Uncategorized

O problema da inscrição “grátis” e uma reflexão sobre blogs de economia

Pato, vizinho do Rabiscos, Pensando, Homo Econometricum e Oikos, tem uma boa questão para o ingênuo que acredita em almoço grátis.

Agora, algumas ruminadas minhas: é interessante como existem poucos blogs de economia feitos por alunos de economia na rede. Digo, alunos de graduação. Há alguns de gente que já passou por isto e continuou como o Raciocínios Espúrios, o blog do Cristiano Costa, o Moral Hazard, o Duke of Hazard, o Selva Brasilis e tantos outros. Mas, graduação, graduação mesmo, são poucos.

Um amigo meu falava sempre que gostava de pessoas interessantes e que tinha prazer em conversar com pessoas deste tipo. Nunca foi capaz (obviamente) de definir uma pessoa interessante. Mas eu digo o seguinte: blogs interessantes surgem quando existem duas pré-condições: (i) interesse no tema; (ii) bom nível de capital humano acumulado (e em acumulação, claro).

Isto me faz pensar um pouco no que diz o Bruno, lá na discussão sobre blogs. Nada que valha a pena uma reflexão maior, claro, mas existe um padrão interessante entre os blogs de economia que vejo por aí.

i) este blogueiro, modéstia a parte, é um dos precursores dos blogs de economia do Brasil;

ii) a maior parte dos jovens blogueiros de economia são oriundos do RS, não de SP ou RJ.

iii) esta distribuição vai da graduação a pós (como está claro nos exemplos acima).

Muito bem, muito bem. O que vejo? Pensando em blogs de economia feitos por alunos de economia, primeiro, não é necessariamente a riqueza que gera blogs (o argumento marxista: somente burgueses possuem blogs). Fato: não existem milhares de blogs de alunos e ex-alunos de faculdades privadas de economia caracterizadas por uma mensalidade polpuda, digamos assim. Segundo, não existe correlação entre blogs de economia de alunos de graduação e riqueza estadual. Talvez blogs – livres, independentes – como os dos alunos de economia sejam a melhor manifestação da qualidade do conhecimento individual.

Aí o que me deixa pensativo é: o que será que caracteriza o grupo do RS? Por que tantos blogs de lá e não de outro lugar? Será que o ensino de economia na UFRGS é diferente do resto do Brasil? Talvez não porque são poucos os alunos que fazem blogs voltados para economia. Seria o Fórum da Liberdade e o desejo de contestar o conhecimento mainstream que recebem na graduação? Se sim, qual o pensamento econômico dominante na graduação da UFRGS? Não sei. Ou será que o Pato, Guilherme, Philipe, Thomas, Diego e colegas são gente que começou a estudar economia para entender melhor a realidade em que vive? E como explicar o co-blogueiro (também com seu blog individual), o Homo Econometricum, que não é do RS? Finalmente: existem outros blogs de economia e estou é viciado nesta amostra? Pode ser.

Comentários que me ajudem a pensar no tema são bem-vindos. Pode vir até de piratas (endogenous joke).

10 comentários em “O problema da inscrição “grátis” e uma reflexão sobre blogs de economia

  1. Simples: em Minas, no Rio, em SP e noutros, os “estudantes” têm de “estudar”. Não sobra, pois, tempo para ficar blogando por aí.

  2. Não é por nada não, Arko, mas seu argumento é muito fraco. Eu poderia dizer que “em Minas, no Rio, em SP e noutros, os “estudantes” têm de “estudar”, mas ficam fazendo festas por aí nas ruas. Não sobra, pois, tempo para ficar blogando por aí”.

    Sua ironia acabou sendo um tiro no próprio pé.

  3. Questão realmente intrigante, Shikida. Na qualidade de aluno da UFRGS – já fui colega ou pelo menos conheço de corredor toda essa turminha daqui -, vou dar alguns pitacos:

    – O ensino de Economia na UFRGS tem tantos problemas quanto em tantas outras universidades do país. Há um pequeno grupo de professores com bagagem mais sólida em meio a um grande contingante de docentes no mínimo retrógrados (para não taxá-los, simplesmente, de despreparados). Quanto a pensamento dominante, penso que numericamente as diversas vertentes heterodoxas são maioria. Me parece, contudo, que há um pequeno grupo de professores com maior influência sobre os alunos que são mais alinhados com o “mainstream”.

    – Por fim julgo pertinente dizer que Philipe, Guilherme, Thomas e todos os demais citados em grupo são, na minha opinião, alunos bem acima da média do corpo discente da UFRGS. Não representam, em absoluto, o que está sendo formado lá.

    – Em tempo: já faz algum tempo que venho pensando em também contribuir com os debates através de um blog, mas a dificuldade de alocar tempo entre estudos, trabalho e vida pessal vem postergando o projeto. Falta de incentivos, talvez?

  4. Arko, onde está sua reflexão? Comentários aqui são moderados. O comentário foi replicado por erro do sistema, não porque fosse importantíssimo te responder. O segundo realmente foi apagado porque não dizia nada de novo. E este foi editado pelo mesmo motivo.

  5. claudio, de fato, meus comentários não eram, nem tinham a pretensão de ser, importantes. Com efeito, tentavam manter a ironia do primeiro, como bem vc observou. Não há, nesse sentido, motivo para ficar chateado.

  6. Excluindo o tópico economia em blogues, gaúcho possui uma formação erudita literária mais sólida do que os demais habitantes de terra brazuca. Se existência de Sebos numa cidade servir de proxy para formação literária, Porto Alegre é o paraíso. Outro ponto curioso: em POA e SP: acha-se gondola de livros em banca de revistas. Em BH, eu conto nos dedos quais as possuem. Porto Alegre está anos luz de BH e o Rio. Lendo mais, uma pessoa escreve provavelmente mais embora não exista nenhum estudo que comprove minha teoria e posso estar dizendo m%¨&*. Tudo que sei é: gaucho le mais livros que mineiro e isso pode justificar o fracasso literário atual das alterosas.

  7. Ler mais livros talvez não represente um indicador muito forte de evolução do pensamento. Caso contrário, o PT não teria dominado aquela região por tanto tempo. O mesmo talvez valha para SP: mesmo com tantas gôndolas de livros em bancas de revista, Marta Suplicy tem um expressivo número de intenções de voto. Talvez sim, ler mais livros resulte numa evolução do pensamento, mas devemos capar o “povão” desse grupo de estudo, aceitando o fato de que – como diziam os Titãs – “miséria é miséria em qualquer canto” e comparar o que seria a elite intelectual. Aí sim, eu acho que há uma vantagem considerável de outras cidades pelo menos em relação ao Rio de Janeiro.

  8. Seguindo o raciocínio do Arko, nem o Mankiw nem o Tyler nem o DeLong nem o Posner nem o Becker precisam trabalhar! Afinal, só quem não estuda tem tempo pra ter um blog!

  9. A questão é de fato curiosa, Shikida. Não sei se podemos dar essas explicações. O primeiro blog de Economia lá na UFRGS acho que foi o Rabiscos sob o comando do Philipe, um paulista radicado no RS. Pouco tempo depois, fizemos um blog em conjunto dos alunos bolsistas – uma vez que trabalhávamos na mesma sala, a famosa sala do NAPE. Lembremos que, os citados Philipe, eu, Diego, Guilherme (além do Ricardo [essametamorfose.blogspot.com], do outro Diego [dorodrigues.blogspot.com]) foram ou são bolsistas que trabalham no NAPE-UFRGS. Talvez tenha sido um efeito da inovação do Philipe, levando outros próximos a ele a seguirem o exemplo, difundindo a inovação. Acho que o Shikida não vai gostar dessa explicação schumpeteriana. Lembrando que os bolsistas de IC da UFRGS costumam ser bons alunos, ou seja, já há um viés.

    Do RS temos o austriaco.blogspot.com também.

    Conheço alguns outros blogs de economia de alunos paulistas como o tavista.blogspot.com (uma mistura de filosofia com economia) e do Richard (depositode.blogspot.com). Só pra melhorar um pouco a fama desses paulistas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s