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NEPOM

Ontem, novamente, tivemos a reunião do NEPOM, o Núcleo de Estudos de Política Monetária do IBMEC-MG. A reunião, aberta ao público, foi uma das mais difíceis que já tivemos, dadas as mudanças no cenário mundial. Luiz, Renato, Pedro, Éverton, Chris e o novato Rafael (um ajudante observador em estágio probatório, digamos assim) mandaram muito bem.

A turma amudereceu e melhoramos a tecnologia: agora temos um VAR. Nossas estimativas nos levam à conclusão de que é alta a probabilidade de que o COPOM aumente a Selic em 0.5 pontos percentuais. Há, apesar da crise, indícios de que pressões inflacionárias ainda persistem.

Ao invés do tradicional blá-blá-blá sobre os dados, permita-me, leitor, uma breve digressão teórico-empírica que diz respeito ao nosso trabalho.

O momento atual lembra muito o debate da Curva de Phillips e da mudança da econometria nos anos 70 por conta do choque do petróleo. Basicamente, variáveis aleatórias que eram pouco voláteis passaram a apresentar oscilações marcantes. Se as mesmas deveriam estar em nossos modelos por uma questão de especificação teórica é algo que só podemos testar agora. Grosso modo, é difícil saber se houve omissão de variáveis (independentes) relevantes porque as mesmas não variavam muito antes e, portanto, não influem em nossas variáveis dependentes. No momento em que as oscilações ocorrem fica fácil dizer que o modelo estava mal especificado previamente.

Eis, em resumo, como a crise dificulta a previsão atualmente. Nada diferente do que um engenheiro faria ao descobrir que a planta do prédio continha um erro ou do que um médico faz ao notar que o paciente apresenta novos sintomas até então ausentes dos diagnósticos anteriores.

Ainda assim, o grupo dos bravos citado acima enfrentou o desafio. Em resumo, nosso histórico tem sido interessante. Começamos com uma regressão capenga, passamos para um probit que prevê o que o Banco Central irá fazer, depois os alunos começaram a fazer previsões de algumas variáveis-chave e, agora, temos mais previsões de (mais algumas ) variáveis e também um VAR.

O NEPOM é, hoje, uma referência para mim. Uma referência de que qualquer aluno, com vontade, aprende mais do que se ensina em sala. Basta transformar o desejo em esforço.

Agradeço em meu nome e em nome dos membros do grupo às perguntas e sugestões de todos, especialmente às dos professores Salvato e Coutinho.