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Discretamente, os sindicatos…

…enfiam a mão no seu bolso. Com as bençãos do partido do sr. da Silva – e com o dedo da extremista facção gaúcha do mesmo partido. Aquele pessoal que se achava no direito de julgar deputados com um livro no qual, nos anos 80, avaliava o sujeito como “mais próximo dos interesses dos trabalhadores” (acho que era um tal de DIAP ou DIAAP), bem que poderia refletir um pouco e fazer uma edição mais nova do livro.

Por exemplo, um cara que aprova o uso do Estado para criar pagamentos obrigatórios (“contribuição”, senhor deputado? Faça-me o favor: compre o Houaiss ou estude etimologia) por parte dos trabalhadores, sindicalizados ou não, não pode ser bem avaliado em um estudo destes…

Lamentável mesmo é a ausência dos repórteres nestas horas. Você vê aquelas manchetes estranhas e nem uma linha é publicada sobre mais esta intromissão no bolso alheio. O partido do presidente merecia mudar de nome. Talvez PS – Partido dos Sindicatos – fosse uma idéia melhor…

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A diferença entre MG e SP: do bairrismo ao cosmopolitanismo

Quando Freakonomics foi lançado no Brasil, ouvi:

1) um cientista político com trânsito nos altos escalões do governo daqui dizer que era um livro com nada de novo;

2) um professor de economia de uma universidade pública daqui dizer que era um livro de auto-ajuda.

Já de SP, saíram dois livros afins. O segundo, aliás, é este.

Eu sei que eu, alguns colegas e alguns alunos daqui somos um contra-exemplo, mas é difícil lutar com tantos pavões do oráculo da sabedoria mineira. Certamente, suas opiniões devem ser consideradas como divinas e irrefutáveis. Eis, de certa forma, boa parte da essência da intelectualidade mineira. Uma essência tão desagradável que lançou quase todos os grandes poetas locais para o mar (ou para próximo dele).

p.s. este post é uma homenagem ao Sabino, o piauiense mais mineiro que conheço.

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Revoluções

Maldosamente me pergunto se o argumento do texto resumido aqui poderia ser usado para explicar a diferença entre uma revolução anti-bolivaraina (Honduras) e uma pró-bo(li)v(ar)i(a)na.

Extrapolo, claro, mas é a pergunta natural que emerge desta idéia de revolução profilática. Cuidado, lembre-se que você só sabe se é profilática ou não após algum tempo (veja a questão da taxa de urbanização citada lá). Logo, não me venha com a defesa de revoluções pura e simplesmente.

Provocando mais ainda: a revolução de Pinochet teria sido profilática?

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Artigo aceito para apresentação na Sociedade para o Desenvolvimento da Economia Austríaca

Apesar do que muitos leitores deste blog presenciaram em uma polêmica (até aí tudo bem) recheada de grosserias (aqui, nada bem) de supostos auto-denominados austríacos brasileiros lá no Ordem Livre (sim, tivemos pessoas educadas também. E também educados que não entendem a diferença entre ciência e fé. E outros que entenderam algo, mas não o todo, etc).

Diante da grosseria, o que fazer? Como já tive a oportunidade de dizer: continuo sempre com minha pesquisa.

Pois dito isto, a boa notícia é que a pesquisa, dentre outras, gerou um artigo e, este, com Ari e Pedro, foi aprovado pela SDAE para apresentação em Novembro, no encontro anual da Southern Economic Association. Se nada der errado, um de nós – possivelmente eu – apresentará o artigo lá.

Já tive oportunidade de afirmar – e reafirmo aqui – que a economia austríaca tem gerado alguns pesquisadores bem-sucedidos como Peter Leeson, Chris Coyne e Ed Stringham. Todos, claro, sob a benéfica influência de Peter Boettke. Creio que foi sob sua orientação que a RAE se tornou uma revista mais interessante nos últimos anos.

Talvez seja um dos primeiros artigos de economistas brasileiros a ser apresentado na Sociedade para o DESENVOLVIMENTO (grifos meus) da Economia Austríaca. Fico feliz com isto porque, na época da polêmica, tentei convencer – sem sucesso – algumas figuras do meio a divulgar um texto incentivando a pesquisa para o desenvolvimento desta escola de pensamento (*).

Há, evidentemente, utilidade em se divulgar eternamente algumas idéias e não construir nada sobre elas. Mas a divisão do trabalho, ensina-nos Adam Smith (e, creio, Mises, certo?), postula que isso seria apenas parte da história: é necessário desenvolver as idéias, trabalhar conceitos, relações, etc.

Se Smith (e Mises, creio) acertou na mosca, então – exceto por outros motivos que desconheço (e agora não me interessam mais)  não faz sentido não apoiar o desenvolvimento da economia austríaca. Então ficamos assim: eu (, Ari e Pedro) colaboramos para avançar nosso conhecimento, inclusive com o uso da literatura austríaca como parte do marco teórico e a galera que não curte isto (e, na polêmica e em pequenos textos recheados de maldade em certas comunidades de redes sociais, dizem até que  “o título de ph.d. é uma mer**”) que continue com as tradicionais atividades doutrinais e suas consequências nem sempre intencionais (como deveriam ter aprendido com Hayek).

A economia política (Mises, Hayek, Buchanan), por sua vez, diz que nem todo auto-denominado “austríaco brasileiro” ficará feliz com o fato deste artigo ser apresentado em novembro. Afinal, grupos de interesses brigam não apenas por recursos, mas também por status. Algo como o argumento misesiano (sic para mim mesmo) da inveja dos intelectuais. Só que, neste caso, permito-me uma leve arrogância: para ser intelectual é preciso não apenas ler, mas ler com lentes de intelectual, não com lentes de panfletário ou de grupos de amigos que nunca apresentam divergências ou discordâncias.

Vou aproveitar e agradecer meus maiores incentivadores nas leituras austríacas: Zanella e o Ronald. Este último, aliás, já disse que gosta muito de ler Hayek, mas não o faz de joelhos. Esta frase diz muito sobre o significado da pesquisa científica, não é mesmo?