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Quem te viu, quem te vê, militância…

Quem diria que uma sexóloga moderna nos anos 80 seria uma retrógrada no século XXI. Isto sim é o fim do liberalismo. Pelo menos do liberalismo quanto à sexualidade dos indivíduos.

p.s. o liberalismo ganha com a diversidade. O não-liberalismo ganha com a adversidade, creio.

p.s.2. Jânio Quadros deve estar rindo à beça no outro mundo…

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Os iguais se atraem…ou seriam os opostos?

Lucifer
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Nossa mãe, essas discussões são tão construtivas… aprendo tanto lendo isso… e sempre nso marcos do capital, dos lucros, da possibilidade de continuarmos vivendo em ciclos. Bem acadêmicos e sempre distante do mundo real… que bom…

Mais um choroso que aparece por aqui pensando “nso” marcos do capital (vai ver é corredor de maratona) e alucinado com a vida incerta. Nem um pós-keynesiano se espanta com os ciclos. Mais ainda: acha que “academia” é algo distante do mundo real. A boa notícia é que meus alunos sempre me dizem que adoram ler este tipo de comentário: percebem que têm menos concorrentes.

Volte sempre Lucifer, mas sem tanta mágoa.

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Entrevista com Renato Lima

1. Renato, este blog sempre faz críticas ao jornalismo econômico. Você, como jornalista, tem todo o direito de revidar. Como você vê a prática do jornalismo – inclusive o econômico – no Brasil? Há críticas? Elas procedem? Qual, enfim, é sua visão?

Temos alguns veículos de boa qualidade. O Estado de São Paulo faz uma das melhores coberturas nacionais e o Valor é disparado o mais abrangente veículo de economia. Na mídia regional, a qualidade flutua bastante, mas há notáveis contribuições.

Os erros do jornalismo econômico são mais fáceis de mensurar. Entretanto, acredito que mais freqüentes, e perniciosos, são os erros do jornalismo político. Aí inclui a relação questionável entre jornalistas e fontes em Brasília, muitas vezes querendo plantar matéria para ver a reação da sociedade. Em cultura, decaímos muito em relação ao que existia de cadernos culturais jornalísticos em décadas passadas. Mas ganhamos excelentes veículos na Internet, como o Digestivo Cultural. E há também o Café Colombo – um programa de rádio que está disponível para podcast, em www.cafecolombo.com.br e que sou um dos apresentadores. heheheh

Na questão da qualidade, identifico um problema geral e outro específico para o jornalismo econômico. O geral é que em jornalismo se tem uma carga de trabalho muito elevada e salários pouco atraentes. A reportagem das redações, em sua maioria, é composta de pessoas jovens. E, quanto mais jovem, mais difícil ter a memória de eventos. Dessa forma, o presidente fica livre para falar “Nunca antes neste país…”.

No caso de jornalismo econômico, há um agravante particular de seleção. Nas faculdades de jornalismo são poucas as que possuem cadeiras, com alguma qualidade, de economia. Mais difícil ainda é um foca que sonha estagiar em redação numa editoria de economia. A universidade não forma e o povo não quer. Entra, muitas vezes, porque sobra vaga e é emprego. Economia é vista como algo complicado, cheio de números, difícil de ser desvendada. Esse profissional, que cai de pára-quedas assim, é o mais fácil de ser enganado por uma fonte. Isso eu acho que dá um estudo interessante para mensuração, Cláudio…heheheh

2. Imagine que tenho um jornal e quero lucro. Publico uma matéria tendenciosa sobre algum político. Qual a solução? Menos liberdade de imprensa? Existe – e se existe, funciona? – auto-regulação da imprensa neste
aspecto? O que sua prática diz? O que você nos conta do mercado jornalístico a este respeito?

Mais, muito mais liberdade de imprensa. Para o erro de um, que exista outro veículo que vigie e aponte erros do outro. Acontece que, para isso, não basta existir apenas a liberdade formal. A qualidade de imprensa e sua liberdade estão diretamente relacionadas ao acesso a recursos/patrocínio. Quanto menor é a concentração de publicidade em alguns poucos anunciantes, mais arriscado é tocar em determinados temas.

Em um estado inchado, em que a máquina pública captura mais de 40% do PIB e o restante também virou dependente do Estado, como é possível ter liberdade para criticar? Digamos que eu faça uma revista de petróleo. Diga que a Petrobras está mal gerida, que os programas de biocombustíveis têm muita politicagem etc. Quantos anúncios da Petrobras vou ter? Zero. Ok, compreensível. E de fornecedores da indústria de petróleo? Provavelmente zero também. É muito arriscado apoiar quem bate de frente a um governo tão inchado.

No Brasil, quem mais agüenta levar “porrada” da imprensa é o poder legislativo. Eles estão sempre muito expostos. O Executivo tem suas formas de pressão e o Judiciário um enorme poder de dissuasão não amigável… Soube de caso de juiz trabalhista que ameaçou veículo de comunicação que, se publicasse determinada matéria, as causas trabalhistas em litígio pela empresa seriam todas perdidas. Criticar o Judiciário, no Brasil, é o que dá mais dor de cabeça.

3. Assessoria de imprensa e jornalismo: como você vê estas profissões? Pode-se dizer que um assessor de imprensa também tem “muita liberdade”?

Nunca trabalhei em assessoria, sempre estive do lado de cá. O que se normalmente pede do assessor é não vender pauta gato por lebre e auxiliar coisas práticas (foto do entrevistado, horário de entrevista) etc.

4. Renato, você já expressou sua opinião algumas vezes sobre o liberalismo, a economia de mercado e a sociedade brasileira. Existem liberais no Brasil? O povo é liberal? E a economia de mercado? O povo, na sua opinião, gosta de economia de mercado? Ou vivemos em uma sociedade rent-seeking?

Não sei se dá para saber se o brasileiro gosta de economia de mercado ou nunca provou – por aqui. Acho que os incentivos econômicos existentes (e aumentados) são para pedir mais proteção e rent-seeking. É uma questão de instituições. O mesmo povo que aqui pede isso vai para os Estados Unidos ou Canadá (novo destino migratório do Brasil) e trabalham arduamente. Iniciam pequenos negócios e gostam de saber que,
por lá, não tem espaço para jeitinho brasileiro.

Vivemos atualmente uma tragédia da juventude: a busca insana por concursos, estimulada pelo governo federal. A mamata pública dá, no Brasil, estabilidade de emprego e salário, greve remunerada, aposentadoria integral, status. Especialmente nas áreas meio. Todos esses benefícios que terão que ser pagos com o árduo trabalho daqueles que se sujeitam as intempéries do mercado, ao sobe e desce das cotações, às preferências dos consumidores etc. Tendo um incentivo como esse e preferir a economia de mercado é algo quase insano. Peraí que vou ali tomar o meu remédio controlado…

5. Outro dia, Adolfo Sachsida, professor universitário da UCB (Universidade Católica de Brasília), sozinho, sem apoio de qualquer entidade, fez uma passeata liberal em Brasília. Qual o significado disto para os tradicionais think tanks liberais (Ordem Livre, o Instituto Millenium, o IL-RS, o IL-RJ, o IEE e, agora, o Instituto Mises Brasil)?

Os indivíduos podem fazer a diferença na história e espero que Sachsida seja um desses. E, com a internet, o que seriam indivíduos dispersos podem se agrupar e trabalhar de forma conjunta.

Veja, eu devo boa parte da minha formação à atuação de institutos liberais. Do IL-RJ, fui um dos vencedores do I Prêmio Donald Stewart, junto com Diogo Costa, do Ordem Livre, e Rafael Ferreira, colega que fez jornalismo comigo aqui na UFPE e hoje cursa o mestrado em economia da EPGE, RJ. Comecei lendo algumas traduções do IL-RJ e aprofundei leituras depois. Do IEE já cobri umas quatro vezes o Fórum da Liberdade e acho a estrutura organizacional do grupo fantástica. É muito fechada (tem que ser empresário ou estar na linha de sucessão de uma empresa) mas tem sua justificativa (estar sujeito aos riscos de mercado).

Mas sinto falta de Think Tanks como há nos Estados Unidos ou Reino Unido. Que produzam papers e policy reports. Essas primeiras organizações liberais tiveram um papel vital de juntar pessoas para discutir idéias e traduzir obras importantes. O que deve continuar. Acho que poderíamos dar um segundo passo nesse sentido, com uma agenda mais propositiva, analítica e política mesmo – no sentido de influenciar as decisões.

6. Bem, fique à vontade para finalizar a entrevista.

Como diria Henry Hazlitt – um grande jornalista econômico – a arte da economia é perceber não apenas os efeitos imediatos, mas os efeitos de longo prazo de qualquer ação política, rastreando as suas conseqüências para todos os grupos. Isso é o que precisa ser exercitado sempre também no jornalismo econômico. Há uma dificuldade de se fazer esse bom jornalismo numa economia de mercado. Os efeitos visíveis são muito mais fáceis de serem reportados, entrevistados etc. Quando o governo aumenta o salário mínimo, por exemplo, é fácil saber quantas pessoas vão ser beneficiadas e com quanto. Os que perderam
emprego (na margem) não estão organizados em associações, estão dispersos. Da mesma forma, concurso do governo dá manchete, mas não colocam, na mesma matéria, que para custear essas novas vagas outras
terão que ser destruídas no mercado de trabalho. Se a população estivesse mais bem informada dos efeitos negativos das ditas políticas boazinhas, talvez o apoio a esse Estado intervencionista fosse menor. Mas, independente desse fim (diminuição do apoio ou não), o bom jornalismo deve ser praticado olhando efeito intencional e o efeito não intencional.

Abraços

Renato Lima

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Pesquisas pouco explicadas (ou explicativas)

Veja só esta, sobre educação e reeleição. Resumo: o jornalista diz que se encontrou o seguinte resultado: gastos em educação não garante a reeleição. Cá para nós, o que isto nos diz? Nada.

Exemplo: o presidente da Silva, em 2002, disse que manteria a política ortodoxa do presidente Cardoso. Resultado? Cardoso não reelegeu o sucessor.

Assim, das duas uma: ou a matéria está incompleta ou a pesquisa é muito primária. Quem souber mais sobre ela e quiser nos ajudar, agradecemos.

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A questão política de Krugman

Meu xará deixa um comentário que, inclusive, incomodou alguns colegas da blogosfera. Entretanto, acho que o final do texto resume tudo:

Agora fica uma pergunta: no passado e no presente outros grandes nomes deixaram de ganhar o prêmio. Dá para afirmar com 100% de certeza que, apesar do provável merecimento, suas posições políticas não afetaram em nada a escolha? Essa é uma sombra com a qual Krugman terá que viver para o resto de sua vida.

Pois é, xará. Mas eu acho que se pensássemos em ideologia, talvez a premiação conjunta de Hayek e Myrdal (este último, realmente, um alucinado) tenha sido mais interessante para a época em termos de discussão ideológica.

Querendo ou não, Krugman, como bom colunista político, é um ótimo economista. Talvez a Academia possa ter premiado o nosso colega que, como disse alguém na blogosfera (creio que foi Caplan), no caso de uma vitória de Obama, muiiiiiiiiiiiiito provavelmente cessará suas críticas ao governo norte-americano por pura preferência, para lembrá-lo disto. Ou seja: pare de se concentrar em bobeiras e vá fazer o que sabe fazer de melhor.

p.s. talvez Krugman pense que tem vantagens comparativas no jornalismo ou, claro, talvez tenha ambições políticas. De qualquer jeito, a tal nova geografia econômica fez muito pterodoxo da ala heterodoxa se curvar à teoria neoclássica com o rosto ruborecido…

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Contribuinte brasileiro levou o cano

Governo do Equador anunciou que vai dar o cano. O contribuinte que ganha bolsa X ou subsídio Y pensa que ganha sempre mas eis um caso no qual não ganha porque, ao final, pode ser que tenha é que pagar mais. Afinal, ou o governo aumenta a carga tributária, ou aumenta a inflação, ou aumenta a dívida para cumprir suas metas de orçamento equilibrado. O que? Reduzir gastos? É, foram-se oito anos de oportunidade. Ninguém quis arriscar ser um verdadeiro reformador da administração pública federal neste período (se bem que a FAB andou se transformando em “ônibus escolar” no período, o que foi bem inédito ou digno de censura se ocorresse nos “anos de chumbo”…).

Solução? Diplomacia não-ideológica. Só deste jeito.

p.s. aposto que alguém do governo irá querer bancar o Henry Paulson brasileiro e dirá que a Odebrecht precisa urgentemente de ajuda para não falir. Pena que não é um banco, não é?