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O que Ronald Coase realmente quis dizer?

Muita gente vive de psicografismo econômico. É um tal de psicografar economista aqui ou ali que ninguém aguenta. Com tantos problemas para se resolver, o sujeito quer brigar porque ele acha que o fulano disse isso ou aquilo. Vamos a um economista que não morreu, Ronald Coase. E vamos ao que ele disse, realmente:

In my paper on “The Problem of Social Cost”, I argued that, in choosing between social institutions, the decision should be based on how they would work in practise. [Coase, Ronald H., Economists and Public Policy, in: Essays on Economics and Economists, University of Chicago Press, 1994, p.61]

Pronto. Agora você já sabe o que ele quis dizer. Sem psicografias. Por falar nisso, Ronald Coase fundou o The Ronald Coase Institute, com o dinheiro que ganhou com seu Nobel.

Gosto sempre de lembrar estes fatos da vida do bom velhinho porque eles mostram que você pode ter uma vida coerente. Se você acredita que devemos estudar instituições e mercados, então os estude. Se acha que é importante e pode financiar pesquisas sobre o tema, faça-o. 

Coase seguiu todos os passos…

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Multiplicadores

Chinn – do blog do James Hamilton – tem comentários sobre o último texto de Mankiw, em seu próprio blog, acerca da magnitude dos multiplicadores keynesianos.

Note, leitor, a diferença da qualidade do debate. Primeiro, a blogosfera econômica brasileira ignora qualquer indício de discussão similar (talvez, concedo, porque boa parte da academia brasileira se recusa a calcular os similares nacionais, embora isto não seja 100% correto). Segundo, a mesma blogosfera brasileira ignora até o debate norte-americano. 

Ou seja, aqui, quer-se falar mal ou bem dos economistas mesmo que não se saiba nada de economia. Algo que, como já disse antes, retroage o debate à era Vargas (ou anterior), na qual existiam apenas palavrórios soltos, talvez ritmados e poéticos, mas sem conteúdo relevante. 

Obviamente, alguns não entram neste debate simplesmente porque não sabem ou não querem discutir com as armas do adversário (no caso, com os modelos keynesianos) porque isto exige, claro, estudo. A crítica que fazem, neste caso, fica opaca, pobre e pouco potente. Não há como não ficar com a blogosfera econômica norte-americana nestas horas…