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Já que há uma crise, o que o governo deveria fazer?

Há várias opiniões. Vejamos algumas delas.

Para Thornton, preparar o caminho para o fim de qualquer política econômica:

If we want to avoid the next great depression, all such government interventions should cease.

Rothbard acha que:

Thus, what the government should do, according to the Misesian analysis of the depression, is absolutely nothing. It should, from the point of view of economic health and ending the depression as quickly as possible, maintain a strict hands off, “laissez-faire” policy. Anything it does will delay and obstruct the adjustment process of the market; the less it does, the more rapidly will the market adjustment process do its work, and sound economic recovery ensue.

The Misesian prescription is thus the exact opposite of the Keynesian: It is for the government to keep absolute hands off the economy and to confine itself to stopping its own inflation and to cutting its own budget.

Se você tem dúvidas quanto a isto, diz Rothbard, basta pensar com otimismo mais a la Francis Fukuyama, só que aplicado à ciência. Diríamos, “o fim da ciência”. Afinal, o “trabalho correto e completamente desenvolvido” sobre os ciclos econômicos já foi feito:

The correct and fully developed theory of the business cycle was finally discovered and set forth by the Austrian economist Ludwig von Mises, when he was a privatdozent in Vienna. Mises developed hints of his solution to the vital problem of the business cycle in his monumentalTheory of Money and Credit, published in 1912, and still, nearly 60 years later, the best book on the theory of money and banking. 

Mas, será que Rothbard está correto? A teoria definitiva já foi desenvolvida? Nada há mais a dizer? A crise só se resolve com a posição passiva do governo? Mises realmente disse para esperarmos o cataclisma? O leitor mais próximo do debate macroeconômico atual (este mesmo que envolve raízes unitárias e tudo o mais) sabe que nem tudo é o que alguns dizem ser. Como sempre, a simples leitura mais cuidadosa nos leva a uma posição mais complicada da velha discussão “meu ídolo do cinema disse que…e não erra nunca”. Então Hayek e Robbins não jogaram no mesmo time de Rothbard, pelo menos no que diz respeito ao que fazer diante da crise. Mais ainda, alguém pode ter lido alguma coisa de forma superficial e eu não acredito que Larry White seja o leitor desavisado. Ponto para White ao nos esclarecer – sem frescuras – um detalhe do debate da Grande Depressão.

Aconselho fortemente o leitor a acompanhar, na blogosfera norte-americana, os textos de (sorry pals, apenas alguns links) Larry White, DeLong, Krugman, Mankiw, Chinn e Scott Sumner. Um breve passeio por este blog é um exercício de paciência – útil para os apressados dias de hoje – e também para se ter noção deste debate, muito interessante, ocorrido nos últimos dias.

4 comentários em “Já que há uma crise, o que o governo deveria fazer?

  1. Shikida, esses autores citados falam muito, mas até agora nada de derrubar algum ponto da TACE. Agora acompanhar Krugman é a mesma coisa que acompanhar Le Monde Diplomatique, você lê, inverte tudo que dizem e ai tem a notícia correta.

    E meu ator predileto não era matemático, economista e muito menos escreveu mais de 14 livros.

  2. Juliano,

    “Esses autores citados falam muito”? Como assim? Rothbard realmente fala muito.

    TACE: “derrubar algum ponto da TACE”. – Eu preferia que você fosse mais específico. O que é a TACE, o que a distingue de outras teorias e quais são seus pontos?

    Até onde eu saiba, a discussão que eu citei é outra. E a pergunta que estou estudando é: existe alguma posição “unânime” (ou que se possa ser chamada de “austríaca”) no que diz respeito à Grande Depressão?

    Larry White mostrou que não, não é?

  3. Shikida, se você tem uma teoria que explica todos os ciclos econômicos como é a TACE, você não precisa de criar um fenômeno pra cada ciclo em cada local. A mesma teoria que explica a grande depressão explica da mesma maneira a crise atual, seja ela nos EUA, no Japão ou na Espanha.

    Até alguém derrubar (ou acurar, que é mais provável) a visão rothbardiana sobre a grande depressão, creio que ela seja a única existente.

    1. Juliano,

      Ficou devendo uma explicação entre White e Rothbard. Há uma diferença de ponto de vista séria e acho que ela não lhe permite identificar TACE com Rothbard. Não há nada em Ciência que garanta que uma teoria geral é melhor do que uma teoria mais específica (no vocábulo frouxo daqui, claro). Se a competição é sobre visões de mundo totalitárias (no sentido de explicar tudo, nada a ver com política), Marx é seu competidor, não a teoria econômica não-austríaca (e não-marxista).

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