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Imprensa cita incorretamente prof. Claudio Shikida

A jornalista Luciane Lisboa, do “Diário do Comércio”, de Minas Gerais, conversou comigo e, de suas anotações, escreveu matéria sobre o corte dos juros. Este tipo de confusão é muito perigoso mas há quem diga que não vale a pena pedir uma nota no jornal porque “ninguém lê” ou porque “dá trabalho e o jornalista fica ofendido”.

Já eu prefiro ser bem claro e desfazer mal-entendidos. Acho um desserviço ao público que lê jornais não ter direito à correção de eventuais erros cometidos. Acredito firmemente na boa fé dos jornalistas e na sua humanidade já que, como eu, também erram.

Mas vamos ao caso. Em determinado trecho da matéria citam-me assim:

Para o coordenador do Núcleo de Estudos de Política Monetária da Faculdade Ibmec (NEPOM), o professor Cláudio Shikida, as motivações que levaram o Banco Central a tomar tal atitude foi (sic), principalmente, o fato de a inflação não ser mais um perigo iminente na economia brasileira e a necessidade de manter a economia brasileira aquecida.

“A atividade econômica no país tem caído muito e a crise já está afetando a cadeia produtiva. Por outro lado, a inflação está baixa, ficou perto da meta. Dessa forma, o governo pode reduzir a taxa com menos riscos de que a inflação volte a subir, disse”.

Em outro trecho fui citado corretamente. Mas o trecho acima está errado. Provavelmente ela se confundiu com suas notas já que entrevistou mais gente. Primeiro, eu não disse que a inflação não é um perigo. Entendo que o Banco Central queira trabalhar com o hiato do produto e com o hiato de inflação de maneira inteligente. Agora, o trecho entre aspas não faz sentido. Eu disse que os efeitos na cadeia produtiva são incertos (no mesmo dia que conversei com a repórter, publiquei isto, dizendo quase o oposto do que está escrito entre aspas no que tange à cadeia produtiva). Também não disse nada sobre a inflação estar alta ou baixa. Eu disse, isto sim, que o Banco Central mostrou se preocupar mais com a atividade econômica do que com a inflação.

Provavelmente foi um mal-entendido e fica aqui esta nota para quem quer que se interesse realmente pelo que os membros do NEPOM têm dito por aí. Recomendo fortemente a leitura do artigo no Millenium cujo link coloquei acima para evitar mal-entendidos.

Por prezar pela boa imprensa é que publico esta nota. Mal-entendidos devem ser sempre corrigidos para o bem do repórter e do entrevistado.

p.s. Não tenho acesso livre, mas a matéria original está aqui.

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Quando a ciência ganha “função social”, o que acontece?

Reproduzo por inteiro, direto do Laurini:

O caso Luzin

Ontem ocorria uma animada discussão sobre o processo de revisão do Qualis, e um dos pontos era qual a pontuação que deveriam receber as revistas nacionais. Um ponto era que revistas nacionais eram supervalorizadas no Qualis atual, e o ponto contrário era que revistas nacionais desempenham um papel importante ao permitir a comunicação e discussão de alguns tópicos de interesse apenas local. Uma discussão muito importante.
Depois da discussão lembrei de um caso famoso na matemática :

The Luzin affair of 1936

On November 21, 1930 the declaration of the “initiative group” of the Moscow Mathematical Society which consisted of former Luzin’s students Lazar Lyusternik and Lev Shnirelman along with Alexander Gelfond and Lev Pontryagin claimed that “there appeared active counter-revolutionaries among mathematicians.” Some of these mathematicians were pointed out, including the advisor of Luzin, Dimitri Egorov. In September 1930, Dmitri Egorov was arrested on the basis of his religious beliefs and died in 1931. After his arrest he left the position of the director of the Moscow Mathematical Society and after him the director became Ernst Kolman. As a result, Luzin left the Moscow Mathematical Society and Moscow State University. In 1931, Ernst Kolman made the first complaint against Luzin.

In July-August 1936 Luzin was criticised in Pravda in a series of anonymous articles. It was alleged that he published “would-be scientific papers,” “felt no shame in declaring the discoveries of his students to be his own achievements,” stood close to the ideology of the “black hundreds”, orthodoxy, and monarchy “fascist-type modernized but slightly.” Luzin was claimed at a special trial of a Commission of the Academy of Sciences of the USSR which endorsed all accusations of Luzin as an enemy under the mask of a Soviet citizen. One of the complaints was that he published his major results in foreign journals. The method of political insinuations and slander was used against the old Muscovite professorship many years before the article in Pravda.

The political offensive against Luzin was launched not only by Stalin‘s repressive ideological authorities but also by a group of Luzin’s students headed by Pavel Alexandrov. Although the Commission convicted Luzin, he was neither expelled from the Academy nor arrested. There has been some speculation about why his punishment was so much milder than that of most people condemned at that time, but the reason for this does not seem to be known for certain. However, he was never rehabilitated even after the death of Stalin[4] [5].

Ter publicações internacionais já foi um ato de traição.

posted by Márcio Laurini at 2:05 PM

Muito cuidado com o discurso de que “falta humanismo (ou “função social”) para economia, peugeot 206 ou uma furadeira. O final, ensina-nos a história (a mesma “história” que geralmente usam para justificar a tal “função social”) é sempre o mesmo. Laurini prestou um serviço à blogosfera hoje. Quem leu este post e não sabia destas histórias do uso pterodoxo-bolivariano da ciência, aprendeu mais uma.

p.s. eu mesmo já falei disso aqui várias vezes, mas esta história foi genial.

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Libertarian Papers

Novo ejournal. Pena que começa com artigos já lidos exceto, creio, o último deles……….o que me lembra minha eterna crítica aos austríacos radicais: não produzem nada de novo, apenas reciclam antigos pensadores. Isto não é uma boa prática, seja para libertários, austríacos ou qualquer um.

Se você quer publicar novamente um artigo antigo clássico de alguém crie logo uma biblioteca virtual com os seus “clássicos”. Journal é para novos artigos, reflexões de autores que fazem acontecer. Deixe os mortos com sua honra para a posteridade…

No mais, tomara que tenha futuro este “Libertarian Papers”.

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A blogosfera séria de economia dá um show de bola (e um agradecimento)

A blogosfera séria de economia (a blogosfera não-pterodoxa e não-bolivariana, portanto) realmente tem dado um show de bola nesta história da crise mundial e da taxa de juros. Procure na barra lateral pelos blogs: A outra face da moeda, Escolhas e Consequências, A mão visível, Cristiano Costa e The Duke of Hazard, por exemplo. Claro que convido a todos para o blog do NEPOM no qual, pelo menos um dos membros deste agradável grupo de alunos, o Renato, tem feito um notável esforço de compreensão da realidade econômica.

p.s. recebi uma bonita homenagem do Cristiano Gomes, um ex-aluno. Eu tenho certo orgulho destes elogios, claro, mas no caso dele, eu gostei porque ele me acompanha desde a época em que eu contava histórias na internet antes da existência dos blogs. Obrigado, Cristiano!

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Existe mesmo a selva hobbesiana?

An experimental investigation of Hobbesian jungles
Benjamin Powell a,∗, Bart J. Wilson b,1

Abstract
Hobbes’s state of nature serves as the analytical starting point for much of what economists have written on anarchy and the formation of government. Unfortunately little historical evidence exists about how men behaved in a “state of nature”, if such a situation ever even existed. We conducted a laboratory experiment to create a Hobbesian state of nature and observe the level of economic efficiency subjects achieve. We also investigate Buchanan’s conjecture that people would unanimously agree to a social contract against theft.

A página do prof. Powell tem mais detalhes sobre o artigo. Leia também esta excelente resenha sobre a Escolha Pública e a Anarquia.