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Imprensa é culpada de tudo

Belo texto da Torre sobre esta tara da esquerda nacional em sempre culpar a imprensa por tudo que ocorre no universo. Nunca a culpa é de alguém (afinal, o direito de propriedade também é um roubo para estes filósofos miseráveis), sempre da “imprensa” (não-domesticada aos desejos eróticos dos políticos governistas).

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Entrevista com Adolfo Sachsida sobre Liberalismo, Brasil e tudo o mais

Pessoal, nesta entrevista com o Adolfo Sachsida eu procurei saber dele algumas idéias sobre o que penso serem as fraquezas do liberalismo brasileiro. Aí vai. Lá no final, meus comentários.

1. Adolfo, conte-nos um pouco sobre você, sua vida acadêmica e sua vida “política”.

R) Sobre mim mesmo: sou torcedor do Londrina e do Fluminense, minha família era de classe média até que meu pai teve um derrame. Daí em diante fomos pobres mesmo. Eu trabalhava durante o dia e cursava economia a noite. Na minha época de mestrado eu não tinha dinheiro sequer para pagar aluguel, assim eu morava na minha sala de estudos na UnB. Essa fase difícil passou, hoje trabalho regularmente pelo menos 14 horas por dia. Acordo antes das 7:00 e vou dormir depois da meia-noite.

Vida Acadêmica: terminei meu doutorado em economia na UnB em dezembro de 2000, aos 28 anos de idade. Aos 30 já era Diretor da Graduação e do Mestrado em Economia da Universidade Católica de Brasília. Aos 32 fiz meu pós-doutorado com o Professor Walter Enders, e aos 34 tive o prazer de dar aulas na Universidade do Texas – Edinburg. Eu criei e fui o primeiro editor da Revista Brasileira de Economia de Empresas, também fui o editor da Planejamento e Políticas Públicas (PPP). Atualmente tenho 25 artigos técnicos publicados em revistas científicas, ou aceitos para publicação (11 internacionais e 14 nacionais). O que na área de economia é uma bela marca. Além disso, também sou autor de um livro sobre os determinantes da riqueza de uma nação. Além do Brasil, também trabalhei com economia no Japão, Estados Unidos e Angola. Atualmente sou técnico do IPEA (antes de terminar o mestrado, aos 24 anos, fui aprovado no concurso do IPEA) e professor da UCB.

Vida Política: não sou filiado a partido político e não tenho ambições eleitorais. Mas luto diariamente para manter vivas as idéias em que acredito. Acredito que o indivíduo ou sua família, e não o Estado, é a unidade básica de uma sociedade. Acredito no direito a liberdade de escolha, na liberdade individual e na propriedade privada.

2. Há anos temos no Rio Grande do Sul um evento chamado “Fórum da Liberdade”. Tenho a impressão de que este fórum não transcende sequer a cidade de Porto Alegre. Eventualmente o IL-RJ promove eventos com o Liberty Fund, o IL-RS promove um ou outro curso e uma pequena manifestação anual, o Dia de Liberdade dos Impostos. Recentemente, o Instituto Millenium tentou trajetória similar, mas não promoveu muitos eventos ainda. Se somarmos a estes três think tanks o Ordem Livre (que só existe virtualmente) e o IEE – que se restringe a empresários – não temos nem uma dezena de ONG’s liberais. Direto ao ponto: você acha que liberalismo no Brasil só se restringe a empresários, como apontam os adversários do liberalismo?

R) De maneira alguma. Acredito que boa parte dos empresários brasileiros é CONTRA o liberalismo. A FIESP por exemplo não é liberal. Liberal é quem defende a competição, a liberdade de escolha e a propriedade privada. A FIESP não defende a abertura dos mercados brasileiros, tal como boa parte dos empresários prefere um Estado grande protegendo suas ineficiências. Liberal no Brasil são os consumidores que querem ter o direito de comprar produtos melhores e mais baratos. Quem mantém vivo o liberalismo no Brasil são indivíduos comuns, sem o apoio de grandes grupos ou de interesses ocultos. Por isso acredito que os Blogs e a internet foram a salvação do liberalismo brasileiro, sem essas ferramentas estaríamos ainda mais isolados.

3. Uma outra crítica: até hoje, não vejo nada comparável à quantidade e/ou qualidade das pesquisas acadêmicas (ou semi-acadêmicas) de instituições como o Cato Institute, uma Heritage Foundation ou mesmo o American Enterprise Institute, para citar apenas os mais famosos entre nossos liberais. Você acha que o liberalismo brasileiro tem aversão à pesquisa? Por que tão poucos “working papers” nos think tanks liberais brasileiros? Seria apenas falta de recursos?

R) Creio que o problema vai além da falta de recursos, ele reside na falta de conhecimento. Os institutos liberais que operam no Brasil parecem não acreditar muito no poder da pesquisa acadêmica, preferem se concentrar em artigos para jornais ou revistas. As pessoas que estão a frente de tais institutos simplesmente parecem não dar valor à pesquisa acadêmica, o que é uma pena. Assim, preferem contratar pessoas com um perfil que dificilmente as habilitariam a pesquisas científicas.

4. Já que falamos de entidades liberais, vamos discutir, agora, um ponto que tem pouco a ver com a pesquisa científica e mais com a mobilização de pessoas. Você promoveu, no último sábado, uma passeata liberal em Brasília. Houve algum apoio – divulgação, esforço em comparecimento, networking, etc – destes órgãos à sua passeata? Por outro lado, você prefere não ter o apoio dos mesmos? Por que será que – esta é uma impressão minha – o liberalismo brasileiro não consegue atingir tantos cidadãos comuns quanto empresários? Será que podemos jogar a culpa sempre na “doutrinação das esquerdas”? Ou há algo inerente à (in)ação dos nossos amigos liberais?

R) A única pessoa que me ajudou na organização do evento foi um aluno da graduação (Nilo). Na divulgação, o Instituto Federalista (IF) divulgou o evento em seu site. Talvez outros Institutos tenham feito o mesmo, não sei. Acredito que a maior parte das organizações liberais no Brasil não apóia iniciativas que não partam delas mesmo. De qualquer maneira, tais organizações são tão inoperantes que não creio que elas façam alguma falta. O seu blog e o do Tambosi têm muito mais poder de penetração junto ao público do que os sites dos Institutos Liberais. O Liberalismo não atinge o cidadão comum simplesmente porque o cidadão comum NÃO É exposto ao liberalismo. Por exemplo, eu só fui conhecer a obra de Hayek depois dos 30 anos de idade. Entre numa livraria e peça um livro de Hayek, ou Von Mises, ou Friedman. Você verá que tais livros ou não estão disponíveis ou custam 60 reais. Peça um livro de Marx e você encontrará pilhas deles a 10 reais. O que falta é divulgar as idéias liberais. Essa é uma tarefa extremamente difícil, pois os professores do ensino médio e fundamental são basicamente marxistas. O mesmo se repete nas universidades. Assim, as idéias liberais ficam completamente de fora da formação educacional de um aluno brasileiro.

5. Acho que você foi o único liberal que conseguiu, em muitos anos, fazer duas discussões liberais seguida de uma passeata em um curto espaço de tempo. Que balanço e perspectivas você pode nos apresentar sobre o liberalismo no Brasil?

R) O liberalismo irá triunfar no Brasil, só que isso não irá acontecer nesse natal. Hoje passamos por uma época nebulosa onde o Estado tenta comprar a todos com bolsas e subsídios, isso fortalece a posição do Estado junto aos formadores de opinião. E estes se encarregam de divulgar as belezas da intervenção estatal para o grande público. A única maneira de combatermos isso é divulgando nossas idéias para o grande público, e a internet nos dá essa chance. Acho que o Brasil irá enfrentar tempos difíceis nos próximos anos. Acredito que as coisas irão piorar, mas cedo ou tarde o que parece impossível hoje será a solução de amanhã. É disso que temos que nos conscientizar, minha geração não verá a vitória do liberalismo. A tarefa de minha geração é manter viva as idéias liberais para que a próxima geração, tendo contato com tais idéias mais cedo, possa combater de maneira efetiva os males associados a perda da liberdade individual.

6. Fique à vontade para concluir, Adolfo

R) Eu só tenho a agradecer você pela gentileza de sua entrevista. Saiba que são pessoas como você que fazem a diferença.

Comentários

Caro leitor, como os que me conhecem sabem, tenho uma boa relação com vários liberais das instituições citadas acima. Eu mesmo já fiz um ou outro trabalho para eles. Também é fato que nunca escondi deles minhas críticas (até porque liberalismo não é religião). Os pontos que o Adolfo destaca são importantes. Eles mostram que existe, primeiro, uma boa pergunta acadêmica: “quais os incentivos que regem as ações dos think tanks liberais no Brasil”? Em segundo lugar, é possível fazer mais sozinho do que em grupo (algo que qualquer aluno de economia que já estudou bens públicos e variantes sabe), inclusive quando se fala de liberais brasileiros. O problema de ação coletiva existe aqui.

Gostei também do insight do Adolfo: o consumidor é o grande liberal brasileiro, embora nem sempre tenha consciência disto. Mas se assim o é, Adolfo, por que o mesmo não se manifesta como tal? Por que esta insistência em se identificar com seu algoz, o Estado?

Note, leitor, a história de vida do Adolfo. Nada diferente do que a de muitos brasileiros. Liberalismo, na prática, é coisa que qualquer um tem em sua vida, em maior ou menor aspecto. Quem luta para se sair bem na escola não quer seu sucesso roubado por colegas picaretas. Já o discurso liberal, este cabe na boca de muito empresário nem sempre liberal de fato. Há que se distinguir entre o liberalismo de balcão (ou de quermesse, como diria o Alex Schwartsman) e o liberalismo legítimo.

Meus amigos liberais têm ouvido muitas críticas cretinas e injustas. Estas, desta entrevista, não fazem parte desta besteira destrutiva que temos por aí. Aliás, são muito mais um alerta do que uma crítica. Ou os liberais prestam atenção nisto, ou estarão entregando o poder aos inimigos dos indivíduos por muitos anos…é o que penso.

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Eles usam black-tie

É o que eu penso, ao ler os principais conceitos envolvidos nesta notícia.

Claro, se você beber um chopp, pode levar uma baita punição (se não conseguir subornar o guarda, como apenas os mais ricos conseguirão….). Mas para alguns, de black-tie, a lei é outra. Esta é a herança do modo socialista de governar, recheado de rent-seeking, corrupção, avanços contra a liberdade individual, cinismo econômico (política monetária e fiscal em confronto e uma cara-de-pau incrível de usar a arrecadação como fonte de superávit primário ao mesmo tempo em que aumenta o tamanho do governo…esqueçam o termo Reaganomics!), enfim, um modelo que dá resultados bem inferiores ao que se poderia obter até mesmo no socialismo light da administração Cardoso.

Vamos aos estudos porque o jornal está cheirando muito mal…

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Suspenção?

Foi realizada nesta terça-feira audiência de instrução e julgamento dos acusados envolvidos na venda e alterações irregulares de carteiras de habilitação em Belo Horizonte no período de janeiro de 1998 e janeiro de 1999. De acordo com o Ministério Público, três das quatro testemunhas de acusação que prestaram depoimento na audiência presidida pelo juiz Jayme Silvestre Corrêa Camargo, titular da 2ª Vara Criminal do Fórum Lafayette, confirmaram o crime.

Segundo a denúncia do MP, os 16 envolvidos no esquema são acusados de formação de quadrilha, tráfico de influência, falsidade ideológica e corrupção. O crime era colocado em prática com os acusados facilitando a aquisição de CNH´s à candidatos, mediante pagamento de R$ 600. As fraudes eram finalizadas com a participação de três funcionários do Detran-MG, que liberavam o documento aos candidatos que buscavam o meio ilegal para se habilitar.

O próximo passo no processo será o depoimento de testemunhas de defesa, de acordo com o MP. Ainda não há data marcada para serem ouvidas.

REGALIA

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, quatro envolvidos no crime receberam suspenção condicional do processo. Em contrapartida, terão que se apresentar mensalmente para informar quais atividades estão realizando.

Juro que eu ia comentar os incentivos, a economia e ia reclamar um pouco desta corrupção. Mas ao ler “suspenção” no texto, tudo cessou. Escorregões de teclado acontecem, mas este…

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Opinião eu também tenho. Difícil é entender de tudo

Li outro dia que uma pesquisa teria dado ao sr. da Silva alta aprovação e também apontado que a galera tem dificuldades em aceitar que a taxa de juros seja um bom instrumento para combater a inflação. Com todo respeito aos entrevistados, não há nada de meritório nisto. Eu não entendo nada sobre Medicina e poderia bem responder que não concordo com o uso da aspirina.

Só que tem custos e benefícios diferentes de zero pode dizer algo consistente sobre a política monetária, em princípio. Nisto, continua dando a – cada vez mais isolada pelo mar de besteiras – política monetária do BC.