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Mundinho Dilbert

Diz Kenji:

OK, eu concordo que no ambiente corporativo, geralmente as pessoas tentam basear suas decisões em números, assim ninguém leva a culpa sozinho se tudo der errado.

Mais ou menos. Se você tem uma meta a cumprir, uma meta numérica, e não a cumpre, dançou. O problema não é se a decisão é baseada em números, letras ou desenhos. O problema é a alocação de direitos de propriedade sobre os instrumentos que se usa para alcançar as metas. Em política monetária, William Poole foi um pioneiro neste tipo de problema mas, veja bem, em uma empresa, a discussão é similar. Eu sempre vejo pessoas evitando a todo custo dizer o que é atribuição individual e conjunta para jogar, aí sim, a culpa no “grupo”. Prosseguindo:

No fim das contas, empresas são como tribos e possuem suas culturas, no sentido bem tribal mesmo. É um grande erro da administração. Fala-se de cultura organizacional como se fosse um conjunto de valores, o que soa bem mais evoluído e civilizado, mas na realidade, mesmo empresas como o google, internamente falando, não passam de tribos. Uma oca de palha na terra de chão batido, com gente colocando a mão no vespeiro prá provar que é homem no rito de passagem e entoando cânticos. A diferença é que ao invés das pinturas rupestres na parede de pedra, usamos o whiteboard.

Achei interessante o trecho acima, mas não entendi o “grande erro”. A empresa é um grande erro ou a empresa ser uma tribo “no fim das contas”, é que é um erro? A “antropologia” do Kenji é de agradável leitura, mas será apenas uma analogia? Talvez se possa dizer que o homem possui características herdadas do passado que, por bem ou por mal, podem fazer alguma diferença conforme os incentivos que se submeta (as famosas “mudanças nos parâmetros ambientais”). Falávamos disso aqui, ontem, ao falar de psicologia evolutiva, em outro contexto

Somos tribos? Sempre fomos. Mas este não é o problema. A visão de que o mundo não evoluiu porque “continuamos a repetir velhos hábitos” (alguém dirá: fumar folha de coca é um hábito antigo, logo, muito ruim?) me parece um pouco normativa demais. O sucesso de Dilbert está em mostrar as ironias de nossa natureza humana mas, cá para nós, seu autor não é sinal de que também desenvolvemos um poderoso antídoto contra os maus hábitos – a ironia?

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Peter Boettke, novamente, ataca o obscurantismo

To me, Austrian economists and classical liberal political economists should not be satisfied professionally until they are the editor of the AER or JPE or QJE and teaching at Princeton, Chicago, Harvard, MIT or Stanford.  Academic life certainly can be productive and personally rewarding elsewhere, but if you aspire to be a significant research economist in the world of professional economics this should be your goal.  Work in proportion to your aspirations.

Excelente posição. Mas por que pararmos aqui?

 Daring to be different doesn’t mean ignoring the established institutional hierarchy and pecking order in publishing.  It means, to me, striving to break into the hierarchy and pecking order on your own terms.  Responsible radicalism in scholarship.

Nada como uma saudável humildade. Finalmente:

So I say embrace the division of labor in our profession, but don’t confuse or delude yourself about the institutional hierarchy or publishing pecking order. And don’t let others act deluded about the hierarchy or pecking order either — if they went to Iowa and publish in the Quarterly Review of Economics & Finance, they are not pushing out the envelope of economic knowledge!  (BTW, I have a paper in the QRE&F with Ed Stringham and JR Clark so I am not against publishing there)

Do good economics, find your relevant niche, and don’t be afraid to push your comfort zone to try to improve your ability to advance economic understanding among your students, the general population, and your peers.

Being a college professor is a GREAT way to make a living, and being part of the economics profession is HONORABLE.  I cannot imagine a better “job” and I cannot think of a better or more important scientific discipline to study.  As I tell all my students, economics is the sexiest of all disciplines.  The argumentative structure is a thing of beauty, and the insights it can provide on the way the world works is breathtaking.

Este é mais um trecho do eterno tema recorrente deste blog: a construção do pensamento e os trade-offs que a ciência apresenta para os cientistas. “Peter Boettke” – anote este nome quando quiser se lembrar de uma boa referência.

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Mecanismo de votação

A JBN-TV, emissora de programas nipo-brasileiros, lançou um programa muito interessante para os apreciadores de Karaokê: “Viva karaokê”. 

O programa consiste da apresentação de cantores que, geralmente, cantam uma estrofe da música e são julgados por uma banca de seis jurados. 

No início do programa, após cada apresentação, perguntava-se a nota para os membros da banca da seguinte forma: 

1. o sujeito canta

2. a banca começa a dar notas da esquerda para a direita

3. outro sujeito canta

4. a banca começa a dar notas da direita para a esquerda.

Há, também, sempre um jurado que opina sobre o desempenho do candidato. Nem sempre os jurados são todos “professores” (entende-se, aqui, professores como professores de canto, comuns no meio da colônia nipo-brasileira). Havia, nos primeiros programas, um jurado que era convidado, a despeito de não ensinar técnicas vocais para canto.

Pois bem. Após algum tempo você observa que alguns professores são mais específicos em seus comentários, denotando um conhecimento provavelmente maior do que o de outros. 

Aí vem a parte engraçada. De alguns programas para cá, a ordem sempre começa no mesmo professor e segue para os outros jurados…e a nota oscila menos. Em outras palavras, os jurados parecem adotar o comportamento de minimizar a variância da nota ancorando-se na opinião do primeiro jurado. 

Talvez seja o primeiro jurado o mais entendido no assunto, talvez seja insegurança, mas a pergunta que fica é: se ele é o melhor qualificado e os outros desejam segui-lo, por que não ficamos com apenas o melhor jurado na banca julgadora? 

Curiosidades para passar o tempo…

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Teste de hipóteses sobre as causas da crise mundial

Diz Tiago Severo, doutorando em Harvard, em Cristiano Costa:

 Economias que se baseiam em alavacangem elevada, principalmente no sistema financeiro, ficam expostas a riscos sistêmicos que eventualmente redundam em crises financeiras agudas. Financiamento via participação acionária, por outro lado, permite a economia disseminar perdas e evitar riscos sistêmicos. Esta premissa deve guiar a reconstrução do sistema financeiro nos Estados Unidos e em outros países.

Eis aí uma interessante hipótese que pode não ser uma correlação, mas sim uma relação de causalidade. Alguma sugestão de teste?