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Seu professor pode ser igual a um destes picaretas que aparecem nas páginas policiais (ou de Política) dos jornais

A denúncia vale como mais um item da série: “A economia política dos economistas”.

Baixaria acadêmica

Lembram do episódio onde um autor colocou o artigo como “aprovado para publicação” em seu Lattes, embora o paper estivesse em minha mão e, consequentemente, sob processo de avaliação? Pois bem, descobri que não foi só ele que fez isso. Um dos coautores, inclusive muito respeitado como pesquisador aqui no Nordeste, fez o mesmo.

Um amigo me falou brincando: vou submeter um paper para a Econometrica e colocar “aceito para publicação em 2008”.

Enfim, o que fiz? O paper era bom, quanto a isso nada tenho a declarar. Contudo relatei o ocorrido para o editor da revista e, felizmente, rejeitamos o trabalho.

Fiquei muito feliz com a decisão editorial. Porém, o melhor seria denunciá-los, como coloquei em meus comentários:

[…] Para minha surpresa, os autores cometeram uma atitude, no mínimo, reprovável: incluíram em seus curriculum Lattes o artigo como “aceito para publicação”. Confira, por favor, o que eu digo:

[links para o Lattes]

Nesse sentido, temos duas possibilidades: a) ou eles não sabem a diferença entre aceito e submetido ou; b) agiram de má fé.

Sei que aqui não é o lugar para tratarmos desse assunto, o ideal seria que a CAPES tivesse um maior controle sobre as informações, dado que elas estão sendo usadas para avaliação dos centros de pesquisa. O triste é observar que esse tipo de “maquiagem” de produção está cada vez mais comum em nosso meio.

Portanto, temos um dilema: um bom trabalho, passível de publicação na (nome da revista), contudo uma atitude reprovável de seus autores.

Por conta disso, mando o parecer apenas para você e não para os autores. Podemos continuar conversando a respeito da decisão editorial?

Atenciosamente,

Erik Figueiredo

O que dizer? Bem, incentivos importam. Mostramos isto aqui e discutimos também o tema em outra oportunidade. Chamo a atenção também para este artigo. Se o leitor se dedicar a uma minuciosa pesquisa do Lattes de alguns “supostos” medalhões da economia (pelo menos entre alguns festeiros da imprensa), descobrirá coisas mais desagradáveis do que o que o Erik viu.

O problema mostra que economistas estão longe de serem exemplo de moralidade. Não somente eles, como sociólogos, historiadores, médicos, físicos, etc. Todo mundo responde a incentivos. Claro que existe uma questão de preferências (moralidade de cada um) que pode gerar distúrbios (para o bem, ou para o mal), mas o fato inegável é: não apenas o IPEA está nu. Seus colegas da Academia também estão (sejam eles pró ou contra a administração da Silva). Como eu já disse aqui, a pterodoxia envolve membros da heterodoxia, mas não apenas da mesma.

O que fazer? Acho que alguém precisa tomar cuidado com os incentivos que cria para os pesquisadores porque, afinal, é mais fácil fazer isto do que reeducar gente que mal-intencionada. Pelo menos, os distraídos aprendem a preencher o seu currículo de maneira minimamente correta.

Um comentário em “Seu professor pode ser igual a um destes picaretas que aparecem nas páginas policiais (ou de Política) dos jornais

  1. Se isto ocorre na Economia, fico imaginando o que não se dá nas outras áreas das Humanidades…

    Por isso digo: meu Lattes é pobre (por enquanto), mas é meu!

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