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O que diria Celso Furtado?

Em capítulos que se tornaram clássicos sobre o modo como funcionava a economia brasileira durante o tempo em que lutávamos para aderir ao padrão-ouro, Celso Furtado descreveu com grande precisão um mecanismo que ele denominou de “socialização das perdas”, e que vinha acompanhado de outra síndrome nacional, a da “privatização dos ganhos”. Funcionava assim: na fase ascendente do ciclo de preços do café, as exportações cresciam e o câmbio tendia a apreciar (valorizar). Em função disso, os barões do café tendiam a se aliar à turma do padrão-ouro de forma a fixar a taxa de câmbio antes que valorizasse muito e deprimisse demais os ganhos dos exportadores. Na fase descendente, a aliança era desfeita: em vez de defender a paridade, o baronato preferia desvalorizar (deixar a moeda flutuar para baixo) ocasionando inflação e perda de poder de compra dos salários. Dessa maneira, como dizia Furtado, a desvalorização da moeda “socializava os custos” do ajustamento do setor cafeeiro ao tamanho que fazia sentido econômico.

Quando alguém usa recursos públicos para produzir um bem privado…e lucrar com isto, que nome se dá ao fato? Eis aí o que eu, a partir de hoje, nomeio de “Paradoxo de Celso Furtado do Rent-Seeking”. Em outra oportunidade eu elaboro o paradoxo de forma mais matematizada, mas a intuição, ao gosto da pterodoxia, está toda clara e auto-contida no trecho acima combinado com o link imediatamente anterior.

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Você sabe com quem está falando?

Eis o melhor exemplo de que, neste país, rent-seeking vale mais do que mérito. O sujeito ganha uma medalha de ouro, critica a burocracia cuba..digo, brasileira, e leva uma bronca. Mais ainda, a bronca é tamanha que o sujeito se curva e se humilha

Chega a ser nazista a história: falou contra o governo, a Gestapo vem em bate. Ou, na moderna versão bolivariana, você fala mal de Castro e tem a ração cortada. Claro, há também o temível efeito bolivariano na versão chavista cujo presidente sabe, exatamente, quem é opositor por conta de uma safadíssima lista de opositores que o governo obteve em um referendo (ou plebiscito, sei lá)

Agora, a pergunta máxima: o que diria Celso Furtado disto tudo?

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Boa pergunta

The real question, however, is the opposite: If I’m not old enough to drink, why am I old enough to die for this country?

Se eu não sei beber, porque é que eu posso votar? O voto pode gerar eleições ruins com consequências terríveis como a implamentação de más políticas para mim e para os outros (ou para os outros apenas). Estas políticas podem até resultar na emergência de uma ditadura, como vimos na Alemanha nazista. 

Proponho, assim, a proibição do direito ao voto para aqueles que bebem e dirigem. Também proponho a proibição do direito ao voto para os que tomam remédios e dirigem. Claro, os que estão obesos também devem ser proibidos de votar. Afinal, não conseguem nem se enquadrar nos padrões de saúde determinados pelos políticos da área de saúde!

Mais ainda, gente que estaciona o carro na calçada também não deveria votar. Gente que atravessa fora da faixa, idem. Obviamente, o povo que não tira média na escola também não deveria votar. Para ser justo, professores picaretas, que agradam alunos mas não ensinam, também não deveriam votar. Pais irresponsáveis que pensam que seus filhos são anjos também não deveriam votar (tem gente até que defende que nem tivessem o direito a gerar filhos…). Gente com tendências autoritárias – segundo algum critério de nossos burocratas da saúde e da neurociência – também não deveria ter o direito ao voto.

Aliás, burocratas também teriam de se submeter a todos estes testes e deveriam ser avaliados por uma comissão independente que, obviamente, teria de ter reconhecida imparcialidade e iluminação divina (claro que Deus teria de ser uma garantia última, né?) para julgar os burocratas. 

Pensando bem, porque não desistimos disto tudo e vamos para casa tomar uma? Opa, não podemos. Proibiram a cerveja (ou vão proibir em breve).

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Ahá

Depois da punição para quem mistura álcool e direção, o Ministério das Cidades estuda agora uma “lei seca” para usuários de remédios no País. A proposta do ministro Márcio Fortes já foi encaminhada ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), às Câmaras Técnicas e ao Comitê de Saúde e Segurança no Trânsito. A idéia é incluir um dispositivo na legislação que imponha restrição a motoristas que tomam determinados medicamentos, em especial os psicotrópicos (de venda controlada). 

O problema todo é o de sempre. Ou seriam os problemas?