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Papo que funciona?

O Leo Shikida fez um interessante depoimento pessoal aqui. Primeiramente, parabenizo-o e aos seus pelos cumprimentos dos objetivos da empresa. Só Deus sabe o quanto isto é difícil (talvez nem Deus saiba). Por outro lado, esta história de Kaizen, que ele conta me deixa cético (ceticismo é uma característica na família). Será que empresas japonesas realmente adotam tal filosofia? Se adotam, por que a economia japonesa não decola? 

Claro que há vários fatores adicionais, mas o conceito é tão propositalmente amplo que, cá para nós, qualquer coisa pode ser Kaizen…o que me leva a acreditar que meu irmão é humilde e debita na conta de um conceito que supostamente funciona sua própria criatividade e competência. Será que ele acredita mesmo em algum Kaizen? Ou que pratica Kaizen em toda sua vida? Pouco importa. O que importa é que ele se sente confortável com isto. 

De qualquer forma, eis a grafia de Kaizen: 改善. Cientificamente falando, ainda quero ver evidências de que este conceito é mais do que uma palavra de auto-ajuda. Evidências científicas empíricas são bem-vindas.

7 comentários em “Papo que funciona?

  1. Oi, professor
    Não tem nada que ver com o post, perdoe-me, mas, entrando num outro assunto, gostaria de saber de algum bom texto sobre Distributismo e Georgismo, em português, de preferência. O senhor já falou sobre isso?
    Muito obrigada

  2. Enquanto no Japão há uma palavra para designar a busca contínua da excelência “em todos os aspectos da vida” eu muitas vezes tenho que ouvir nego dizer – com ares de sabedoria – que “o ótimo é o inimigo do bom”…

  3. nada a ver com kaizen tb, mas me ocorreu um causo que me contaram uns anos atrás

    dizem que no japão é mais fácil obter faixa preta em algumas artes marciais pq a idéia do sensei é que esse negócio de faixa preta é pros bobos. Lutador bom mesmo passa logo por essa coisa de faixa preta e vai ralar pros dans superiores

    aí um monte de gente ia pro japão só prá obter a faixa preta e voltar pro seu país estufando o peito e dizendo “pq eu peguei faixa preta no japão! nhé!”

    mas subir pros dans superiores, que é bom… 😉

    acho que o espírito do meu post era um pouco por aí.

    mas tenhamos certeza que kaizen é mais o efeito de uma peculiaridade social e filosófica japonesa que qualquer outra coisa, IMHO.

  4. Olá Shikida,

    Então, na empresa onde trabalho a metodologia é toda baseada nos métodos japoneses de melhoria contínua. Aplicamos o ciclo PDCA (Plan, Do, Check and Act) para obter melhoria contínua dos processos e atingimento de metas.

    Basicamente funciona assim: uma fase de planejamento (P), execução do que foi planejado (D), checagem se aquilo gerou a melhoria desejada (o atingimento da meta) por meio de indicadores (C) e, caso negativo, a ação corretiva para “colocar o trem no trilho” (A), o que leva novamente ao início do ciclo PDCA.

    A empresa e nossos clientes tem obtido resultados positivos com esta metodologia. Certamente existem estudos científicos sobre a efetividade ou não do método, mas eu pessoalmente desconheço qualquer estudo econométrico sobre o assunto (se alguém conhecer, gostaria que me passassem…)

    Agora, o interessante foi quando explicava à minha cética namorada economista japonesa como funciona a metodologia ao que ela retruca:

    ” – Ahh, what do you mean! This is obvious, isn’t it?”

    Sim, é óbvio e aplicamos (inclusive nós, brasileiros) intuitivamente em vários aspectos de nossas vidas, como perder peso (planejar o regime ou exercício (P), fazer o regime ou exercício (D), pesar (C), mudar as coisas se não estiver dando certo (A)) embora nem sempre de modo sistemático.

    E, claro, quando a aplicação do PDCA é em uma grande indústria com componentes técnicos complexos, vários colaboradores e processos extensos e complicados, é necessário agir de forma bem sistemática e embasada em teoria (ou seja, é necessário dominar a metodologia de forma avançada para aplica-la de maneira correta e colher os resultados esperados).

    Assim, sem apresentar nada científico, baseado somente em minha percepção pessoal e arriscando não te convencer em nada, me parece que podemos ver o kaizen como metodologia administrativa sem precisar necessariamente ser uma filosofia de vida para dar certo. E dá certo!

    Abração,

    Renato Orozco

  5. Meus caros,
    Também não gosto de Kaizen. Sou mais a Skol ou a Brahma. Mas tudo é relativo. Você ficará todo feliz se descobrir que tem Kaizen e não só Nova Schin, por exemplo.
    Um grande abraço,
    (outro) Claudio
    PS: Apesar da piadinha, acho este um excelente exemplo sobre atividade científica para os alunos. Não li o post original e, portanto, não sei exatamente o que o Leo Shikida disse. Assim, não entendam este como um comentário ao post original. É muito complicado utilizar questões culturais em estudos econômicos devido à tautologia que o termo implica. Dizer que determinadas práticas contratuais se dão devido a razões culturais não explica nada. Olha este exemplo. Os japoneses, devido à cultura japonesa, aplicam técnicas kaizen. A cultura japonesa é singular porque leva a aplicação de técnicas kaizen. Portanto, podemos dizer que os japoneses utilizam técnicas kaizen porque eles utilizam técnicas kaizen. Utilizando esta análise poderosa para fazer previsões, eu prevejo que sociedades cujas culturas levem as pessoas a utilizar técnicas kaizen utilizarão técnicas kaizen. Já em sociedades onde as pessoas não utilizem técnicas kaizen, estas não serão utilizadas. Por fim, prevejo ainda que sociedades que não utilizam técnicas kaizen e passam a fazê-lo serão exatamente aquelas onde não se utilizavam estas técnicas mas que passaram a fazê-lo em algum momento do tempo. Entenderam? Ninguém nega a importância das culturas locais, mas muitas vezes a utilização das diferenças culturais como explicação encobrem uma grande ignorância sobre o que, efetivamente, está acontecendo.

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