Para os que gostam…

…eis o International Journal of Central Banking.

Anúncios

Nem todo órgão público precisa ser “chapa branca”: o caso de Taiwan

Em Taiwan, o governo do presidente Ma lançou um plano de vouchers para combater a crise. Obviamente, o presidente acha o plano um sucesso. Contudo, um de seus ministérios acaba de lançar um relatório contestando todo este otimismo.

President Ma Ying-jeou (馬英九) yesterday lauded the government’s consumer voucher program, despite a Ministry of Audit report this week questioning the effectiveness of the scheme.

The ministry’s Audit Report 2008 identified several flaws in government spending, including the NT$3,600 consumer vouchers that were issued to eligible residents ahead of the Lunar New Year. The report said the policy was cooked up in a hasty manner and its effects remained to be seen.

However, Ma did not mention the ministry’s report during his meeting with the board of directors of the Chinese National Federation of Industries at the Presidential Office yesterday.

Ma told the guests that the consumer vouchers “have reached the target of boosting GDP by 0.6 percentage points” and that they helped stimulate consumer spending.

“Public support for the vouchers is high. The vouchers were issued at the right time — right before the Lunar New Year. They have benefited the leisure, wholesale and general merchandise sectors,” Ma said. “When I visited places around the country, everybody asked me to do it again. Some even said they should be issued three times a year.”

O argumento do presidente é o mais populista possível. Se uma lágrima escorreu do olho de algum velhinho do interior, o plano é um sucesso. Há quem chame isto de “avaliação de projetos sociais não-neoclássica”. Há quem chame isto de “apenas um ponto-de-vista plural“. Mas há quem chame isto de wishful thinking. Afinal, pluralismo, para esta gente, só vale quando a prática é não-plural, quando órgãos públicos são aparelhados, etc.

Se o plano do presidente Ma funcionou ou não é uma questão que cabe aos bons economistas (os que usam, sim, estatística, teste de hipóteses, estas coisas que se aprende no começo do curso, como um alfabeto no maternal) responder.

Homens das cavernas

Eis uma discussão interessante (dica do Selva) sobre como evoluem nossas preferências e porque temos tanta gente primitiva entre nós (não pense que estou sendo irônico…não totalmente). O livro é este. Um trecho da resenha? Aí vai:

We see the face of the Virgin Mary staring up at us from a grilled cheese sandwich and sell the uneaten portion of our meal for $37,000 on eBay. We believe in ESP, ghosts, and angels over the scientific theory of evolution. While science offers a wealth of rational explanations for natural phenomena, we often prefer to embrace the fantasies that reassured our distant ancestors. And we’ll even go to war to protect our delusions against those who do not share them.

These are examples of what evolutionary psychologist Hank Davis calls “Caveman Logic.” Although some examples are funny, the condition itself is no laughing matter. In CAVEMAN LOGIC: THE PERSISTENCE OF PRIMITIVE THINKING IN A MODERN WORLD (Prometheus Books, $19.98), Davis encourages us to transcend the mental default settings and tribal loyalties that worked well for our ancestors back in the Pleistocene age. Davis laments a modern world in which more people believe in ESP, ghosts, and angels than in evolution. Superstition and religion get particularly critical treatment, although he argues that religion, itself, is not the problem but “an inevitable by-product of how our minds misperform.”

Eis uma discussão que dá muito pano para manga, polêmica e, certamente, brigas. Mas é uma discussão importante. Afinal, trata-se de estudar a formação das preferências. Isto deveria atrair os verdadeiros pluralistas da Ciência, não?

Alimentos orgânicos

O custo-benefício não parece ser grande coisa, segundo esta matéria. Trecho:

Os alimentos orgânicos não apresentam benefícios nutricionais ou para a saúde superiores aos alimentos comuns, concluiu um estudo grande divulgado nesta quarta-feira. 

Pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres disseram que os consumidores estão pagando preços mais altos por alimentos orgânicos devido a seus supostos benefícios para a saúde, criando um mercado global de orgânicos que movimentou 48 bilhões de dólares em 2007. 

Mas uma revisão sistemática feita de 162 artigos científicos publicados nos últimos 50 anos não constatou diferença significativa entre os alimentos orgânicos e os outros.

Revisão de artigos científicos é a forma correta de se começar a pensar em algum esboço de política pública decente. Muito melhor do que atender a berros de grupos de interesse pró ou contra este tipo de alimento. Aprendam, selvagens.

Mais frases que eu gostaria de ter dito

Rizzo vai ao ponto em mais uma demonstração de que a pterodoxia pluralista está nuazinha, nuazinha:

I have been fascinated for a long time by the advocacy of  left-liberals of pluralism in the realm of ideas, but not in the realm of action. They seem to think of freedom as a matter of pure intellect alone.  In my view, acting and thinking are two-sides of the same coin. We are not pure intellect.

Leia todo o texto para entender melhor este excelente trecho.

Aulas de economia

Aqueles que iniciam seu curso de Economia seriamente, certamente terão dificuldades para fazer abstrações. Scott Sumner apontou o problema e Mankiw reforçou. Mas nunca se esqueça que o mais difícil conceito, mesmo para economistas mais tarimbados, é o de custo de oportunidade e seu siamês, a vantagem comparativa.

Frases que eu gostaria de ter escrito

O maior argumento da mediocridade é fazer-se passar por diversidade. Diversidade é quando se abre espaço para diferentes idéias igualmente válidas. Há muito espaço para contestação e diálogo dentro da boa economia, mas é preciso método e implicações refutáveis. Caso contrário, é melhor usarmos túnicas e buscarmos uma pedra-filosofal heterodoxa.

Manchetes alternativas

Com um telhado de vidro tão grande, com anos de críticas a quaisquer políticas sociais que não as suas, acusações de uso eleitoral, etc, o presidente, agora, teme qualquer crítica alheia.

Minha única pergunta: cadê aquele bando de acadêmico das XX Sociais (ou XX Políticas) que viviam a dizer que toda política de todo governo era eleitoreira porque “eram todos iguais”? Sumiram? Estão empregados na máquina pública? Cansaram? Resignaram-se? Acham que a “luta social” não vale mais a pena e aplicam em bolsa de valores (ou em compra de deputados mensale…digo, mensalmente)?

Vai ver hoje eles participam do “grito dos (moral e eticamente) excluídos” ou dos “política e convenientemente incluídos”…

Novo semestre…novos métodos

Ok, geralmente eu deixava meus materiais dos cursos em minha página pessoal. Entretanto, com a inspiração vinda da página do Renato e com a ajuda inestimável do Enoch, Sérgio e outros (citado lá no Enoch), surgiu este novo instrumento de interação entre alunos e as disciplinas. Lá estão as minhas disciplinas e, se meu colega topar, as dele também.

A idéia inicial era incentivar as monitoras que temos – Helena, Jéssica, Elisa e Natália – a lidarem melhor com a internet, a informação e com as próprias disciplinas. Terminou se transformando em uma das partes do meu novo braço interativo: a soma do blog com o Google Sites (veja, especificamente, aqui).

Como as páginas evoluirão? Bem, uma parte é fixa. Os materiais de ensino continuam em minha página pessoal e o blog pertence, basicamente, às monitoras. Pretendo apenas colocar avisos lá.

Estou terminando a formatação de tudo isto, mas se quiserem comentar, por favor, façam-no lá mesmo.

Ah sim, obrigado a todos que me ajudaram com comentários, palpites, etc.

Emanharado de Links

Os negócios e os professores do Senhor

Empirics on the Origins of Preferences: The Case of College Major and Religiosity

Miles S. Kimball, Colter M. Mitchell, Arland D. Thornton, Linda C. Young-Demarco

NBER Working Paper No. 15182

—- Abstract —–

Early life experiences are likely to be important for the formation of preferences. Religiosity is a key dimension of preferences, affecting many economic outcomes. This paper examines the effect of college major on religiosity, and the converse effect of religiosity on college major, using panel data from the Monitoring the Future survey as a way of gauging the extent to which various streams of thought, as taught in college, affect religiosity. Two key questions, based on the differences in college experience across majors, are whether either (a) the Scientific worldview or (b) Postmodernism has negative effects on religiosity as these streams of thought are actually transmitted at the college level. The results show a decline in religiosity of students majoring in the social sciences and humanities, but a rise in religiosity for those in education and business. After initial choices, those respondents with high levels of religiosity are more likely to enter college. Of those who are in college, people with high levels of religiosity tend to go into the humanities and education over other majors.

Interessante, não? Bem, sobre religião e economia, no Brasil, eis um exemplo.

Uma antiga errata que ainda pode ser útil aos estudantes

Revisitando antigos arquivos (anos 90), achei algo que pode ser útil a quem ainda tem este antigo livro. Tive algum trabalho para copiar e colar por conta da antiguidade do sistema operacional em que o textinho foi salvo. Aí vai.

ERRATA PROVISORIA – LIVRO : HENDERSON & QUANDT TEORIA
MICROECONOMICA, ED. PIONEIRA, 2¦ ED.

POR:
CLAUDIO DJISSEY SHIKIDA – ECONOMISTA

Pg. 26 – logo abaixo do 4§ paragrafo: “Tomando-se a
diferencial total…”
Onde se le: “p1*dp1 + q1*dq1 + p2*dq2 = 0”, leia-se “p1*dp1
+ q1*dp1 + p2*dq2 = 0”.

Pg. 57 – Logo no in¡cio (“O leitor pode verificar que…”),
onde se le “q = x1^2 * x2^(1 – alfa)”, leia-se “q = x1^(alfa) *
x2^(1 – alfa)”.

Pg. 59 – Na fig. 3-4, o ponto B do grafico diz respeito a um
ponto na isoquanta intermediaria dentro da  area compreendida
entre as linhas OC e OD. O contrario ‚ é lido para o ponto
A.(Conforme a propria figura no original em ingles).

Pg. 65 – Na matriz que representa o “Hessiano Orlado” h  um
erro no elemento h32. Onde se le “-f1”, leia-se “-f2”.

Pg. 68 – Logo nas primeiras formulacoes algebricas, nas
derivadas parciais. Mais especificamente, na primeira derivada
parcial do lucro em relacao … x1. Onde se le “p*beta…”, leia-se
“p*alfa”. Somente na primeira derivada parcial!

Pg. 74 – Na linha 14, onde se le “(…) se a loja estiver
muito comovida…”, troque-se a ultima palavra por “concorrida”.

Pg. 104 – Abaixo dos graficos coloque-se as letras (a), (b),
(c), correspondentes, para o acompanhamento da explicacao no 2§
paragrafo da pagina 105.

Pg. 111 – No ultimo paragrafo antes do item 4.4, sexta linha
contada de baixo para cima, onde se le “(b > 0)”, leia-se
“(b 1,..”, leia-se:
“A Rmg ‚ positiva se e > 1…”.

Pg. 253 – Na funçao de Lagrange Z. Falta um parêntesis no
quarto termo da equaçao: ( soma xij – soma xhj).

Pg. 324 – No segundo parágrafo, linha 7, ao invés de
“fator-produto”, leia-se “insumo-produto”.

Pg. 331 – A partir do in¡cio da página, na 10¦ linha,
leia-se “por baixo se existir um conjunto de n números, uj, tal
que uj<zj (j = 1,… n) para".

Pg. 358 – Na primeira equaçao desta pagina, onde se le: "qi
= ai1 + ai2 * q2…", leia-se: "qi = ai1 * qi + ai2 * q2…"

Pg. 390 – No topico denominado "Curvas envoltorias…" Onde
se le, na ultima linha deste topico, "fx * fyk – fy * fxh …",
troque-se o ultimo termo por fxk.

Esta errata nao é‚ definitiva e nem completa. Espera-se uma
versao definitiva até‚ o final do ano. Pedimos aos que acharem
mais problemas de tradução ou de datilografia que divulguem os
mesmos, ou que os comuniquem ao professor responsável pelas
disciplinas: MICROECONOMIA I e II. Levou-se em conta as edições
norte-americana e espanhola (cuja citação bibliográfica pode ser
encontrada na Biblioteca Em¡lio Moura ou na do CEDEPLAR) e os
seguintes trechos:

Cap. 2 – Todo, menos os tópicos 2.5, 2.8 e 2.9.
Cap. 3 – Todo, menos os tópicos 3.6 e 3.7.
Cap. 4 – Somente at‚ o tópico 4.7. e o in¡cio do tópico 4.9.
Cap. 6 – Todo.
Cap. 7 – Até‚ o momento (15.05.91), apenas o tópico 7.1.
Cap. 9 – Somente os tópicos 9.2 e 9.5.
Apêndice – Desde o tópico A-2 até‚ o fim.

CLAUDIO DJISSEY SHIKIDA – ECONOMISTA

EM 06.05.92.

Racionalidade, Vernon Smith e alguns pitacos raivosos sobre uma selva inóspita

William Easterly faz uma resenha do novo livro de Vernon Smith que, apesar de ter ganho o Nobel em Economia Experimental e estudar questões da racionalidade, é olimpicamente ignorado pela pterodoxia brasileira. O interessante é que, usando o dilema dos prisioneiros, Smith encontra:

An example is the well-known two-player game, the prisoner’s dilemma, when each player gets a higher payoff by cheating if the other doesn’t. The payoff is still very high if neither cheat, and it is the lowest if both cheat. Rational behavior predicts that both players cheat and hence wind up with the lowest payoff. Yet laboratory experiments with real human subjects and real money find that both refrain from cheating surprisingly often.

So players are behaving “irrationally,” yet Smith points out that they have managed to get a better outcome than what “rational” behavior would achieve. He argues that players have unconscious social norms of “fair” behavior (and also they may find ways of “socially” signaling to each other these norms, since one thing we know about humans is that their social skills are highly advanced). Unconscious sociability allows humans to realize gains from social exchange that cannot be captured by the explicit “rational decision” model. He finds more evidence for this idea by subtle variations in the social context of the experiment.

Em outras palavras, para o desespero dos “torcedores contra a racionalidade”, a racionalidade parece ser algo bem mais presente em nossa vida do que apenas nas preferências dos indivíduos. Se Smith estiver correto – e vamos supor que está, apenas para exercício – então os economistas poderiam aprender muito sobre o comportamento individual se se unissem a psicólogos e sociólogos que não têm medo, nem preconceito ideológico (ou demente) contra coleta e análise de dados que vão além das médias e desvios-padrões. O ganho, aliás, seria mútuo.

Mas, claro, isto é só o começo. Se quiser conhecer mais sobre o tema, veja algumas das publicações de Vernon Smith.

p.s. nota pterodoxa: sejamos justos, na selva brasileira, todo mundo que é da torcida citada fala que ou a teoria dos jogos é uma “reação contra a malvada economia neoclássica Darth Vader” ou que “Axelrod mostrou que na prática não era bem assim”. Esclarecendo: toda mudança no formato de um paradigma científico (mesmo que alguns achem que ele foi trocado por outro) começa com inovações e, segundo, Axelrod é muito citado, pouco lido e, pior ainda, Vernon Smith é apenas um dos que começaram onde Axelrod parou…e a pterodoxia sequer se deu o trabalho de ler porque estava preocupada em gritar na arquibacanda seu mantra contra a “racionalidade”…