Himmler salvou sua vida a um pequeno custo ou “Estudos arqueológicos sobre o planejador supostamente benevolente”

Há algum tempo eu coloquei, neste blog, meus agradecimentos ao Filisteu, por me indicar um livro sobre o uso da ciência na Alemanha nazista. Eu não havia tido tempo de continuar minha leitura mas, hoje de manhã, ao retomá-la, eu me deparei com uma incrível história: a dos dispositivos de segurança noturna em bicicletas.

Como todo mundo já deve ter reparado, uma das formas de se minimizar acidentes de trânsito com ciclistas é colocar aqueles pedacinhos coloridos de plástico (ou algum outro material) nos pedais. Bacana, não? Evita acidentes e deixa todo mundo feliz.

Pois bem, este dispositivo foi inventado por Anton Loibl, um militante nazista que era um maquinista e também professor de direção (uma espécie de instrutor de auto-escola da época, se é que existiam tais escolas…). Na verdade, houve outro alemão teve idéia similar mas, como não era chegado ao partido nacional-socialista, teve sua patente anulada.

Você pode se perguntar: será a ideologia tão poderosa assim que as pessoas não agem racionalmente, mas cegas pela fé em um Hitler?

Longe disto.

Na verdade, o contexto histórico era o seguinte: Himmler estava em busca de fundos para sua fundação cujo objetivo formal era pesquisar as origens da raça “superior” alemã e não queria fundos que pagassem impostos ou que dependessem de inimigos políticos do amalucado líder nazista. O que ele fez? Fez o que todo grupo de interesse faz quando deseja ganhar às custas dos outros: inventou uma desculpa “socialmente” bonita e mandou ver. Reproduzo o trecho em inglês mesmo:

“…in 1938 Himmler used his supreme authority as the head of the German police to pass a new traffic law. This required all new German bicycles to be equipped with Loibl’s reflective pedal.

German manufactures suddenly had no choice but to use Loibl’s design and pay licensing fees to the company owned by the inventor and the SS”. [p.140]

Eu sei, eu sei, você sempre pode dizer que políticos não se preocupam com mais ninguém além deles mesmos. É verdade, mas há uma diferença: no caso de estados socialistas (ou nacional-socialistas, tanto faz), o poder de coerção destes caras é muito maior. Vejam só, neste caso, como a análise de custo-benefício é insana: você tem menos mortes na estrada, mas as licenças de patentes ajudam a financiar pesquisas fraudulentas que, inclusive, incentivam muitas mortes nos campos de extermínio. A carga tributária e o peso morto, na verdade, formam uma notável união: o peso mortífero.

Bens públicos podem advir de intenções egoístas? Podem. Tanto que o mercado provê vários deles. A diferença é que quando alguém tem o monopólio da coerção, ele também possui o monopólio da distorção econômica, do poder de destruir a economia e as ações coletivas locais e, eventualmente, faz isto com um discurso parecido com o de nossos políticos quando afirmam estar preocupados com a sua ou a minha saúde.

A história é muito interessante. Pena que é tão mal analisada por nossos doutrinadores de esquerda.

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Uma resposta em “Himmler salvou sua vida a um pequeno custo ou “Estudos arqueológicos sobre o planejador supostamente benevolente”

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