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Sr. da Silva, o midiático

Ele é (tele)guiado pela mídia. Sem falar em seus aliados mineiros. Alô, povo de SP, posso pedir cidadania paulista ainda?

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Incentivos importam: o caso das inúteis proibições

Diz o Refém do Estado:

Por quê isso não me surpreende?

Acidentes nas estradas crescem 12% após a proibição de venda de bebidas alcóolicas.

Mas também, verdade seja dita, do jeito que neguinho faz estatística no Brasil, não duvido que em pouco tempo vai ter gente dizendo que esse resultado é bom, porque se a bebida não tivesse sido proibida, o número de acidentes teria aumentado muito mais.

Há mais tempo eu li um interessante artigo do Marcos Mendes no qual ele verificava que, logo após o novo Código de Trânsito, havia uma imediata queda no número de infrações (se não me falha a memória…ou uma proxy disto) seguida de um novo aumento. Talvez a explicação dele seja mais correta do que a do Refém. Qual é? Simples: pessoas são racionais. Elas sabem que não serão punidas por crimes de trânsito porque não existe qualquer segurança jurídica neste país. Logo, elas não levam a sério supostas proibições (também supostamente sérias) do governo.

Não é difícil pensar no que ocorre. Além do mais, o custo de se fiscalizar esta gente toda é alto e sabemos que a corrupção não é exclusividade de ministros e mensaleiros, mas também atinge oficiais de rua.

O governo pode tentar acabar com nossos problemas através de leis bonitas e complexas. A história ensina que leis e mais leis não resolvem o problema. Aliás, podem torná-lo mais grave.

Recomendo a leitura do “A Lei” de Bastiat, cujo e-book gratuito encontra-se no Ordem Livre. Lá você entenderá o que se pode esperar de boas e más leis.

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Educação privada e pública

A pergunta do autor deste interessante texto sobre “tutores” vale para nós, brasileiros, que nos submetemos de bom grado à regulação filosófico-sociológica do ensino médio de forma acrítica:

A big question remains—will governments treat these businesses with benign neglect, promote them as a useful complement to the public sector, or attempt to legislate them out of existence, as has occurred in Cambodia and elsewhere?

Pense nisto. É a educação do seu filho – e os valores que você pensa serem os melhores para ele – que estão em jogo. Não é só seu dinheiro não, cara.

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Todo pedagogo atual também repete o que algum pedagogo morto já disse, como diria Keynes…

“A idéia de autoliderança, de auto-responsabilidade, a idéia de um Estado da juventude dentro de um Estado maior não é minha. Começou com as escolas de Hermann Lietz. Lietz fundou um novo tipo de sistema escolar em 1898, consistindo em dez ou doze escolas. Eram o que se poderia chamar de internatos rurais. A primeira escola foi fundada em Ilsenburg.

Lietz foi aluno de Friedrich Froebel, assim como Jean-Jacques Rousseau e Johann Heinrich Pestalozzi. Sua idéia era evitar os perigos que via nos centros industriais, como as cidades grandes, unindo a juventude não apenas em tarefas escolares, mas em outras atividades. Assim, por exemplo, trabalhávamos junto com os meninos, construíamos casas, oficinas de carpintaria, oficinas de hidráulica e coisas semelhantes. As escolas de localizavam em propriedades que possuíam seus próprios jardins, gado, etc. Desse modo, a própria escola era um quadro em miniatura de um Estado. Todo menino tinha sua função dentre desse Estado em miniatura. Mas eles também tinham lições para aprender. O importante era que estavam trabalhando para a comunidade. Você pode chamar esse modelo de comunista, socialista ou democrático no sentido moderno do termo. Foi desenvolvido com base em Pestalozzi, Rousseau e Froebel, oito anos antes de Lietz. Mas Lietz desenvolveu e formulou e pôs em prátia essas teorias.

(…)

A principal desvantagem das escolas de Lietz era que as cidades e as indústrias exerciam influências perigosas sobre os jovens (…). Os meninos e meninas de suas escolas – era um sistema misto, em que acredito firmemente – eram filhos de pais ricos. E as próprias escolas eram caras, de modo que a desvantagem era que aquelas eram crianças de uma só classe social, os filhos dos ricos.

Portanto, tentei construir algo que reunisse todas as classes da juventude. Era um Estado da juventude que incluía meninos das classes trabalhadoras, bem como os filhos de famílias aristocráticas: a juventude seria descoberta pela própria juventude”.

[Baldur von Schirach, 1907-74, ex-líder da Juventude Nazista, citado em “As entrevistas de Nurenberg”, de Leon Goldensohn, Companhia das Letras, 2004]

Uma política educacional que apóia visões idílicas sobre o campo e que, ao mesmo tempo, busca atenuar suas bases, digamos, anti-modernas, e com inclusão social. Nada me parece mais próximo de certos discursos do atual bolivarianismo-dentro-do-armário que impregna muita gente importante. Bem, mas é estudando a história que conhecemos as origens das idéias, as tentativas similares de implementação de políticas atuais, etc.

Por isto é que leitura é importante: para desmistificar certas lendas. Estudar e ler nos ajuda a entender melhor não apenas as idéias de gente como Pestalozzi e Froebel, mas também o uso que os adeptos da engenharia social fazem delas.

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A inflação mundial é um bem público

Na prática, ao contrário, domina a idéia de que o problema de inflação é global e há pouco que se possa fazer. Essa atitude tende a perpetuar a inflação no mundo. Para reverter essa situação seria preciso, nos países desenvolvidos, uma desaceleração econômica suficientemente forte (que reduzisse a demanda global e, portanto, a inflação) ou um aperto monetário dos principais bancos centrais.

O que o Ilan diz aí, leitor, é bem óbvio: quando a inflação atinge vários países, todos os governos (principalmente os democráticos, que sabem que eleitores punem os ladrões ao menos uma vez a cada quatro anos) começam a jogar a culpa nos outros. A idéia é diminuir o custo eleitoral jogando a culpa na OPEP, no Bush, ou em qualquer outro.

Fica claro que este é mais um problema de direitos de propriedade, como diria Coase. Cada governo é responsável por sua moeda (ou não haveria o monopólio da emissão monetária em quase todos os países do mundo) e deve zelar pelo seu valor. O ponto do Ilan no texto pode e deve ser melhor explicado. Governos populistas, como é característica da atual administração da Silva, adoram divulgar aos quatro cantos do planeta que a culpa é dos alimentos, da OPEP ou do Bush. De certa forma, até manchas solares e o aquecimento global podem ser culpados pela sua menstruação ou pelo ciclo de preços. Nada contra. Mas é um tanto quanto óbvio que cabe a cada governo cuidar de sua parte. Não podemos alterar as políticas imbecis de um governo vizinho, apenas as nossas.

Em uma democracia, quando as pessoas percebem isto, pressionam o governo para que impeça as pressões (alguns diriam: “nacional-desenvolvimentistas”) pela volta da inflação. Contudo, este mecanismo, longe do que se poderia imaginar, não é perfeito. Há grupos de interesse poderosos que pressionam o governo para que tributem todos para lhes direcionar um percentual sob o nome de “bolsa-xx”, “subsídio”, “programa de xx”, qualquer coisa assim. Estes grupos proliferam quanto maior a ignorância das pessoas por um lado, mas também quanto pior a qualidade institucional do país, mesmo que as pessoas entendam um pouco de Economia (séria, não a pterodoxa).

No caso do Brasil, não é muito diferente. Basta ver quem são os principais berrantes contra uma política monetária (e uma política fiscal) séria(s). Ontem eu reproduzi aqui o link para uma entrevista do Pastore fornecido pelo blog do Ronald. Vale a pena reler aquilo lá para entender o que Ilan está a dizer.

p.s. mas não despreze a burrice. Ontem li no jornal um artigo de um sujeito que defendia medidas totalmente estapafúrdias para a economia brasileira. Coisa de gente que acha que sabe o que melhor para os outros (mas nunca leva uma vida, digamos, pudica…).