A ordem não era gastar?

O bolivarianista governo chinês é bem diferente de seu primo brasileiro…quem diria…. Note que até mesmo em termos de efeitos sobre a corrupção – uma sofisticada análise para um governo bolivariano, obviamente – eles justificam a frugalidade.

Gaste, mas com respeito ao seu orçamento.

Aula de Escolha Pública

Um clássico exemplo de Escolha Pública é a explicação positiva (e não normativa) do porquê da existência de quotas. Achei este exemplo. Aí vai um trecho:

“The economy is so bad, I often roam around looking for passengers, but do not get a single one for a whole morning,” said Ho Chin-chuang, a taxi driver of eight years who lined up in front of a hospital in Taipei earlier this month.

Ho and other taxi operators who have seen business drop because of the economic downturn issued a call recently for the government to impose a quota on the number of taxis countrywide.

At present, the number of registered taxi drivers is estimated at more than 90,000, of which more than 31,000 operate in Taipei City, official statistics show.

The figures do not include unlicensed cabs.

With the low threshold for becoming a taxi driver, many people who have lost their jobs in the financial downturn have turned to it as a source of income, meaning that the true number of taxis is likely to be larger.

Interessante, não? Obviamente, há uma questão de auto-regulação de mercado bem simples: se todo mundo entra no mercado de táxis, não é difícil perceber – não existe assimetria de informação suficiente para qualificar alguém de idiota (*) – que a remuneração individual cairá. Logo, o argumento de que muitos se candidatam a uma licença de táxi é falacioso.

Além disso, é interessante observar a velha e boa regularidade empírica: sindicalistas lutam pelos sindicalizados, não pela categoria, embora usem o discurso de que, sim, lutam por esta e, claro, pelos consumidores ou, sei lá, pelo bem-estar do país, pelo meio-ambiente mundial ou pela Via Láctea.

Como nos ensinou Higgs, crises são momentos que alguns interesses especiais aproveitam para ampliar o tamanho do governo, o que torna a relação sindicato-políticos mais perigosa para a sociedade.

(*) Suponho que se ensina economia na escola, não doutrinação ideológica anti-mercado, como no Brasil.

Notícias das Chinas

Solução bolivariana: o preço do petróleo caiu? Roube o ouro alheio

Não vou nem comentar.

p.s. claro que alguém pode vir com o argumento das concessões, legalidades, etc. Leis são feitas por governantes que, ensina-nos a história, são os piores cumpridores de…leis. Ou você acha que a ausência de regras para telemarketing do serviço público brasileiro é coincidência?

Quem elogia…não quer se mudar para lá

Excelente comentário do Coronel sobre o comentário de um brasileiro acerca de um dos poucos blogs cubanos independentes, livres do pensamento único e que mostram que…um outro mundo é possível.

A Fortaleza Escondida

Na sequência do que escrevi ontem, terminei de ver o último filme da “trilogia” de samurais de Mifune-Kurosawa. Diz a embalagem do DVD que George Lucas teria se inspirado neste filme para fazer Guerra nas Estrelas mas, honestamente, não vi nada similar (nem em idéia, nem em cenas, etc). O filme, sim, é muito bom, mas entre Yojimbo, Sanjuro e este, eu ficaria, em primeiro lugar, com Sanjuro, seguido de Yojimbo e “Fortaleza” vem em último.

Mais lições de economia do Renato

Mais um importante ponto para a reflexão. Jornalista, por favor, façam BONS cursos de jornalismo econômico antes de escreverem sobre o assunto. Não custa muito escrever bobagens, mas ajuda se você evita.

A propósito, segundo o Duke, somos uma boa fonte de conhecimento. Nós é que agradecemos ao leitor e à blogosfera da boa economia pela divulgação.

Filmes

Finalmente assisti a segunda parte de Yojimbo, Sanjuro. Além do bom e velho Mifune, há ainda Kayama Yuuzo, bem novo (e praticamente irreconhecível), Tatsuya Nakadai (se não me engano, o velho samurai de Ran) e um dos companheiros de Mifune em Falcão de Edo, cujo nome agora me foge.

Falta ainda ver a “Fortaleza Escondida”, mas o leitor deste blog deve se lembrar que comprei este DVD há quase mais de um ano (se não mais). Nunca tenho tempo para um bom filme. Melhor, quase nunca. Como o especialista em cinema da blogosfera não sou eu (mas sim o Cristiano Gomes), fica aqui apenas minha impressão: Sanjuro é muito bom. Vale cada minuto. É um filme divertido, com uma história interessante e, claro, com bons atores.

Bom, para este Natal eu me presenteei com: Kwaidan – as quatro faces do medo (baseado no clássico livro do húngaro naturalizado japonês, Lafcadio Hearn), A Espada da Maldição (a sinopse promete muito sangue, o que busco em férias, né?), Domingo Maravilhoso (de Kurosawa) e A Rotina tem seu Encanto (do meu favorito, Ozu).

Tenho uma vontade de promover sessões de cinema em casa, apresentando ao público a cultura japonesa. Um dia, quem sabe, este projeto se realiza.

Rogoff, sobre a Obanomics

Rogoff tem uma visão bem menos fantasiosa sobre o pacote de Obama do que seus entusiastas no Brasil. Vale a leitura da entrevista. Dois excelentes trechos:

Como o sr. viu o pacote de socorro para a indústria automobilística?

Isto realmente é política. Sou simpático à idéia de que, quando o governo assina cheques a torto e a direito para o sistema financeiro, é difícil dizer não para as montadoras. Mas o dinheiro é basicamente um presente para os acionistas das montadoras, e não acho que vá salvar muitos empregos. As empresas deveriam ter sido levadas à concordata. É um completo desperdício de dinheiro. Não acho que os Estados Unidos estarão fabricando carros daqui a 15 anos, da mesma forma como já não fazemos televisões. É uma indústria moribunda.

Os recursos do impulso fiscal poderão ser mal empregados?

Isso vai acontecer. O governo Obama tem de arrumar uma maneira de mitigar esse problema, mas isso é um trabalho difícil quando se gasta dinheiro nestas proporções. Uma parte grande do dinheiro vai para os governos estaduais e municipais, e nós já estamos vendo em Chicago o que pode acontecer, com episódios como o do (Rod) Blagojevich (governador de Illinois, acusado na Justiça de tentar vender uma vaga de senador): ele deve estar tão aborrecido em deixar o seu cargo logo agora que ia receber dinheiro como nunca.

Vá lá e termine a leitura. Vale, como disse, a pena.

Coisas boas deste ano (parte III)

  • O enfraquecimento das FARC.
  • A derrota legal – com tentativas de apelação, claro – de Chavez.
  • Ter iniciado a onda de e-books de economia (agora imitada por gente bem importante).
  • A chance de aprender mais com o avanço da tecnologia (isto ocorre todo ano…).
  • Ter terminado de ler mais de um livro não-técnico em todo este ano!
  • Poder comprar os dois números da Dicta & Contradicta.
  • Ter tido a oportunidade de ajudar um amigo a se aproximar da esposa, geograficamente falando.
  • Conviver com o João e o Coutinho na mesma sala por um ano.
  • Ter conseguido assistir mais filmes novos do que ter apenas visto – pela e-nésima vez – os antigos (eu sei, é uma mania terrível…).

Acho que estamos no fim desta série. Caso me lembre de algo mais, coloco aqui. Normalmente sou pessimista mas acho que no final de ano tenho que fazer o contrário do que faz a imprensa: tenho que destacar os pontos positivos do ano. Negativos, claro, existem e são muitos. Talvez até superem as “coisas boas deste ano”, mas não custa tentar um pouco mais de sorrisos, não é?

p.s. por que não consigo colocar tags nos posts? Deve ser pau do WordPress. Ou é meu java, novamente…

Se ele estivesse vivo…

Há muitos anos, o gênio de COURNOT (…) previu a vantagem de ser organizada uma estatística comercial dos principais produtos, destacando as mercadorias em duas categorias, de acôrdo com o que hoje se denominaria de elasticidade e inelasticidade da procura. (…)

Entretanto, melhor será não insistir nessa ordem de idéias. Para que descer a minúcias de caráter eletrônico num país em que se compraz no aumento dos preços de vinte a trinta por cento por ano? Fica, entretanto, o lembrete de COURNOT para o futuro. [Octavio G. de Bulhões – Economia e Política Econômica, 1960, p.31]

Bulhões deve estar louco em seu túmulo…