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Ano de eleição e os motivos originais

Por que o Bolsa-Família foi criado? Talvez alguém lá do Banco Mundial – o povo adora este tipo de programa – possa nos explicar. No que ele vai se transformar? Tenho até medo de responder. Ah, claro, o câncer do uso eleitoral pode causar a morte da democracia.

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Incentivos na máquina de café: um problema interessante

Eis o problema do Renato, do Café Colombo (um belo blog):

Cláudio,

Estava aqui no jornal quando vi uma situação de política monetária para resolver. Tem uma máquina de café expresso que aceita uma ficha de 25 centavos para um copo de expresso. A ficha precisa ser comprada na administração da redação. Mas, por vezes, a administração está sem ficha porque o número de fichas já foi vendida mas não utilizada. Os jornalistas estão entesourando as fichas. E, quanto mais escassez, maior é o incentivo para o entesouramento (ex: o cara ia tomar só um expresso mas quando vai comprar ficha tem 3 disponíveis. Como isso não acontece facilmente, ele compra logo as três e só toma um café, agravando o problema). Hoje, a pessoa que trabalha na administração de redação precisa visitar a maquininha para colher as fichas utilizadas quatro vezes por dia, para recolher o que está disponível e colocar novamente em circulação. No começo, bastava fazer isso uma vez a cada 2 dias.

Como romper esse entesouramento? Aumentar a base monetária (colocar mais fichas em circulação?). Uma vantagem é que o lastro é o mesmo, uma dose de expresso, o que não provocaria um problema inflacionário
(quem está com ficha não seria roubado). Mas comprar mais fichas envolve também um custo, e gostaria de saber se isso é evitável.

Outra opção: usar dois sistemas de fichas. Existe um custo elevado inicial (toda uma nova base monetária) mas se avisaria que a “moeda” anterior estaria vencendo, incentivando todos a trocarem por expresso, de forma a colocá-las novamente em circulação. Quando a nova moeda sofresse do mesmo problema de entesouramento, bastava repetir a mesma estratégia. O custo inicial seria alto mas a longo prazo o sistema
dual poderia funcionar (digamos que tenha o nome de ficha expresso real, e ficha expresso novo).

Alguma sugestão? A administradora da redação aqui não sabe o que faz… 🙂 Será que alguém no blog teria boa ideia?

Abraços,
Renato Lima

PS 1: Essa máquina de café não aceita moeda circulante, como 25 centavos tradicional.

PS 2: Se eu mantenho o lastro como um café, não dá para adotar um juro real negativo nas fichas, para enfrentar essa situação e a crise econômica mundial…

Sequência:

Ainda sobre o assunto… O problema aí é que a base monetária está fixa (número de fichas) enquanto a velocidade de circulação da moeda não é controlável e existe uma predisposição para o entesouramento
(soma-se a isso o fato de que, nos finais de semana, a administração de redação está fechada e só toma café quem já tem ficha. Então há uma preferência pela liquidez).

A primeira forma de ajuste foi aumentar a frequencia da coleta de fichas, atualmente em quatro vezes por dia – o que é claramente um incômodo para quem está administrando.

Ainda pensei que poderia existir uma forma de incentivo a não entesourar. As fichas só seriam vendidas uma por vez (o que é um tanto autoritário) ou custariam 25 centavos a primeira e 35 se for comprar mais de uma (custo marginal crescente). Não é agradável mas seria uma solução de mercado. Se a 35 centavos não se chegar a um equilíbio, que se aumente para 50 centavos. O primeiro cafezinho custaria a metade do segundo (e terceiro, quarto…), aumentando o estímulo para se comprar de um em um.

Isso não é uma solução perfeita, pois poderiam ser utilizados terceiros para entrar na fila de 25 centavos, contratando um não tomador de café para comprar uma ficha e repassar por uma margem (digamos 5 centavos) para um viciado em cafeína, que pagaria 30 pelo o que custaria 35. Mas diminuiria o entesouramento. 

O problema da vez pode ser fichinhas de café, mas é engraçado como essas coisas ajudam a pensar em incentivos, desenhos de mercado etc. Lembrei também do problema do racionamento de energia em 2001. A primeira proposta (de Francisco Gros) era reajustar brutalmente a energia, de forma a deprimir imediatamente a demanda. Venceu a de Pedro Parente, com cotas de consumo baseadas no histórico de gasto, uma meta de redução (salvo engano, 20%), e tarifa mais alta para quem ultrapassasse o limite (custo marginal crescente). Deu certo e promoveu um ajuste também em termos de eficiência no consumo.

Eis aí um bom problema para se pensar. Vou começar comentando as idéias do Renato (use os comentários para mais idéias). 

Creio que se poderia usar a idéia inicial, de fixar um prazo para o uso das fichas e, a partir daí, diminuir o tempo de validade das fichas. Também gosto da idéia de variar o preço das fichas. Eu acho que o ideal seria brincar com a oferta de fichas. Comece com uma diminuição radical e depois vá calibrando até conseguir otimizar o estoque de fichas na administração. Aposto que é possível descobrir a demanda de fichas ótima dos jornalistas da redação.

E você, leitor, o que acha?