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A agenda de Obama inclui esterilizações em massa?

É sempre bom ter cuidado com o que se diz. A resposta a pergunta acima pode ser “não”, mas o grande czar da ciência e tecnologia do governo Obama tem que ser mais claro sobre o que já disse.

No Brasil tivemos algo similar na era Collor. Se me lembro bem, um famoso cientista político falava da ameaça da invasão das cidades por massas de favelados e, ao ser empossado em um cargo público da área de ciência e tecnologia, inverteu o discurso.

O governo, claro, sempre é uma fonte de humor…

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Buchanan sobre a crise mundial

Buchanan, a distinguished professor emeritus from George Mason University and Virginia Tech, set the tone and pace by opening the discussion with with “Why Economists Have So Little to Say on the Crisis,” a summary of three new papers. The first of Buchanan’s papers touched on the root of the current economic troubles, citing a constitutional failure as the main source of trouble, not greedy people, American consumers or American fiscal policy. His second paper he titled, “Economists have no clothes.”

“Economists have been parading around, really very naked, walking around in space,” Buchanan said. “It’s time to recognize that.” With the establishment of macroeconomics as a field of study, economists have developed models and algorithms that make people think the numbers can be manipulated, he said. The solution is to look at the underlying system, and work to change the system. Buchanan’s best suggestion, which he wrote about in his third paper, “The Constitutionalization of Money,” is to detach money from politics by fixing the value of money through the law, rather than the market. Money should be attached to a specific commodity, such as gold (although not necessarily gold), he said.

Dica do Spontaneous Order.

Será que Buchanan radicalizou? Bom seria ter os artigos para ler. A proposta de Buchanan, segundo o que reporta o trecho acima me faz lembrar as últimas declarações de Milton Friedman de que poderíamos extinguir o FED e deixar um computador – com sua famosa regra de x% – determinar o crescimento da oferta de moeda.

Entretanto, note que o problema principal do argumento é construir o arcabouço constitucional que garanta esta proteção da moeda contra os incentivos políticos.

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A racionalidade dos indivíduos

Acho que muita gente que conheço é criacionista ou fã da teoria da terra oca. Afinal, até indivíduos macacos apresentam fortes evidências de comportamento racional. Se o homem tem alguma leve descendência dos colegas símios, o mínimo que eu esperaria seria uma sofisticação da sua racionalidade, não uma falta dela (claro, sempre há um economista que nasceu a partir de uma mutação genética aleatória…).

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A política fiscal e os multiplicadores

Em diversas ocasiões, aqui e em outros blogs, reclamei da falta de atenção dos economistas brasileiros com o que fazem. O problema típico é o do sujeito que torce para o governo como se torce para o Vasco da Gama: ele defende o PAC, mas não mostra uma única evidência de que o mesmo melhora o bem-estar geral.

A questão dos multiplicadores é, no mínimo, o baseline do argumento para se discutir a eficácia da política fiscal. Em tempos de crise e de medidas similares a um estímulo fiscal, tais estimativas se tornam muito mais importantes. Lembre-se, leitor: vários destes economistas torcedores acusavam (com razão) a equipe econômica do governo Collor de decidir o mínimo a ser bloqueado nas aplicações com base, supostamente, em um sorteio. Hoje no poder – ou com alguma grana de uma consultoria paga pelo mesmo governo – nem se dignam a fazer uma estimativa de livro-texto de um mísero multiplicador fiscal.

Não apenas eles, mas muitos críticos do que faz o governo também nada fazem. Gente que pede subsídios e isenções fiscais também não avança muito o argumento, mantendo o cômodo baixo nível no debate sobre a eficácia das políticas públicas. Talvez seja o medo de encarar o problema de se encontrar evidências de rent-seeking nas políticas públicas, ou talvez seja a falta de vergonha de jogar uma partida ruim para obter um empate. Nunca se sabe. Estudassem um pouco de história da maneira certa e pelo menos o problema era menor…

Por isso é que eu vejo sem nenhum espanto este relatório indicado pelo Menzie Chinn. Ele mostra que, ao menos no mundo desenvolvido, os economistas justificam seus salários quando o assunto é debater uma crise econômica. Alguém – de maneira muito impensada – já disse que não é preciso enviar nossos economistas para uma pós no exterior porque (muito supostamente) nossos cursos já seriam de excelente nível. Eu poderia listar várias evidências muito simples contrárias a esta pretensão terceiro-mundista que mais lembra a arrogância dos militares e dos terroristas do Araguaia nos anos 70: ambos se achavam com o rei na barriga quando o assunto era discutir economia.

Entretanto, a simples falta de discussão similar na grande imprensa já basta. Note-se, de passagem, que o que se vê diz respeito a um curioso festival de arrogância na qual economistas brasileiros se reúnem para debater o fim ou a crise da teoria econômica, embora sejam incapazes de responder a mais simples pergunta de todas: de quanto aumenta (diminui) o PIB se o gasto do governo aumenta (diminui)?

p.s. Sim, outros temas de pesquisa são relevantes, não apenas a crise. Contudo, o que espanta é a falta de capacidade de muitos capas-preta de mostrarem alguma competência no que diz respeito ao mínimo necessário a um bom argumento: a parte “suja” que “sinhá” e “nhonhô preto velho”, escravos, fazem bem aos opulentos e folgados senhores de engenho…a parte prática.