Uncategorized

A inflação mundial é um bem público

Na prática, ao contrário, domina a idéia de que o problema de inflação é global e há pouco que se possa fazer. Essa atitude tende a perpetuar a inflação no mundo. Para reverter essa situação seria preciso, nos países desenvolvidos, uma desaceleração econômica suficientemente forte (que reduzisse a demanda global e, portanto, a inflação) ou um aperto monetário dos principais bancos centrais.

O que o Ilan diz aí, leitor, é bem óbvio: quando a inflação atinge vários países, todos os governos (principalmente os democráticos, que sabem que eleitores punem os ladrões ao menos uma vez a cada quatro anos) começam a jogar a culpa nos outros. A idéia é diminuir o custo eleitoral jogando a culpa na OPEP, no Bush, ou em qualquer outro.

Fica claro que este é mais um problema de direitos de propriedade, como diria Coase. Cada governo é responsável por sua moeda (ou não haveria o monopólio da emissão monetária em quase todos os países do mundo) e deve zelar pelo seu valor. O ponto do Ilan no texto pode e deve ser melhor explicado. Governos populistas, como é característica da atual administração da Silva, adoram divulgar aos quatro cantos do planeta que a culpa é dos alimentos, da OPEP ou do Bush. De certa forma, até manchas solares e o aquecimento global podem ser culpados pela sua menstruação ou pelo ciclo de preços. Nada contra. Mas é um tanto quanto óbvio que cabe a cada governo cuidar de sua parte. Não podemos alterar as políticas imbecis de um governo vizinho, apenas as nossas.

Em uma democracia, quando as pessoas percebem isto, pressionam o governo para que impeça as pressões (alguns diriam: “nacional-desenvolvimentistas”) pela volta da inflação. Contudo, este mecanismo, longe do que se poderia imaginar, não é perfeito. Há grupos de interesse poderosos que pressionam o governo para que tributem todos para lhes direcionar um percentual sob o nome de “bolsa-xx”, “subsídio”, “programa de xx”, qualquer coisa assim. Estes grupos proliferam quanto maior a ignorância das pessoas por um lado, mas também quanto pior a qualidade institucional do país, mesmo que as pessoas entendam um pouco de Economia (séria, não a pterodoxa).

No caso do Brasil, não é muito diferente. Basta ver quem são os principais berrantes contra uma política monetária (e uma política fiscal) séria(s). Ontem eu reproduzi aqui o link para uma entrevista do Pastore fornecido pelo blog do Ronald. Vale a pena reler aquilo lá para entender o que Ilan está a dizer.

p.s. mas não despreze a burrice. Ontem li no jornal um artigo de um sujeito que defendia medidas totalmente estapafúrdias para a economia brasileira. Coisa de gente que acha que sabe o que melhor para os outros (mas nunca leva uma vida, digamos, pudica…).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s