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Pensamentos liberais

João L. Antunes, do IEE em Belo Horizonte, deu uma entrevista ao Diogo Costa, tem vários pontos interessantes para um debate. Algumas coisas que gostaria de saber: empresários realmente estudam Hayek e Mises? Na entrevista, João afirma – e eu acho que ele está correto – que autores como estes não são estudados nas faculdades. Eu sempre me pergunto onde está o interesse de um aluno de Administração ou de Economia nestes casos.

Explico-me.

Se o sujeito acha desagradável a falta de acesso a autores liberais, por que não pedem por uma disciplina optativa, uma alteração curricular ou algo assim?

A impressão que me dá é que, como o frustado proto-empreendedor tem que provar seu valor no melhor sentido “Ayn Randiano” – ou seja, tem que ser macho e provar para si mesmo que é um sujeito forte em princípios (como em The Fountainhead que, aliás, Cristiano Gomes não gostou, mas que eu, pelo mesmo motivo, gostei) fazendo provas sem medo de mostrar sua competência a ninguém, ele afina. Poucos são os que topam o desafio (o blog do Juliano Torres é um exemplo positivo, neste aspecto). Provas, trabalhos, tudo isto incomoda, embora sejam obstáculos positivos no caminho do aprendizado.

É fácil prever que pessoas realmente interessadas na leitura de autores busquem soluções alternativas como um clube de leitura e debates. Trata-se de uma consequência natural da falta de opção nas faculdades. É verdade que há, sim, muita doutrinação e má vontade ideológica por parte de muitos, muitos professores. Mas será que todos os alunos proto-empreendedores são, realmente, exemplos de gente sinceramente interessada em ler Law, Legislation and Liberty, de Hayek ou Human Action, de Mises e mais tantos outros textos? Parece-me que a cerveja no bar da esquina é uma opção mais fácil e agradável para a meninada.

Neste sentido, vejo com certo ceticismo a queixa de meus amigos liberais como no caso da entrevista citada. Há falta de informação sobre autores liberais nas faculdades, claro. Mas arcar com os custos do conhecimento não é um pensamento tão disseminado assim na sociedade brasileira. Basta pensar no grau de rent-seeking em nossa sociedade, da qual nossos empresários fazem parte. Portanto, antes de culpar os poderosos professores malvados e capazes das piores artimanhas para evitar que um menino leia Hayek, é bom perguntar sobre o demandante deste conhecimento. O que ele, realmente, fez, para conseguir estudar Hayek ou Mises na faculdade? Quanto de esforço ele empregou nisto? Quanto de seu tempo ele usou para buscar o conhecimento com seus professores?

Ah sim, duas coisas: a crítica do Cristiano sobre o filme de Rand está perfeita, mas é justamente pelos tipos exagerados (caricatos mesmo) que Ayn Rand ficou famosa. Para ela, creio, isto tinha uma função pedagógica. Após quase 40 anos nesta selva, acho que este tipo de filme acaba tendo um papel educativo. Mas Cristiano tem razão: é preciso paciência se você pensa em filmes com menos estereótipos. Claro que a sociedade não é um problema de binômios (o bem contra o mal, o limpo contra o sujo, etc), mas é sempre bom lembrar as referências.

O blog do Juliano Torres: não é a única forma de se buscar conhecimento sozinho. Pode-se ler em casa ou em grupo (como se diz na entrevista sobre o IEE). Mesmo assim, a boa e velha teoria econômica tem algo a nos dizer aqui: (a) se o cara não quer arcar com os custos de aprender sozinho, não aprende; (b) se deseja trazer conhecimento para si e para os colegas, enfrenta o clássico dilema da ação coletiva e não consegue obter este conhecimento.

Os nossos liberais têm um único desafio que consiste em vencer estes dois itens. Na minha opinião, ainda, não tiveram sucesso.

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A onda regulatória e seus incentivos

O governo analisa uma minuta de projeto de lei, de autoria do Ministério do Trabalho, que regulamenta o pagamento da gorjeta de 10% aos trabalhadores de determinados setores como hotéis, bares e restaurantes. A cobrança não é obrigatória, mas pretende evitar que esses estabelecimentos deixem de repassar a gorjeta aos empregados.

É preciso um pouco de inteligência para se perceber que é uma besteira uma regulamentação como esta. Não é só questão de burrice, é questão de pensar nas consequências de uma regulamentação assim e como a mesma se enquadra na onda regulatória da segunda administração da Silva.

A pergunta é: por que o desejo de servir tanto aos sindicatos em detrimento do bem-estar de todos? O Cristiano Costa certamente explicará a lógica simples desta regra em seu excelente blog, mas fica uma pergunta no ar: por que um projeto de lei irracional – e cheio de um discurso ideológico bobinho – pode se transformar em realidade? Em outras palavras, por que a vontade súbita de regulamentar a gorjeta? Talvez queiram criar jurisprudência para resolverem casos incômodos como os que assombram o poderoso partido do sr. da Silva.