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Eis aqui o sonho de todo bolivariano

Feito para homenagear os bolivarianos dos EUA (sim, eles existem), este vídeo é o sonho de muito bolivariano latino-americano. Mas se você não for bolivariano e sim inteligente, notará a mensagem corretamente…

Valeria ser legendado e adaptado para o Brasil, com o reconhecimento pelos direitos autorais…

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Do tempo em que a Venezuela exerceu seu imperialismo sobre o Brasil

Dentre os países da América Latina que investiram através da Instrução 113, entre 1955 e 1963, destacam-se o Panamá, com um investimento de US$ 8,8 milhões, a Venezuela, com US$ 2,3 milhões, Cuba com US$ 2,1 milhões e o Uruguai com US$ 1,0 milhões. Da África, a Libéria, único país africano que obteve licença de importação sem cobertura cambial, aparece com um investimento de US$ 700 mil (da empresa Remington Rand Liberia Corporation, em fabricação de máquinas para escritório e equipamentos de informática).

(…)

Os maiores investimentos venezuelanos foram feitos pelas empresas Clark Equipment International, C.A. (56% do total), no setor automobilístico e a empresa Cia. Nacional de Productos S/A. (21% do total) na fabricação de produtos químicos. O investimento cubano foi todo feito pela Cia. Ron Bacardi S.A. na Ron Bacardi S.A. A empresa cubana construía uma indústria em Pernambuco onde pretendia produzir rum, gelo seco e gás carbônico.51 Os investimentos uruguaios foram essencialmente das firmas Opciones S/A. (51% do total) em Atividades de Informática e Serviços Relacionados e da S.A. Sud Americana de Fomento Industrial (32% do total) na fabricação de produtos têxteis. [Caputo, A.C. (2007) – Desenvolvimento Econômico Brasileiro e o Investimento Direto Estrangeiro: uma análise da Instrução 113 da SUMOC – 1955/1963, dissertação de mestrado, UFF]

Ok, ok, o título faz uma piada com os “cabeças-de-documentos-de-Word” que não podem ver um investimento estrangeiro (fora do próprio bolso, claro) que já ficam assanhados com a urticária xenófoba nacional-desenvolvimentista que acha capital humano coisa de professorinha de primário e endeusa a industrialização-a-qualquer-custo (Teorema do prof. Masao Furtado/Nacional Kid e de seus alunos de shorts).

Mas veja, leitor, que interessante. A Instrução 113 foi uma medida “globalizante” (no vocabulário dos professores de “história” do ensino médio, especificamente no item “coisas ruins que você deve memorizar porque globalização é coisa do demônio, exceto se for com os governos alinhados com a minha ideologia”) que permitiu, inclusive à Venezuela, “explorar” o mercado brasileiro.

Haveria alguém disposto a falar de perdas internacionais e a reivindicar algum trocado pela “herança” histórica? Possivelmente. Aliás, é o que mostra Caputo, neste excelente trabalho. Como o grande investidor era os EUA, muito dos protestos xenófobos brasileiros tiveram força na época contra aquele país (o tal “anti-americanismo”).

O mais bacana é se perguntar sobre o efetivo impacto da Instrução 113. Quanto ela, de fato, representou em termos de industrialização? Digamos, se fosse 50% do PIB industrial, mesmo que a massa xenófoba (nacional-desenvolvimentista-com-pipoca) continuasse ignorante, ela teria a seu favor apenas o fato de que o tamanho do problema (para outros, vantagem) seria grande e valeria a pena discutir, mesmo que fosse para esta massa descobrir que perderia a discussão em 3 segundos.

Sabe quanto foi o percentual de investimento direto estrangeiro em relação ao PIB industrial por conta da “famigerada” Instrução 113, leitor? Não chegou a 1%.

Volto ao sarcasmo com um teorema que acabo de esboçar (tal como muito pterodoxo, o teorema é expresso em linguagem irônica e não exige do leitor mais do que seu lado neandertal para a compreensão, o que facilita a penetração do conceito – com vaselina – em sua mente).

É o Teorema de Jeca Tatu: “A elasticidade-xenofobia-IDE é tal que aumentos de 1% no IDE sobre o PIB industrial gera uma reação xenófoba de, pelo menos 50% em termos de gritaria nos jornais”.

Lição – a despeito do meu sarcasmo, fica aqui uma lição: antes de falar da história brasileira faça o dever de casa. Você pode descobrir coisas interessantes e que, até, veja só, mostre que suas crenças podem estar erradas. Obviamente, você pode ignorar as evidências históricas, mas aí é questão de fé, não de ciência…