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O problema não é Keynes mas sim…

David Henderson reproduz trechos de um artigo do – eterno militante – Lew Rockwell sobre a política econômica de Hitler.

Em determinado trecho se lê que:

Keynes himself admired the Nazi economic program, writing in the foreword to the German edition to the General Theory: “[T]he theory of output as a whole, which is what the following book purports to provide, is much more easily adapted to the conditions of a totalitarian state, than is the theory of production and distribution of a given output produced under the conditions of free competition and a large measure of laissez-faire.”

Pois é, Keynes gostava de uma intervenção governamental. Não me parece que tenha sido um entusiasta seguidor de Hitler, mas o ponto importante não se Keynes disse ou não disse isso (ou se pensou em algo assim ou assado). As idéias de um homem nem sempre são uma correspondência biunívoca de sua prática profissional: veja a história de vários carrascos nazistas que eram excelentes pais de família, senão homens de boa cultura para a época.

De qualquer forma, o próprio Henderson (ou Rockwell) chama a atenção para o que importa:

Can’t we separate Hitler’s Keynesian economics from his murderous policies? In principle, yes. But Rockwell makes the point that a government powerful enough to control this many aspects of the economy will be powerful enough to do some of those other nasty things.

A análise é adequada. O problema de Keynes foi não enxergar as consequências do que disse (coisa à qual qualquer humano está sujeito). Errou feio? Errou. Mas isso já foi demonstrado há anos por James Buchanan e Richard Wagner em um pequeno artigo sobre o problema do multiplicador keynesiano que é, justamente, o de ignorar os incentivos políticos.

7 comentários em “O problema não é Keynes mas sim…

  1. Hmm… Rockwell… Faz tempo que não passo por lá, sabia? A militância cega libertária acabou me afastando. Aliás, foi lá que comecei a perceber ALGUNS libertários com as mesmas cegueira ideológica e obtusidade dos comunistas, apenas com o sinal trocado.

  2. Shikida, não fica no mínimo estranho criticar uma frase em que Mises defende a legítima defesa e depois dizer que “As idéias de um homem nem sempre são uma correspondência biunívoca de sua prática profissional”? Me mostre um país onde as idéias de Keynes foram aplicadas e eu te mostro uma ditadura.

    1. Antes que eu me esqueça: também nunca disse que a idéia de Mises, aplicada, levaria a este ou aquele resultado. A questão, Juliano, novamente, não é pessoal, sobre Keynes ou Mises. Creio que elaborarei este ponto em breve, num contexto mais geral. Afinal, existem idéias além do campo da economia austríaca ou do pensamento liberal, ainda que não concordemos com elas.

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