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Prêmio

Dica do Erik: Laurini ganhou um prêmio da Andima. Só posso dizer que o Laurini merecia ganhar algum destes concursos (dos bons concursos, digo) há muito tempo. Logo…parabéns, cara!

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Dados em tempo real: mais um indicador de que cautela é sempre um bom comportamento

Na defesa do Rafael, o prof. Camps dirimiu uma dúvida que eu tinha em relação à teoria econômica subjacente à econometria desenvolvida no (excelente) trabalho.

O tema central – dois terços do trabalho – dizia respeito ao problema que revisões de dados geram nas previsões econômicas. Mais ou menos assim: uma revisão do PIB altera significativamente dados que você usava em suas previsões. Em outras palavras: você poderia estar errando sem saber.

Na verdade, é impossível saber quando virá uma revisão, mas você sempre pode ser cauteloso. Por que? Obviamente, é possível imaginar que a construção de qualquer base de dados está sujeita a erros e também a revisões. O ponto levantado pelo Rafael me intrigava desde minha leitura preparatória para a banca. Afinal, por que isto seria um problema?

Pois eis que a Academia é mesmo um lugar bacana quando você reúne gente boa em um processo de avaliação. O próprio Camps deu a melhor intuição para o que foi feito pelo Rafael. Voltando a Friedman (o clássico The Role of Monetary Policy), ele argumentou que as distorções das revisões são um aviso (e o Ronald disse algo similar também, com o argumento da Crítica de Lucas, sobre o qual eu também havia tentado desenvolver algum raciocínio) para policy makers e outros usuários de previsões: devemos ser cautelosos no fim que damos ao uso dos dados. Principalmente quando se quer fazer política econômica com eles.

Há outras implicações, mas a pesquisa nesta área, no Brasil, ainda engatinha. Rafael e uma turma do IBGE (se não me engano), foram os primeiros a trazer a literatura à análise acadêmica.

Pessoalmente, a banca foi um marco. Primeiro porque conheci o trabalho do Rafael ainda como mestrando. O rapaz tem talento e fez um belo trabalho. Em segundo lugar, meu recente retorno à econometria das séries de tempo tem inevitavelmente esbarrado na macroeconomia de curto prazo, um tema que aprendi a gostar a partir das aulas dos professores Pastore, Ronald e Camps. Em outras palavras, 2/3 da banca (exceto o orientador) foram responsáveis, de uma forma ou de outra, por meu lento e gradual retorno à macro(econometria).