argumentos infantis me dão sono. Eu deveria propor proteção aos economistas pterodoxos da competição externa afim de proteger sua indústria infante de propostas infantis sobre e para o mundo real. Se bem que eles mesmos adorariam expulsar a competição…

De volta ao nosso tema, sim, eu concordo que o povo precisa ler mais história, mas não de forma doutrinal, como querem – implícita e explicitamente – os charlatães. Que tal lerem mais os historiadores econômicos que corrigiram e refutaram várias afirmações dos pioneiros como Furtado ou Prado Jr? Por que não investir menos em encontros religiosos de adoração de um único sujeito e mais em pesquisas que nos ensinem mais sobre a história econômica?

Uma coisa é subir nos ombros de gigantes para olhar adiante, outra coisa, feita pelos charlatães, é ficar lá embaixo alisando (ou coisa pior…) as genitálias dos gigantes.

Querem sugestões de historiadores bons? Já dei várias aqui. Dos meus conhecidos, cito: Renato Colistete, Renato Marcondes, Thomas Kang, Fábio Pesavento e todos os que estes caras citarem. Eles também lêem Celso Furtado ou outros caras, mas não de joelhos.

Um comentário em “É possível corrigir o ensino de economia sem cair na picaretagem pterodoxa?

  1. Que tal jogar a matemática fora e tentar construir um modelo real? Acho que é isso que os pterodoxos querem. Mas modelo real não existe e se não o mínimo de hipóteses formalizadas então você não tem nada. Ou melhor, tem um monte de frases com um linguajar que até soa bonito, mas sem fundamento ou proposição testável. Logo, baseado nesse argumento ptedoroxo, acertar ou errar é uma questão de sorte e não de fundamentação. Daí o motivo de estarem sempre tentando afirmar que já anuanciavam a crise bem antes de acontecer… ora, falam da queda do capitalismo desde os primórdios e ele ainda está aí e já saindo de mais uma crise, que também não será a última.

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