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II PND nos olhos dos outros é…

Lembra do debate sobre se deveríamos gastar mais dinheiro do contribuinte para gerar crescimento ou nos ajustar? Lembra? Ah, você não era nascido. Ok, leia lá os manuais de Economia Brasileira. Alguns de seus autores, veja bem, estão hoje na administração da Silva.

O que será que eles acham da lambança que pode ocorrer? Nem o argumento da legitimação eles têm mais…

Ironias do destino…

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Mercado e Liberdade – Comentários de um Espectador Levemente Engajado

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http://comunicados.ibmecrj.br/temp/2008925153650.jpg

Ok, o encontro foi muito bacana. Primeiro, pela surpreendente quantidade de pessoas. Não muitas, mas muito mais do que eu esperava. Registra-se a presença de não-liberais (radicais) como Philipe do Matizes, Igor do Quatroventos e Áurea. Faz tempo que tento reencontrá-los em botecos.

Tivemos também a Luciana, minha ex-orientanda e ex-estagiária do CATO Institute, uma liberal estatal (piada endógena), o Juliano Torres (que foi o autor intelectual desta deliciosa subversão na faculdade), o Pedro Homo Econometricum (nosso econometrista-chefe do NEPOM).

Ah sim, o velho Instituto Liberal de Minas Gerais teve alguns amigos presentes: o eloquente Álvaro, o entusiasmado Ildeo e o discreto Sérgio.

Uma visita inesperada – e bacana – foi a do João, do IEE de Minas Gerais. Nossa faculdade tem muito empreendedor potencial, mas quase nenhum conhece o IEE, o que é uma terrível falha de mercado que o João e eu buscaremos corrigir (espero).

Bem, as palestras. Paulo Uebel tem tudo para levar o Instituto Millenium para frente. Muito boa a palestra. Explicou corretamente os pilares que o Instituto defende. Valeria a pena ter os slides disponíveis na página do mesmo. Paulo vem do IEE gaúcho que é um dos mais antigos e atuantes think tanks brasileiros na defesa de uma sociedade melhor para todos. Para quem acha que economia de mercado é um anacronismo ou uma palavra feia, a palestra do Paulo deve ter sido chocante.

Hélio Beltrão Jr. é filho do saudoso Hélio Beltrão, que tentou melhorar a vida de muita gente no final do regime militar. Hoje em dia os professores do ensino médio se esquecem de citar este nome e a juventude pensa que nunca existiu um esforço para desburocratizar o governo. Uma pena. Mas vamos à palestra. Hélio tentou explicar a crise atual do ponto de vista da economia austríaca (aliás, você sabia que há a possibilidade de você conhecer mais sobre isto no próximo semestre?), pilar do Instituto Mises Brasil. Não sei se concordo com tudo o que ele disse, mas foi uma palestra que despertou muitas perguntas.

Ah sim, João, do IEE-MG fez uma breve apresentação do Instituto para a platéia. Ao final do evento ele me surpreendeu positivamente sobre como funciona a dinâmica do instituto em Minas Gerais. Acho ótima a iniciativa mas sou sempre um pessimista. Portanto, para ele me impressionar positivamente…

O evento foi tão bacana que, ao invés de terminarmos às 21:00, fomos até 21:30. Alguns compraram camisas do Instituto Mises Brasil pela módica (mesmo!) quantia de R$ 10,00. Normalmente eu faria as honras da casa e sairia com os dois palestrantes para um jantar agradável. Bem, o legal é que o jantar foi, de fato, agradável. Mas o clima informal dominou o ambiente. Bruno do Sobretudo e mais alguns de seus amigos, meus dois monitores, o Fernando (Econometria II) e o Pedro (Teoria dos Preços) e mais um bocado de alunos e visitantes de fora da faculdade se juntaram ao Álvaro, eu, Hélio, Paulo, Ildeo, Juliano Torres na proposta de um “chopp”. O papo, novamente, rendeu. Foi muito bom. Fechamos o Sushi Beer à meia-noite e levei os palestrantes para os respectivos hotéis. Um dos alunos tirou algumas fotos e prometeu me enviar mas, até o final deste texto, nada de novo em minha caixa postal.

Surpreendentemente, para mim, há muito jovem crítico e inteligente por aí. Sempre fui pessimista quanto à velocidade na qual jovens inteligentes superariam a criminosa lavagem cerebral que alguns pedofilosófos lhes fazem no suposto ensino pré-universitário (e universitário). Não é necessário ser liberal para escapar disto, claro. Philipe e Igor – já citados – são bons exemplos de vida inteligente na blogosfera sem que sejam, necessariamente, austríacos ou liberais de outro matiz. Pedro Sette, uma vez, chamou-me a atenção para isto: há muita gente boa que escreve textos articulados, gostosos de ler e interessantes (ele mesmo é um destes jovens).

O evento, então, parece ter cumprido seu papel. Tivemos a informalidade típica dos liberais que, sim, são meritocratas mas, não, não são arrogantes (eu sei, eu sei, há exceções pouco honrosas, mas não neste caso) e tivemos o debate. Se as pessoas entenderam um pouco melhor sobre mercados e as vantagens de uma democracia liberal, é algo que somente saberemos no futuro. Mas, veja só, não é isto o que Hayek sempre dizia?

Obrigado ao Paulo Uebel e ao Hélio Beltrão Jr. Obrigado também ao João, do IEE, pela divulgação de uma nova opção para a formação complementar de futuros empreendedores.

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A microeconomia que ministro (claro) nunca vê

Autoridade não passa pelo que o Duke relata. Tem gente que precisa olhar um pouco para o que escreveu antes de fazer discurso. Ou um cargo público muda tudo?

O bom da blogosfera é que não existe apenas otário comentando. Existe gente como o Duke que vai além da reprodução bovina de muita redação “supostamente” jornalística e vai fundo na crítica. Em resumo, a microeconomia do sistema bancário brasileiro não pode ser desprezada.

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Curva de Phillips, a crise mundial e você

Introdução (com vaselina)

Já ouvi professor – na minha juventude, claro – dizer que “não acredita em curva de Phillips”. De fato, é uma colocação inédita porque a curva nunca disse que deveria ser “acreditada”. De qualquer forma, o fato é que, como na história econômica, chegou ao governo, olhou os dados, qualquer sujeito inteligente passa a acreditar na curva. Pode, isto sim, questionar a maior ou menor relevância da mesma o que não é a mesma coisa de “acreditar” porque se a curva não existe, não há como discutir sua relevância, certo?

Deixando de lado a ignorância voluntária (uma típica característica de economias que funcionam com expectativas racionais e burrice acadêmica no que eu chamaria de “Teoria (minha, claro) dos Ciclos Reais de Economistas Burros”), eu tentava obter o artigo interessante neste link mas só consegui obtê-lo sem falhas aqui. A discussão me parece bem mais interessante do que aquela da ignorância voluntária (cuja correlação com o wishful thinking ideológico é próxima de 1 para a Torre, mas pode ser também próxima de -1, como o leitor vê neste meu pequeno texto).

Vejamos um pouco da conclusão:

Our estimates suggest that there has also been a flattening in this “structural” model, that is, there has been a change in the pricesetting behaviour of firms. In particular, it appears that the duration between price resetting may have lengthened. Many of the common explanations for changes in the price-setting behaviour of firms are related to globalisation. While globalisation may alter the relationship between the output gap and marginal costs, it is unclear why it would alter the link between marginal costs and inflation in a way that corresponds to a flattening of the Phillips curve. In a structural model the deep parameters in the Phillips curve should be invariant to changes in the conduct of monetary policy. However, one potential explanation is that lower trend inflation resulting from the improved conduct of monetary policy may account for the more infrequent price resetting and hence the flattening Phillips curve, a possibility which is not accommodated in the benchmark new-Keynesian model. In all, it appears that after 50 years there is still considerable work to be done in order to fully understand the relationship between aggregate activity and inflation.

Repare bem, leitor, na importância da inteligência do economista – como eu disse antes – na conclusão. Uma prática de política monetária só melhora se o sujeito, ao invés da ignorância voluntária, discute a relevância (e as causas das mudanças na relevância, claro!) da curva de Phillips, não descartando-a de maneira irresponsável.

Eu sei que a discussão já vem lá da questão da relação entre abertura e inflação – algo já explorado por muita gente como, por exemplo, o Sachsida, mas, novamente aproveito para ressaltar: a curva de Phillips está mais próxima de você do que comumente se imagina.

Implicações para o ensino de Economia

a) Cursos universitários que se vendem como “com ênfase em Finanças” não terão futuro se não ensinarem boa teoria econômica. A crise global acabou de mostrar a todos este óbvio fato. Assim, por exemplo, como um robozinho que replica modelos no Eviews sem entender a relação do mesmo com a economia reage ao observar diversos arranjos institucionais sendo criados para lhe tributar em prol do bailout? Ele não reage porque não entende o que se passa. Eu, Laurini e Selva, sem dúvida, concordamos com este ponto. Qual o bom profissional necessário no mercado, neste momento? Resposta simples: aquele que entende de incentivos e, incentivos bem desenhados, só em Economia, com o perdão dos colegas das Humanas (e os humanóides que nos assombram).

b) O estudo de História Econômica sem um bom arcabouço econométrico é lixo, vamos dizer com todas as letras. Em um momento como este, vários “supostos” experts (na verdade, verdadeiros espertinhos) se vendem com histórias bacanas sobre a crise de 1929 sem nunca terem lido o clássico de Milton Friedman e Anna Schwartz. Analogias irresponsáveis pululam da boca desta gente para os bloquinhos mal rascunhados dos apressados jornalistas e param nos jornais sob manchetes pomposas ou barulhentas. Ninguém se esforça para explicar, de fato, o que ocorreu. Uma nova geração de historiadores econômicos existe (eis aí o Renato Colistete, o Renato Leite Marcondes ou o Fábio Pesavento, que eventual e raramente aparecem nos comentários deste blog) para nos salvar…espero.

c) Tudo o que eu falei em (a) e (b) certamente não afeta a vida de muita gente. Eu sei que você pode, por um bom preço, comprar seu diploma em uma graduação aqui, ou uma pós-graduação da esquina ali. Sem problemas. Mas a acumulação de capital humano no país não é igual ao número de diplomas expedidos pelo MEC. Aliás, nem o MEC sabe bem o que é capital humano. No caso do economista, no Brasil, há uma discussão sem sentido entre o que é ou não teoria econômica em algumas manjedouras que bem podem ser localizadas por aquele povo de economia regional com suas colméias de Lösch (o amigo do Mário Lösch, claro!). A irrelevância da discussão é proporcional à luta pelo poder nas burocracias municipal, estadual e federal. Alia-se à falta do que fazer uma pesquisa de má qualidade e você tem como resultado o atraso no conhecimento científico. Atraso de anos, é bom lembrar. Um programa de pesquisa deve ter relevância para a sociedade se for financiado com fundos públicos. Nada contra a sociedade financiar discussões de economistas sobre o que realmente disse Groucho Marx ou sobre o verdadeiro significado do charuto na boca de Freud. Mas é imoral não dizer à mesma sociedade que a discussão financiada é esta (tudo isto não se aplica a financiamentos privados, cuja honestidade e transparência no pedido é sempre um pré-requisito).

Retorno ao exemplo do Sachsida: naquele artigo entendeu-se mais sobre o impacto da inflação na economia. O começo de tudo está na curva de Phillips, aliás, alvo deste longo comentário. Perguntas óbvias: em uma crise desta, o custo social de um pacote Paulson-Bernanke para a economia norte-americana é alto ou baixo? Gera inflação? Tem a ver com a inclinação da curva de Phillips? Como? Todas estas perguntas têm as mesmas respostas na economia brasileira? Por que?

Acho que salvei uns duzentos leitores sérios que procuravam temas de monografia. Os demais (não-sérios), como sempre, deixarão aqueles comentários imbecis (= mal-educados + pouco ilustrados) que, solenemente, ignorarei para honrar suas progenitoras que, aliás, são apenas culpadas involuntariamente em 95% dos casos (estimativa segundo o Datachute).

Bom domingo!

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Incentivos importam, mas é dever dos economistas ensinar o melhor desenho dos incentivos para os leigos

Talvez tenhamos aqui um exemplo claro disto: o seguro para depósitos bancários introduzido pelo governo neozelandês:

Bank Deposit Guarantee – information release

Following the Prime Minister’s and Minister of Finance’s announcements this afternoon regarding the proposed Crown Guarantee of deposits, certain documents are now available.

12 October 2008 RBNZ and Treasury release detail of deposit guarantee scheme The Minister of Finance announced today that the Government has introduced an opt-in deposit guarantee scheme. The scheme covers deposits for New Zealand-registered banks and eligible non-bank deposit-takers (including banking societies, credit unions and finance companies). As noted in his statement, the Reserve Bank and the Treasury are now releasing more detail about the scheme.

Finance Minister Michael Cullen has announced that, using his powers under the Public Finance Act, the government is to introduce an opt-in retail deposit guarantee scheme.

Em um dos pequenos FAQs que o leitor encontrará há uma simples explicação do novo esquema, inclusive sobre o custo para o governo e o caráter realmente emergencial da lei (algo que, no Brasil, não existe, já que todos os governos preferem ignorar o Parlamento com suas incrível cara-de-pau expressa em insanas medidas provisórias…).

Se eu fosse professor de Economia Monetária, pediria aos alunos um trabalho sobre o papel dos incentivos neste caso. É uma chance interessante de se comparar diferentes medidas de política monetária pelo mundo. Afinal, a diversidade – própria do mercado – é que nos permite testar diferentes esquemas e ver qual o melhor. Obviamente, instituições importam, mas isto só reforça meu argumento: diversidade institucional gera diversidade de políticas públicas e, pelo que a história mostra, as menos pró-mercado resultam em catástrofes.

p.s. note a diferença com o que fez o Banco Central da Austrália.

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Circuit Break Test – inovação para o ensino universitário

Como o leitor deste blog sabe, no Brasil já temos arautos da crise há anos. Há quem diga que Karl Marx já havia previsto a crise há séculos (sic), outros que Schumpeter teria visto um futuro inevitavemente kafkiano para o sistema solar. Outros, ainda, que Keynes já havia dito que a sexualidade e o capitalismo seriam instáveis, vá lá. De qualquer jeito, seus adoradores saíram por aí pregando políticas industriais gastadoras ou a simples ajuda com o dinheiro alheio. Não importa. O que importa é se adaptar aos novos tempos. Assim é que proponho o novo tipo de exame para cursos universitários, o circuit break test (c).

Como funciona? Vamos dar um exemplo simples. Imagine uma sala de aula cheia de alunos. Há os que estudaram pouco, os que não estudaram e os que trocaram o banheiro pela sala e estão lá fazendo aquela m***a na prova (normalmente são os que mais reclamam do professor no final). Há aquele desespero, todo mundo acha que você tem uma missão única na vida, que vai além de respirar ou pensar, qual seja, tirar a dúvida do mané. No momento, a sala está cheia daqueles caras que pensam que estão na feira e tumultuam a prova com perguntas ou observações chorosas sobre a dificuldade das questões. Esta é a tal “crise global”: quem foi esperto, estudou. Quem não foi, claro, chorou.

De repente…circuit break! Em outras palavras, o professor recolhe todas as provas – inclusive a dos chorosos – e diz que vai dar pontos pelo que foi escrito corretamente. Faz-se aquele segundo de silêncio. Espanto. Todo mundo com a cara de “ohhhhhhh!!!!”. Aí começa o novo choro sobre algum tipo de relação – normalmente sem sentido – entre o tempo infinito que o sujeito precisa para somar 2 e 2 porque não teve pônei na infância (nada de maldades, heim, leitor pervertido!) e tudo o mais. Aí você inicia o momento Paulson-Bernanke (c): grampeia nestas provas mais questões e anuncia para a galera que eles têm uma segunda chance de mostrarem sua capacidade mas que, agora, o valor da prova caiu e você não sabe quanto vai ser o total possível nesta prova.

Note que, como no mundo real, os bons pagam pelos erros dos ruins já que a média da turma iria cair muito o que, para os preguiçosos, é uma “crise global”.

p.s. (c) é igual aqueles engraçadinhos que patenteiam metodologias no mercado financeiro (a patente de algumas inovações deve estar bem baratinha agora, he he he). Portanto, os dois termos principais deste magnífico texto foram patenteados e você deve me pagar (rios de) dinheiro pelo seu uso.