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Liberdade e Segurança

Balela clássica: “o liberal valoriza os direitos individuais, o não-liberal valoriza a segurança. Logo, existe um trade-off entre liberdade e segurança”. Meu amigo Cláudio Burian, uma vez, complementou: “você abre mão de sua liberdade por um pouco de segurança?”

Eis a pergunta-chave. Todo mundo que acredita na balela clássica pensa que o outro é quem deve abrir mão de sua liberdade por um pouco de segurança, normalmente ofertada pelo autor espertinho da frase.

O problema tem a ver com o que acabei de escrever sobre Taiwan, mas é também reflexo de uma época. O não-liberalismo avança e a vertente bolivariana ganha adeptos. Os mesmos críticos de Jack Bauer aplaudem a violência e a repressão se a mesma vem de um ditador bolivariano como é o caso de Raúl Castro ou um King Jong Il. Claro, há sempre os mitos. O mito de Che Guevara não é nada diferente do de Jack Bauer. Ambos são “assassinos românticos”. Um acha que está mudando o mundo e outro salva Los Angeles de uma bomba nuclear.

O dilema limítrofe imposto pelo terrorismo contém, em si mesmo, o gérmen de nossa destruição. O objetivo maior dos fundamentalistas islâmicos é fomentar o surgimento de seus similares na América. Como a história ensina, autoritários se dão bem quando reinam. Hitler e Stálin viveram um tempo bem sob o pacto nacional-socialista-socialista (não é à toa que os socialistas buscam esquecer este pacto assinado com a assessoria de Ribentropp e Molotov) e depois correram para a briga.

Qualquer discurso sobre liberdade, na América Latina, nunca passou de um certo limite, o das elites que adoram o discurso social e a prática rent-seeking. Por algum motivo que ainda não sabemos explicar, nunca ultrapassamos esta barreira. Nos anos 60 a disputa era entre os violentos da esquerda ou os brucutus da direita. Liberal mesmo, nenhum. Vá lá que há sempre os dilemas éticos. Passarinho ficou famoso quando mandou “a ética às favas” no AI-5 e Milton Friedman aconselhou tanto a ditadura chilena quanto a chinesa.

Este talvez seja o ponto que o Ângelo da C.I.A. tenha captado em sua provocação (ver posts abaixo). O envolvimento liberal com a política é mais difícil do que o de um não-liberal. Afinal, sujar as mãos é sempre sujar as mãos. Alguém tem que implantar os incentivos certos para que o mercado floresça, o que passa pela ação do governo (a não ser que alguém comece a defender atos terroristas, esta ainda é a melhor opção). Neste sentido, ele tem razão: o liberalismo foi o grande derrotado nestas – e em outras – eleições.

Não responde a pergunta dele, mas talvez nos ajude a pensar.

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Taiwan sucumbirá à China?

Ausente da mídia nacional, os protestos em Taiwan têm incomodado os dirigentes da China bolivariana. A autonomia que normalmente o governo chinês aplica é a mesma utilizada no Tibet, o que não é nada promissor.

Quais as implicações para a economia mundial? Trata-se do velho exercício de utilizar modelo de Ramsey no qual dois países se unem. Acho que o Joaquim Toledo nos torturou com isto, na USP. Mas a economia política disto não aparece neste exercício simples…

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O fiscal do fiscal e outros trabalhos de Sanson (e um breve comentário)

Meu – sumido – amigo Sanson em alguns bons momentos. Primeiramente, o curto ensaio sobre a fiscalização no setor público. Em segundo lugar, dois textos de fôlego que mostram a riqueza da nova economia institucional na análise do crescimento econômico. Este aqui e este. Creio que Sanson – e seus orientandos – tanto quanto Leo Monasterio – idem – são fontes de leitura cada vez mais obrigatória nesta época em que economia regional não é mais aquela dos anos 50, mas sim algo perfeitamente integrado com a teoria econômica (ver Krugman e seu Nobel) ou a prática (ora, ora, veja a econometria espacial).