Uncategorized

Mais dicas de monografias

Tem gente querendo fazer propaganda de seu site de compra e venda de monografias nos comentários. Não vai rolar, pessoal. No dia em que monografia não valer um diploma ou pontos em disciplinas que exigem esforço individual na confecção da monografia a partir, unicamente, do conhecimento do aluno e de sua leitura prévia, eu libero a propaganda nos comentários.

Dito isto, após mais este semestre, queria deixar algo para o leitor sério que se preocupa com o tema refletir.

a) Qual o papel do orientador?

Fácil. É orientar. Isto significa que se você não lê nada, não aparece e não trabalha, ele não tem trabalho algum, exceto te dar tchau. Se você se esforça muito e mostra resultados, ele pode te ajudar mais do que o normal (mas isto não é obrigação dele, mas sim uma gentileza). Exemplo: revisão da literatura, desde a busca e seleção dos textos é algo que compete ao aluno. O orientador pode até ajudar, mas não é obrigação dele fazer isto. Eventualmente, ele o faz. Mas isto só quando o aluno faz por onde.

Assim, orientar vai muito além da visão superficial e paternalista que alguns divulgam por aí.

b) O orientador pode estabelecer regras próprias de avaliação?

Se ele não fizer isto, não está orientando. Se o sujeito é sério, o orientador pode se preocupar menos com isto, mas não é recomendável. Gente aparentemente séria pode causar problemas que beiram ao absurdo e à falta de vergonha se não existem regras. Já vi muita gente boa se perder por conta disto. No dia em que o mercado passar a investigar a reputação de autores de monografia – e isso pode ocorrer se existir uma demanda por pesquisadores no país – descobrirá fatos muito interessantes sobre figurinhas que se vendem como grandes intelectuais.

Ao longo de minha longa vida de orientação de alunos – já se vão aí uns 10 anos ou mais – descobri que, mesmo para alunos excelentes, regras são muito boas.

c) Entreguei um relatório sem numeração de páginas, títulos, sub-títulos e nem liguei para as normas de monografia da minha faculdade. É um erro grave?

É. Nem tanto pela besteira que você fez, mas pela reputação que criou. Qualquer orientador sério, após receber isto aí que você chama de relatório provavelmente dirá que o melhor é que você procure algum outro orientador. Tem gente que não dá importância a isto na primeira vez. É um erro. Uma vez avisado, persistir no erro, claro, é um tiro no pé. Há quem fique “amuadinho” com repetidas broncas mas a reação correta não é o bico e sim a mudança de atitude. Qual? Ora, sente-se na cadeira, pense na bobagem que fez e faça as correções que precisam ser feitas.

d) Mas meus colegas me disseram que o orientador deles não faz nada disto. Por que eu deveria fazer o que você diz? Viva a diversidade!

Credo. Parece até alguns comentários de adolescentes mentais que vejo aqui de vez em quando (e que são geralmente excluídos para não prejudicar a leitura deste blog por parte dos leitores habituais ou dos visitantes inteligentes). Veja só, sua avó deve ter lhe dito isto um dia, mas se ela também era mal-educada, eu ajudo: não seja vaquinha de presépio. Só porque o fenômeno entra num quarto com três travestis, você não precisa fazer o mesmo. As coisas não são assim.

Veja, é bom que haja diversidade. Porque, como eu já disse aqui, ela permite que você encontre o que deseja. Se você gosta de mulher bonita, agradeça a Deus (ou a qualquer outra coisa em que você acredite) pela diversidade de mulheres no mundo. Se houvessem apenas mulheres feias, você estaria perdido. Claro, há quem goste de vinho ruim. Ainda assim a diversidade é boa.

No caso de monografias, não é diferente. Existem orientadores e orientadores nas faculdades públicas e privadas. Todo leitor deste blog que estuda ou estudou economia sabe disto. Se você é preguiçoso, não procure um orientador sério. Ele não vai te mudar. Sua namorada não te mudou, porque é que o seu orientador vai fazer isto? Além disso, há gente que diz “aguentar o tranco” mas, na hora do pênalti, corre para o colo dos pais ou para o boteco mais próximo. Procure um orientador compatível com o que você deseja em termos de cobrança. Já vi gente mediana se destacar muito em monografias. Já vi gente ruim melhorar. E também já vi gente boa desperdiçar muita idéia boa. Aliás…

e) Por que meu orientador dá idéias para minha colega e não dá tantas idéias para mim?

Afora as fofocas e intrigas entre colegas, há um motivo óbvio: gente que mostra mais serviço tem mais retorno. Agora, há outro aspecto nisto: não existe almoço grátis e não há motivos para um bom orientador distribuir idéias interessantes para gente que não tem a menor vontade de fazer algo diferente do que já foi feito, ou pelo menos melhor.

Acabo de falar com uma orientanda aqui. Outra passou na sala para pegar uns livros. O semestre está no fim. Que bom para mim e para meus orientandos.

Uncategorized

Quanto você aposta…

que o Itamaraty dirá que não confia em análises da Interpol? Eu não dou um dia de prazo. Ou então ficaremos sob um diplomático silêncio que, se servir para a reflexão dos responsáveis pela nossa política externa, pode até ser útil mesmo.

Já passou da hora do brasileiro criar vergonha na cara e dizer: “terrorista é terrorista e, como tal, merece punição”. Não me venha com esta de “nobreza che-guevariana” em que os meios justificam os fins para um fascínora latino-americano, mas não justificam para os neo-nazistas austríacos.

Não-liberal é não-liberal e pronto.

Uncategorized

Ditos populares

Viva a diversidade e o pluralismo em Teoria Econômica!

… se não fosse por ela, com o é que poderíamos escolher os modelos que servem para explicar os fenômenos em detrimento da baboseira?

Moral: diversidade não é boa em si, mas sim porque podemos escolher o melhor ao pior.

Uncategorized

A bolha brasileira

Adolfo tem realmente um ponto interessante: nosso governo fala pouco dos perigos da bolha brasileira. Nisto eu começo a concordar com os austríacos: governo mais atrapalha os ciclos do que ajuda. Após tantos anos de acompanhamento de noticiário econômico, eu só acrescentaria mais dois ingredientes: (a) o nível de burrice do policy maker e (b) o nível de cegueira dos políticos, no longo prazo.

Mas, fatos óbvios à parte, Adolfo pode ter dado o furo de reportagem de 2008.