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A nova era do IPEA

Dizem que a própria Presidência proibiu a divulgação de previsões feitas pelo IPEA. Cabem aqui algumas observações. Primeiro, qualquer um sabe que não é deste órgão o monopólio do conhecimento econométrico no país. Logo, não há porque temer: o mercado fará suas previsões desde que tenha acesso aos dados básicos.

Neste caso, o pior pode acontecer (lembra-se da era “Zé Dirceu”, na qual o IBGE passou a ser obrigado a divulgar qualquer resultado de suas pesquisas à Presidência antes de divulgá-la aos pagadores de impostos e também aos receptores de Bolsa-Família, ambos eleitores?). Quanto tempo falta para o governo começar a arrumar desculpas para não divulgar certas notícias (“divulgar notícias sobre suicídio aumenta o número de suicídios”) ou dados primários para não alimentar a “especulação” das pessoas?

Um indivíduo não tem o direito de “especular” sobre o futuro dos filhos? Ou sobre o futuro do país? Ou sobre a aplicação do seu dinheiro?

O mais irônico desta história é o papel dos outrora auto-denominados “pós-keynesianos” que hoje estão em vários escalões do governo. Falam tanto do capitalismo incerto e que deve ser corrigido pelo governo e parecem acreditar, como crianças, que basta proibir a divulgação de dados e previsões que o mercado se tranquiliza. É uma versão moderna do congelamento de preços. Moderna, no sentido temporal, apenas. Não no sentido histórico.

Acabaram decretando o monopólio governamental da especulação. Incrível.

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3 comentários em “A nova era do IPEA

  1. “Antes de Mussolini e de Stalin já existiam as estrelas, e depois que eles tiverem passado elas ainda continuarão a brilhar. (Érico Veríssimo)”

  2. Sobre a divulgação antecipada de dados para a Presidência, uma correção deve ser feita: a regra do Dirceu para publicação dos dados tem origem ainda na época da gestão de Sergio Besserman Vianna no IBGE (governo Fernando Henrique). Naquela fase, de acordo com o livro 3000 Dias no Bunker – Um Plano na Cabeça e um País na Mão, de Guilherme Fiuza, foi estabelecido, como uma forma de criar um relacionamento cordial com a imprensa, que os jornalistas da área econômica receberiam os dados do IBGE na véspera, sob o compromisso de não vazarem os resultados antecipadamente. O que o atual governo faz de bobagem é justamente não respeitar o sigilo da data e dos critérios de divulgação – vide Haroldo “ANP Oficioso”.

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