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Tire a mão da minha linguiça

O clássico da literatura brasileira, anunciado aí ao lado, vendeu mais algumas “e-cópias”. Interessante que é só gente que não conheço. Em outras palavras, ultrapassamos o cordão de isolamento dos “amigos-que-compram-apenas”.

Mas, em breve, terei um novo livro. Este sim, vai derrubar mitos, crenças, castelos de areia e convicções filosóficas. Deus estará morto e vivo na filosofia e, ao mesmo tempo, ele tocará um rock-and-roll na cabeça do leitor. Um novo clássico! Em breve, muito breve…

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Economia dos Economistas

Em várias oportunidades, neste blog ou em artigos, tenho tratado do problema da produção científica e dos incentivos. Nada mais esclarecedor do que este editorial, do último número de “Psicologia: Teoria e Pesquisa”. Repare como a editora faz um belo resumo dos incentivos distorcidos que o governo tem criado:

É consenso de editores que o crédito de autoria deve ser dado apenas aos que, de forma substancial, contribuíram intelectual e cientificamente na execução do trabalho Essa colaboração deve estar presente na concepção da pesquisa, no seu delineamento e na obtenção, análise e interpretação de dados. Segundo Goldenberg (2001), os autores devem também concordar e compartilhar a responsabilidade pelos resultados. “Não se deve adicionar autores ‘por conveniência’ sem participação efetiva nas etapas do trabalho” (Goldenberg, 2001, p. 2). Por fim, é atribuição dos autores, aprovar a versão final para publicação. Vale lembrar que sempre cabe o recurso do agradecimento em nota de rodapé aos demais colaboradores do artigo que não estiveram diretamente implicados em todos os processos de elaboração do mesmo.

Lamentavelmente, tem-se conhecimento de práticas abusivas nas quais se dá a inclusão de autores em artigos científicos que não participaram efetivamente da elaboração do trabalho. Em alguns serviços, por exemplo, alguns chefes abusam de seu poder hierárquico para obrigar a inclusão de seu nome em todos os trabalhos de seu grupo (Faintuch citado por Goldenberg, 2001). De acordo com o mesmo autor, há ainda casos em que a inclusão de nomes de determinados autores auxilia na visibilidade e no impacto da publicação.

Um dos possíveis motivos que conduzem a atitudes como estas pode ter suas raízes nas políticas adotadas por algumas agências de fomento à pesquisa na qual tem-se estimulado as práticas de publicação com acentuada ênfase na quantidade em detrimento da qualidade. Pressões dessa natureza, obviamente, não devem servir de pretexto para ações escusas e anti-éticas como as de apropriação indevida de crédito em obra intelectual.

Por outro lado, as próprias políticas que ditam os critérios de classificação das publicações científicas podem estar fomentando indiretamente a prática de inclusão de autorias pluri-institucionais. Em particular, a proporcionalidade na representação geográfica dos autores à qual as revistas se vêm obrigadas a contemplar – caso queiram aceder ao patamar de maior qualificação -, de acordo com critérios de avaliação da CAPES/Qualis, pode elevar substancialmente as chances de publicação de um artigo quando neste constem autores de instituições de diferentes regiões geográficas do país e, com ainda melhores perspectivas de classificação se os autores forem afiliados a instituições estrangeiras. Os editores devem estar muito atentos a esses ditames para não permitir que o alcance geográfico se sobreponha à dimensão do mérito científico e macule a conduta ética em seu ofício.

É por isto que eu me orgulho de ter co-autores muito bons. Mas a prática científica também tem co-autores ruins, como bem disse a editora no trecho acima.

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Robert Shiller, as bolhas e a economia comportamental

Eis um bom artigo publicado na mídia. Faço a ligação com o post anterior. Como disse Mises, boa teoria é sempre julgada com relação às alternativas. Nada de austrianismos. Assim, você pode passar anos falando de “malinvestiment”, mas foi o pessoal de economia comportamental que desenvolveu a teoria. Não é a toa que Mark Skousen, notório austríaco, mudou de um radical austrianista (quem não se lembra da foto horrorosa dele rasgando o livro introdutório de Paul Samuelson?) para um entusiasta divulgador da economia (comportamental e outras) em seu recente (e recomendável) Econopower.

Sobre a estratégia austríaca, aliás, endorso quase tudo – senão tudo – que Peter Boettke disse no post anterior. Este é o caminho.

Sobre as bolhas, bem, bolha é bolha e Shiller mostra que ainda estamos longe de algo mais concreto quanto a previsões sobre as mesmas. Talvez Shiller seja mais consistente, creio, do que Noubini, para dizer algo a respeito. A dica é que se você quer estudar bolhas, terá que passar pelos microfundamentos tradicionais acrescidos de elementos da nova economia comportamental para fazer algo sério. Um programa de pesquisa interessante é fazer a interação com gente séria da Psicologia (gente que não dá fricote quando abre um livro bacana como o Psicometria (1998) do Pasquali) para estudar economia comportamental e fundamentos da ação coletiva e seus impactos no curto e no longo prazo.

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A pesquisa em economia austríaca que funciona

Peter Boettke tem uma excelente resenha sobre a economia austríaca (e sobre porque Paul Davidson continua sem entender nada sobre muita coisa). Está aqui. A prova cabal de que austríacos legítimos não são dogmáticos, mas se submetem ao teste do mercado das idéias está aqui.

But Mises nowhere imposed a freezing of economic knowledge around his theories. In fact, as Mises explicitly said: “Science does not give us absolute and final certainty. It only gives us assurances within the limits of our mental abilities and the prevailing state of scientific thought. A scientific system is but one station in an endless progressing search for knowledge. It is necessarily affected by the insufficiency inherent in every human effort. But to acknowledge these facts does not means that present-day economics is backward. It merely means that economics is a living thing — and to live implies both imperfection and change.” (p. 7)

Later on Mises states again clearly that in matters of science: “All that man can do is to submit all his theories again and again to the most critical examination.” (p. 68)

p.s. se era só retórica, dançou, he he he.