Algumas boas músicas legendadas

Milhares de leitores deste blog, ocasionalmente, pedem-me por legendas das músicas japonesas cujos links disponibilizo. Um ou outro escreve um comentário mal-educado ou tenta se vender como mãe de aluguel (ou me pede uma receita para engordar embora eu já tenha cansado de recomendar a dos lutadores de sumô).

Bem, para estes, dois canais do YouTube: BlueArts e Hiro1808. Alguns exemplos: a bela e excelente Hiromi Iwasaki, Yuuzo Kayama e Yonja Kim, em música originalmente cantada por Kayama e Shinji Tanimura. Finalmente, Rimi Natsukawa, com Hana.

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Pareceristas bons: a história de Wilcoxon

Wilcoxon era um químico que havia esbarrado em um problema com os testes “t” e “F” em seus testes. O que fazer? O cara pesquisou a literatura. Achou algo? Nada. Aí resolveu propor um método. Pesquisou de novo. Achou algo? Novamente nada. O que ele fez? Enviou um artigo para uma revista de estatística, a Biometrics (não é a Biometrika). Por que ele fez isto?

Eis uma lição da pesquisa científica: bons pareceres podem ajudar um autor. Como? Simples, ele esperava obter boas referências dos pareceristas. Bem, o final da história, pode-se dizer, é feliz. Não houve referências e Wilcoxon publicou seu artigo como uma contribuição original na história da estatística.

A história toda é contada no já citado livro de David Salsburg, “Uma Senhora Toma Chá… – como a estatística revolucionou a ciência no século XX”.

Uma coisa que sempre procuro fazer, como parecerista, é tentar contribuir para o autor. Mesmo que o artigo seja rejeitado, o autor sempre pode trabalhar com novas idéias. Agora, vale um aviso. Nem todo parecerista é assim. Wilcoxon, se habitasse a selva brasileira, provavelmente teria sua idéia roubada ou mesmo postergada por conta de concorrentes pouco éticos.

Não que isto não ocorra na civilização como o próprio livro mostra, para a briga entre Karl Pearson e Fischer. Mas no Brasil a coisa é mais feia. Já ouvi de filósofos que barraram defesas de tese (típico controle da agenda) para favorecer a “originalidade” da do seu orientando. Também já vi concursos cujos editais eram publicados e retirados de circulação com apenas um dia. Outro caso famoso é o controle das bolsas de doutorado que levaram um colega a permanecer no Brasil ao invés de ir estudar em Columbia porque, segundo o parecerista, “finanças” era algo que se estudava em centros como a Unicamp (nem o mais radical heterodoxo da Unicamp, se honesto, admitiria isto).

Imagino Wilcoxon neste mundo e a vontade de trocar de lugar com ele aumenta muito. Mas muito mesmo.

O sempre ativo departamento de economia da GMU

A George Mason University tem um dos departamentos de economia mais engajados do mundo. Talvez não seja – e não é – o mais produtivo em termos de pesquisa, mas é admirável ver que não param nunca. Este aqui, por exemplo, é o pessoal de História do Pensamento Econômico de lá agitando.

Todo departamento de economia que pretenda mais do que uma formação burocrática de seus alunos deveria incentivar eventos deste tipo. Seminários de economia – sobre a produção científica – são sempre bem-vindos. Sempre.

Ensino e Pesquisa

Mais um reflexo. Cibele. Mais sobre o tema logo abaixo. Externalidade? Aqui.

p.s. Concordo com a Cibele, mas este semestre foram tantas turmas (e tantos mini-desaforos…mas também muitas mini-alegrias) que a pesquisa ficou em baixa. Eis o problema oposto.

p.s.2. Vou ter que procurar alguma coisa do William Becker sobre ensino para resenhar aqui se a coisa continuar…

p.s.3. Ops, achei.

Aula e pesquisa

Cristiano começou uma discussão muito interessante. Erik resumiu e difundiu mais ainda o ponto. Aparentemente, é uma boa desculpa para picaretas pois qualidade de ensino e pesquisa poderiam não ser bens complementares. Também é um bom ponto para se pensar seriamente sobre o que fazem alunos e professores em faculdades.

Claro, há várias combinações. Basicamente, há alunos que só querem mesmo o diploma (se a faculdade tiver um “bom nome”) e os que querem estudar. Alunos, claro, podem ser de vários tipos, simplificadamente, bons e ruins (em termos de capital humano acumulado).

Professores, por sua vez, podem dedicar seu tempo a três atividades: pesquisa, ensino e lazer (uma quarta existe se ele trabalhar também na área burocrática). Em resumo, a lei de que o total de horas em um dia é igual a 24 implica que pesquisa + ensino + lazer (+ burocracia) = 24. Pensando-se que dormir faz parte do lazer, claro, não há como escapar: existe uma substituição entre o tempo dedicado a cada atividade. Pode-se discutir se um minuto gasto em pequisa é exatamente igual a um minuto perdido em “24 – restante”, mas isto não muda o fato de que há, de fato, um trade-off.

Uma idéia que tem me ocorrido cada vez mais ao longo destes quase 20 anos de sala de aula (isto significa que a amostra é grande, não necessariamente que eu seja um mestre do saber) é que quase tudo é sinalização. Diploma, para 100% dos alunos, é só um papel que deve significar um x% de aumento de salário segundo a carreira de alguma empresa na qual trabalha. Ou então é um sinal que, supostamente, imputa-lhe alguma competência…até a hora do processo produtivo em si.

Dar boas aulas e ser um péssimo pesquisador é uma característica comum por aí. Mais difícil é encontrar um bom professor que também seja um bom pesquisador. Geralmente, claro, maus professores que não pesquisam se acomodam em escolas de má qualidade ou saem do mercado.

Se a aula tem acréscimo desprezível no aprendizado do aluno – já que a sinalização é o jogo – então deveríamos partir para uma estratégia de ensino fortemente ligado à pesquisa, caso queiramos fazer algo de útil com os alunos. Em outras palavras, deveríamos promover uma interação dos alunos com atividades de pesquisa.

Nestas horas, eu sei, você vai me dizer: “Mas, Cláudio, e se o cara não quiser? E se ele achar que aquilo não é importante na vida dele”? Bem, então pelo menos o professor deveria se dedicar mais à pesquisa. Ao menos alguém, no todo, estaria melhorando o capital humano total da sociedade.

Há vários pontos interessantes a serem discutidos aqui.

Por exemplo, como fica a faculdade privada com seus recursos escassos? No Brasil, há poucos exemplos de faculdades privadas com esforço em pesquisa de alta qualidade – e há muitas com elevado esforço em pesquisas de baixa qualidade. O exemplo não é exclusivo do setor privado, perceba. É um fenômeno generalizado. Ainda assim, muita gente do setor privado pensa que é possível ter o melhor dos dois mundos sempre (ou chuta o balde e vende a mediocridade total).

Outro ponto, derivado da discussão do Cristiano, é como trabalhar na função de produção do ensino para tornar as atividades mais Cobb-Douglas e não tanto substitutas perfeitas (ou complementares perfeitas). Se a única coisa que acontece é alunos bons se destacarem sobre alunos ruins, então seria de se esperar que os primeiros se interessassem um pouco por pesquisa. Claro, pode-se discutir mecanismos de tentar transformar as laranjas podres em boas laranjas (isto é possível, no que tange ao ensino, mas não tenho evidências empíricas significativas).

Mais ainda, a discussão sobre pesquisa, aluno e professor passa por uma mudança na atividade didática do professor. Ao invés de se fornecer, de mão beijada, dados já deflacionados, bem-comportados, com instruções detalhadas (como a que se dá a uma criança), o correto seria alterar o foco para instruções genéricas que obrigassem os alunos a aprenderem, por conta própria, a construirem suas bases de dados.

Perguntas como: qual a melhor proxy para a demanda de moeda, qual o índice de inflação adequado neste caso, qual é a especificação funcional da demanda de moeda a ser estimada, etc, todas seriam estímulos para os bons alunos melhorarem e os maus alunos se decidirem se querem melhorar ou capitular.

Este é apenas um exemplo. Claro, há muito o que se elaborar sobre o tema. Mas acho que o Cristiano deu um chute inicial muito bom. A pelota, como dizem, está no ar.

A liberdade de expressão se destrói aos poucos

Cito direto da fonte:

Alvaro Vargas Llosa Briefly Detained by Venezuelan Government

Venezuelan authorities detained Independent Institute Senior Fellow Alvaro Vargas Llosa for two to three hours Monday night, just after he flew in to the country to take part in a conference organized by a private think tank.

“They prevented me from continuing speaking on the phone, but then they released me,” Vargas Llosa is quoted as saying in a Caracas newspaper. “They told me that I have no right to make political statements, that I am here as a visitor or tourist, and that in such capacity, I am not entitled to make political comments.”

Unsurprisingly, the topic of the conference, hosted by the Center for Dissemination of Economic Knowledge for Freedom, bore on the problem at hand: free speech and democracy. One might have assumed that the Chavez administration would have avoided such an obvious target, given the electoral backlash it suffered a while back following its regulatory attack on Radio Caracas Televisión and its incitement of physical attacks against journalists. But for Chavez, the quest more political control seems to know few limits.

If Chavez supporters doubt that the Venezuelan president is usurping free speech, perhaps they will ask Eduardo Galeano — the author of the book Chavez pushed on President Obama last month — to weigh in on Chavez’s policies on May 27, when Galeano addresses the New York Society for Ethical Culture.

“They told me I don’t have the right to make any political comments,” by Alvaro Vargas Llosa (Buenos Aires Herald, 5/25/09)

“Independent Institute Fellow Victim of Chavez’s Abuses,” by Gabriel Gasave (5/26/09)

“Senior Fellow Alvaro Vargas Llosa Harassed by Venezuelan Police State,” by Anthony Gregory (5/26/09)

“Alvaro Vargas Llosa’s Detention at Venezuelan Airport Is Over” (El Universal, 5/25/09)

Liberty for Latin America: How to Undo Five Hundred Years of State Oppression, by Alvaro Vargas Llosa

Al-Qaeda e o bolivarianismo?

A conferir. Se FARC pode, por que não Al-Qaeda? 

p.s. ainda continuo espantado com o silêncio da blogosfera diante da citada pergunta do Pedro Sette cujo link está aí embaixo. Realmente, comentarista brasileiro, em média, não fala coisa com coisa, convenhamos. Mas não precisa de tanta timidez. Até dá motivo às suspeitas…

Boa notícia

Vou apresentar o artigo “Os ricos poupam mais que os pobres no Brasil?”, oriundo da minha monografia, no IV Encontro CAEN-EPGE de Políticas Públicas e Crescimento Econômico. Tenho dois co-autores, os quais também são meus orientadores: Fábio Gomes (INSPER) e Márcio Salvato (IBMEC-MG).

Estou bastante feliz! Essa vai ser a minha primeira oportunidade de apresentar alguma produção científica em encontros desse tipo!

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