Uncategorized

Ipês em Belo Horizonte

Como sempre…

From Drop Box
Anúncios
Uncategorized

Moral Hazard e De Gustibus

Minha primeira colaboração com o Erik está quase, quase pronta. Pouca coisa falta (na verdade, o abstract e a tradução). É sempre interessante quando se trabalha a primeira vez com alguém que você nunca viu ou manteve contato (exceto por email). Foi assim com o Leo Monasterio (este velhaco que anda sumido da internet).

Minha impressão é que o Erik é muito mais impaciente e produtivo do que eu. Ou talvez eu fosse como ele na mesma idade. Ou talvez eu esteja mais preguiçoso. Ou são os outros dois artigos com o Ari que me incomodam porque estão, agora, em minhas mãos.

Se há algo de bom na internet, leitor, eu digo: é a possibilidade de conhecer e trabalhar com gente inteligente.

Uncategorized

Vamos falar sobre a produção científica

Muitos alunos não encontram seus professores nos corredores e outros acham engraçado como os mesmos adoram galgar cargos burocráticos com um fervor que nem sempre se vê em suas aulas. Acho que é neste momento que a ficha cai: professor também é, infelizmente, humano.

Eis a realidade: você tem que ter cuidado com sua carreira acadêmica. Este trecho abaixo é um excelente exemplo de como os interesses individuais e a ação de alguns grupos pode sabotar o início de um empreendimento científico. Grupos e interesses, veja bem, que estão dentro da própria Academia. Esqueça este papo de que “a faculdade foi capturada pelo setor privado”. O setor público, por exemplo, está longe de ser um isento juiz  e benevolente ator. Verbas alocadas publicamente servem, sim, a interesses específicos.

Agora o trecho:

I proposed the new journal to Cambridge U Press, and they accepted the proposal. Next I needed to select a Board of Editors. I selected a group of Advisory Editors and Associate Editors, with the intent to span all areas of good macroeconomic science, without any prejudice or identifiable “agenda” in methodology, geography, or politics. Then the problems began. I was lobbied by various Advisory Editors and Associate Editors to make changes in the editorial board. The degree of factionalism surprised me. Not only were there attempts to change the balance towards a particular methodological or political view, but sometimes to change the balance geographically, nationalistically, regionally, racially, or ethnically. There also were gender based pressures. Sometimes the lobbying was directed at perceived underrepresentation of a particular group. When I found that to be justified, I asked for suggestions of economists who should be added, and invited additional board members from that group. More disturbing were pressures to eliminate a minority from representation, so that the journal would be captured by a particular group, as has been the case with many other journals, such as the Journal of Post Keynesian Economics, the Canadian Journal of Economics, the Asian Economic Journal, and the Journal of Austrian Economics. I was particularly surprised by the lobbying from some of the European board members to discredit and thereby eliminate board members from other European countries. Since a fundamental purpose of this journal was to avoid becoming identified with any such faction or group, I often did the exact opposite by increasing the size of the minority so that the minority no longer could be marginalized or ignored. When it became clear that attempts to eliminate a minority were counterproductive, that kind of lobbying ended. As a result, the Editorial Board became very large and very diverse, with only the sophistication and high tech competency of all members holding them together.

Difícil gerenciar um simples journal, não?

Uncategorized

Por que as reformas dos anos 90 falharam?

Sebastian Edwards tem uma interessante resenha que mostra evidências de que as boas reformas dos anos 90, na América Latina falharam por algum motivo que merece estudo. Destaque também para a verdadeira – e, devo dizer, pouco conhecida – definição de Consenso de Washington que não tem nada a ver com as psicodélicas teses simiescas que imaginam que o Consenso veio “de fora”, “imposto” aos “autóctones” (diga-se de passagem, se você é favor da auto-determinação dos povos, tem que aceitar o novo acordo de Uribe).

Deixando de lado a obviedade lógica que alguns diplomatas e presidentes não entendem, vamos ao trecho do texto que acho interessante (é bem no final):

Moreover, in a number of countries privatization was surrounded by corruption and giveaways, where insiders – including government functionaries in charge of the public enterprises and of the sales’ process – ended up buying large blocs of shares at conveniently low prices. At the same time, most countries failed to – or were unwilling to – move forward in the creation of strong and modern institutions that would encourage the rule of law, protect property rights and reduce the extent of corruption. Although these three areas – competitive exchange rates, competition policies, and protecting property rights through institutional reforms –, were part of the original Washington Consensus Decalogue, most countries paid only lip service to them. As a result and as the years passed, most countries were unable to move to the higher phases of the growth transitions, and became increasingly vulnerable to changes in global economic conditions. During the second half of the 1990s and early 2000s many of them succumbed to deep and costly currency crises that increased unemployment, wiped out savings, reduced wages, and generated disappointment and anger. In many countries these crises also paved the way to a new crop of populist governments that rejected globalization and were skeptical of the merits of market orientation.

Boas perguntas a serem investigadas. A selva latino-americana tem algum anticorpo contra reformas institucionais? Esta pergunta, para mim, é uma das principais e que não está, ainda, suficientemente estudada.

Moreover, in a number of countries privatization was
surrounded by corruption and giveaways, where insiders – including government
functionaries in charge of the public enterprises and of the sales’ process – ended up
buying large blocs of shares at conveniently low prices.36 At the same time, most
countries failed to – or were unwilling to – move forward in the creation of strong and
modern institutions that would encourage the rule of law, protect property rights and
reduce the extent of corruption. Although these three areas – competitive exchange rates,
competition policies, and protecting property rights through institutional reforms –, were
part of the original Washington Consensus Decalogue, most countries paid only lip
service to them. As a result and as the years passed, most countries were unable to move
to the higher phases of the growth transitions, and became increasingly vulnerable to
changes in global economic conditions. During the second half of the 1990s and early
2000s many of them succumbed to deep and costly currency crises that increased
unemployment, wiped out savings, reduced wages, and generated disappointment and
anger. In many countries these crises also paved the way to a new crop of populist
governments that rejected globalization and were skeptical of the merits of market
orientation.
Uncategorized

Desenho de mecanismo

Pouca gente (em Minas Gerais pelo menos) entendeu, em 2007, o porquê do Nobel de Economia. Não é mistério para ninguém da academia que muito pouca gente por aqui entende o que é Equilíbrio Geral ou Microeconomia do Equilíbrio Geral, embora nove entre cada dez calouros de economia – em certos cursinhos – aprendam que tal conceito é coisa de “vendidos”, “demoníaca” e outros adjetivos de obscurantismo medieval (com o devido respeito às inovações da época que, sabemos, não justificam esta má fama do período medieval).

É lamentável que muita gente se comporte assim, como se a Academia fosse sinônimo de ideologia. Claro que existe quem queira sabotar o trabalho sério do colega, mas isso não é a mesma coisa de dizer que todos agem assim. Isto só existe em manual marxista de porta de cadeia.

De qualquer forma, dado que a ignorância impera, vamos trazer alguma luz, algum conhecimento. Este artigo recente é uma interessante aula de história do pensamento econômico que ultrapassa a velhaca ementa que “sempre termina em Karl Marx porque não deu tempo de ir além e preciso doutrinar estes meninos”, típica dos pedófilos intelectuais. Não é um artigo fácil, mas, ei, doutrinar fácil, educar é que dá dor de cabeça.

Se você topa o desafio, tente uma lida diagonal e depois volte grifando. Vale a pena.