É preciso importar acadêmicos sérios: o bom exemplo de Selgin

RF: Do you consider fractional reserve banking inherently problematic? Does free banking require a commodity standard so private banks don’t issue too much currency?

Selgin: The advantages of free banking are distinct from those of the gold standard or any commodity standard. That doesn’t mean that I think there is no advantage to a gold standard. As a matter of history, I think it’s a shame that the gold standard was dismantled. That dismantling really began in earnest during World War I, and the gold standard that was restored afterward was a jury-rigged and, ultimately, very unstable standard. But one can have a better banking system under free banking whether there is a gold standard or not. Fiat money would also work better with free banking than without it.

As for fractional reserve banking, I think it’s a wonderful institution and that it’s crazy to argue that we need to get rid of it to have a stable monetary regime. Those self-styled Austrian economists, mostly followers of Murray Rothbard, who insist on its fraudulent nature or inherent instability are, frankly, making poor arguments. I don’t think the evidence supports their view, and that they overlook overwhelming proof of the benefits that fractional reserve banking has brought in the way of economic development by fostering investment.

Hum, interessante. Qualquer investigador interessado em currency boards e em história de regimes monetários provavelmente passará pelo clássico de Hayek (“A desestatização do dinheiro” ou algo assim) ou pelos trabalhos de Selgin. Esta entrevista está bem interessante. O trecho acima é de uma honestidade intelectual que contrasta com certos murmúrios que se ouve em redes de relacionamento ou caixas de comentários. 

Mas, também, em espaços como este – que correspondem a botecos, não a salas de estudo individual de uma biblioteca – não se pode mesmo gerar muito conhecimento. 

p.s. as discussões nestes espaços – caixas de comentários e redes de relacionamento – bem poderiam ser usadas para gerar energia alternativa. São muito exaltadinhas e nem sempre merecem ser preservadas. 

p.s.2. e, não, os petralhas do arco-íris ideológico (não apenas os canhotos) podem desistir. Nada de, aqui, nos comentários,  discorrer sobre a suposta imbecilidade do bárbaro (o de fora da tribo) revelando, no fim, a grandeza da própria estupidez.

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Eu poderia estar na rua cheirando cola, estuprando sua mãe…mas estou aqui, ganhando meu dinheirinho honestamente

É uma forma de chantagem? Uma amiga minha, Ph.D. em ciência política, revoltava-se com esta estratégia. O que será que ela diria desta frase? Pode ser o título da manchete, mas parece muito mais um daqueles movimentos de forças (nada) ocultas que habitam os corredores do poder, em busca da destruição do valor da moeda, ou seja, que deseja criar mais inflação, sem se preocupar muito com as consequências. 

p.s. obviamente, se não se preocupa, é porque tem proteção contra a inflação em sua riqueza. Pobre que é pobre, por sua vez…

SUS já

O SB lançou a campanha mais interessante em termos de ética na política (algo que o padre paraguaio, ícone da esquerda latino-americana, parece ter lançado no lixo hegeliano da história (…logo, reciclável)): que a candidata (que não está em campanha, que-que-é-isso!) use o SUS para tratar seu câncer linfático.

Antes de mais nada, além do forte significado retórico, SB resumiu todo o resultado honesto da prática  “desenvolvimentista” que hordas de governistas divulgam por aí. Eu ainda diria mais: não vale usar passagens aéreas para fins particulares. E também não vale reclamar que é uma frase maldosa. Não é. Ela mostra que o gestor público deveria ser o primeiro a mostrar confiança nos profissionais que contrata, remunera e nomeia para cargos públicos. Inclusive os da quota do partido X, Y ou Z.

Há gente séria no SUS, eu sei. Aliás, esta mesma gente séria,  embora possa discordar de mim quanto ao uso (honesto) do dinheiro público,  não curte o uso político do SUS. Médico sério quer respeito, não ser bucha de pelegos.

Lamenta-se, claro, que um ser humano tenha um câncer. Mas lamenta-se mais ainda o uso político, retórico e, claro, fora da regra do calendário eleitoral, deste mesmo câncer. Por quem quer que seja.

A economia dos bebês

From Drop Box

Esta aí em cima é a minha sobrinha Teresa. Que consequências os bebês trazem para a economia? Bem, que tal isto? Ou talvez isto. Mais aqui, aqui e aqui. Aliás, o último reúne dois gigantes do pensamento econômico: Robert Barro e Gary Becker.

História Econômica…mesmo

Was the Korean slave market efficient?

Brezis, Elise S. and Kim, Heeho (2009): Was the Korean slave market efficient?

Abstract

Over the decades, the traditional condemnation of slavery has been based not only on philosophical argumentation and moral values, but also on the conjecture that slavery was inefficient. This position led to one of the most passionate debates in economic history on the efficiency of the US slave market. This question of efficiency has not been analyzed on the slave market in Korea. The aim of this paper is to analyze the efficiency of the Korean slave market by examining the behavior of slave prices during the period 1689-1893. In order to do so, we collected long-run series of slave prices from nationwide surveys of more than 25 public and private historical records. We then tested whether the slave market was efficient using the arbitrage asset equation. We found slavery to have been efficient most of the time.

Talvez Thomas Kang goste disto. ^_^

O clube de convergência inferior do debate

Duke of Hazard, em trecho revelador de um texto muito bem escrito:

No Brasil, esta divisão assume uma desproporção incomum. Não vou citar exemplos, mas quem anda pela blogosfera econômica brasileira sabe do que falo. O debate se resume aos seguintes passos:

1) Proposição do problema, feita pelo autor do texto, com uma resposta parcial à questão;

2) Um contra-argumento de algum leitor baseado naquilo que seu grupo leu, muitas vezes ignorando por completo a argumentação original.

3) Uma resposta do autor, citando autores da “sua turma”.

4) O enquadramento de ambos debatedores em algum grupo, e a conclusão (sofrível) que o problema não terá uma resposta porque, obviamente, os participantes vêem o mundo de maneira muito diferente e, conclusão derivada, acham que o outro estará sempre errado, por definição.

O item 4 é realmente a triste conclusão de quase todo debate (debate?) na blogosfera. 

No mesmo dia, ou quase, Sumners fala da relevância dos macroeconomistas e também discute rótulos e afins. Sobre a blogosfera, veja o que ele diz:

When I started this blog I had an ideal reader in mind (as I suppose all authors do.)  I knew that it was going to be impossible to convince macroeconomists of my extremely counter-intuitive views of the crisis.  Nobody who has expertise in macro can be impartial to an event so traumatic.  By now views have hardened.  Even the uninformed have strong opinions.  So I needed someone outside of economics, someone with an open mind.

At the same time I knew that I needed a reader that was bright enough to understand very subtle, counter-intuitive economic arguments.  Thus I needed someone who had at least an amateur’s interest in macro, who was also a very skilled economist.  I also needed someone who wasn’t overly impressed with a lot of technical mumbo-jumbo that doesn’t really mean anything.  Someone who thought short (or not so short) blog posts could convey interesting economic ideas.

Revelador, não? Eu diria que mais um ponto do diagnóstico feito pelo Duke está aqui. A pergunta, claro, é: quais os microfundamentos (interesses) dos blogueiros? E o que dizer dos interesses dos que comentam? 

Deriva-se daí que uma outra pergunta é o quanto, realmente, a blogosfera, os comentários e textos, agregam de conhecimento, de fato. Afinal, se o resumo da história é um debate infértil, o melhor seria, mesmo, pesquisar. Mas esta é uma solução terrível. Significaria que apenas há criação de conhecimento entre os que pesquisam e conversam entre si pois, afinal, o público não estaria nada interessado no assunto pois continua a pensar em ciência como um debate moral de idéias na qual, claro, sua moral é sempre melhor que a do outro. 

Se for este o caso, então o melhor seria ignorar a blogosfera.

O problema não é a matemática, mas sim os interesses

“Understanding Academic Journal Market Failure: The Case of Austrian Economics”

Do resumo:

Heterodox schools of economic thought often claim that discrimination takes place in the market for academic articles. Biases exist that prevent heterodox ideas from appearing in mainstream journals. We assess the claim in the context of Austrian economics. First, we document that the research topics pursued in Austrian journals differ significantly from mainstream journals. Austrians pursue different questions. Second, we argue that Austrian articles do not suffer from discrimination based on lack of formalism or ideology. Rather, the lack of Austrian articles in mainstream journals results from the lack of hypotheses in their arguments.

Da conclusão:

The failure of Austrian economics to penetrate mainstream journals arises from two factors. The first is that Austrian-oriented economists tend to focus on topics that mainstream journal editors do not. This does not imply that Austrian economists do not pursue research programs that yield new insights. Rather, they do not engage the majority of other economists. Second, Austrian-oriented economists present their ideas in a form that does not easily illicit discussion. In essence, they have raised the costs for mainstream economists of engaging in dialogue with Austrians, potentially signaling an unwillingness to engage in debate. The evidence does not suggest systematic discrimination by the journal editors or referees; quality Austrian ideas do appear in mainstream journals when presented in a fashion that transmits the ideas in a low-cost manner.

Interessante artigo. Mas falta uma pergunta: a quem interessa aumentar os custos do diálogo com os economistas não-austríacos? A resposta poderia estar em motivações políticas, não econômicas, de garantir posições dominantes em parcelas de mercado específicas. Scott Beaullier realmente levanta questões que incomodam os que defendem o catecismo econômico, ao invés do debate.

Buchanan nos ensinou que não existe troca isenta de interesses individuais. Quais são os interesses de um empresário? E se os incentivos o levam ao rent-seeking? Faça a mesma pergunta para os economistas heterodoxos, ortodoxos e outros e você começará a entender certos discursos que abundam na academia. 

Sim, Beaullier é um austríaco promissor. Já está adicionado em meus favoritos e não há nada de paradoxal nisto.

Um ditador não tão estúpido?

Chiang Kai Shek, o homem que deu a banana para o bolivarianismo chinês (lembre-se: o nome correto é :”socialismo”, embora os neo-socialistas busquem esconder suas origens que legaram páginas de sangue à história da humanidade), pode não ter sido tão bobo e sim bem racional. Esta é a leitura que emerge disto. Ver também isto.

A picaretagem universitária

Excelente texto (pequeno, mas cheio de informações) do Al Roth sobre a picaretagem dos cursos universitários que vendem gato por lebre. Melhor trecho:

In the United States, the focus seems to be on degrees. (If you type “college degrees” into Google, you find a number of intriguing options, including one that offers a degree in a week. Of course, maybe they have discovered a teaching and learning technology that we should all emulate…)

O negrito é por minha conta. Realmente é de uma picaretagem sem tamanho, não?

A economia política da CNBB…na prática

Não deixa de ser irônico ver como o discurso de um grande ramo do catolicismo brasileiro se altera quando aparece um bispo paraguaio totalmente fora dos trilhos na cadeira dos aliados. Parece uma santa ceia, só que às avessas. Mas já sabemos como funciona a ciência em um mundo ideologizado (meta da “economia política” desta gente). Não seria muito diferente no caso da igreja, não é?

Abuso sexual: um direito de todos

Esta notícia beira os limites da realidade e da ficção. Mas ela mostra que o abuso sexual é um direito de todos e se há um papel para o Estado, certamente consiste em tratar igualmente todos os gêneros. Óbvio que se deve prender a mulher, tal como se prende o homem.

Mas, acredite leitor, há em fóruns de discussões, mulheres que insistem na tese de que só o homem deve ser preso. Mesmo após esta evidência.

p.s. eu sempre falo de tecnologia aqui. A tecnologia transformou os programas de TV em um bem privado (vide TV a cabo) e tem mudado muita coisa na sociedade. Na medida em que um “viagra” existe, mulheres, sim, passam a ser potenciais criminosas, tanto quanto os homens. Ironicamente, é a igualdade de gêneros levada ao seu limite, graças às descobertas científicas…