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Dissertações de mestrado precisam ser gigantescas?

Não. Antigamente, por algum motivo, as dissertações de mestrado eram bem extensas entre os economistas brasileiros. Eu já disse aqui, várias vezes, que isto tem a ver com a verborragia inútil que Joseph Love bem detectou no Brasil, no início de nossa profissão. 

Hoje em dia, não mais é assim. Um mestrado, ainda mais um mestrado profissional, não se enquadra na suposta pretensão de que o mestre é um sábio conhecedor de diversas superficialidades (“um pouco de cada coisa”, logo, “muito de nada”). Eu gosto de mostrar às pessoas trabalhos de boa qualidade neste blog. Pois bem, a dissertação que se encontra aqui não é de nenhuma ex-aluna minha, mas é um bom exemplo de concisão, ligação entre teoria e prática e objetividade.

Claro que deve ter tido lá seus problemas – quem não os tem? – e a banca deve ter reclamado aqui e acolá. Isto faz parte do processo. Mas repare, leitor, no tamanho da dissertação. Certamente ela não ilustra a carga de leitura necessária e que deve ter sido o fardo da orientanda por um bom tempo. Mas, ora bolas, capacidade de síntese também é algo que um mestrando tem que ter. Senão, pobre coitado, as portas do inferno lhe estarão bem próximas…

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Política monetária

O Laurini anunciou e eu dou mais uma dica. Olha o resumo abaixo. Atenção para as conclusões da patota:

The literature on monetary economy has aroused growing interest in macroeconomics. Due to computational advancements, models have been increasingly more complex and accurate, allowing for the in-depth analysis of the relationships between real economic variables and nominal variables. Therefore, using a dynamic stochastic general equilibrium (DSGE) model, based on Gali and Monacelli (2005), we propose and estimate a model for the Brazilian economy by employing Bayesian methods so as to assess whether the Central Bank of Brazil takes exchange rate fluctuations into account in the conduct of monetary policy. The most striking result of the present study is that the Central Bank of Brazil does not directly change the interest rate path due to exchange rate movements. A simulation exercise is also used. Our conclusion is that the economy quickly accommodates shocks induced separately on the exchange rate, on the terms of trade, on the interest rate, and on global inflation.

O que há de bacana neste artigo, além desta conclusão? Bem, os autores não fizeram o famoso “pega-o-modelo-do-cara-e-encaixa-ele-na-marra-na-sua-amostra” que é sugerido como trabalho monográfico por professores inexperientes, com pouca formação ou, claro, os picaretas de sempre.

Nada disso.

O modelo do texto foi adaptado e modificado para tentar ser uma estilização do caso brasileiro. Com todos os problemas que isto pode causar, na minha opinião, ainda será sempre melhor do que o exercício bobo de replicar um modelo construído para Ronaldinho Gaúcho em Casagrande. Ou vice-versa.