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Por que pesquisas científicas não podem depender de um suposto planejador benevolente apenas?

Este artigo – coloquei o link há pouco, aí embaixo – mostra bem algo que já discuto há algum tempo na blogosfera (com o Adolfo Sachsida apenas, creio) e com colegas. Há um problema sério em se depender de fundos públicos para se fazer pesquisa. Ok, o problema não é depender de um fundo público, mas de um único fundo. Por que? Porque o dono da grana pode recusar projetos de pesquisa só por preferências ideológicas.

Nos anos 90, uma colega minha pediu bolsa a uma fundação estadual de pesquisa. Iria para Columbia, nos EUA, estudar Finanças. Recebeu um parecer desfavorável (virou folclore esta história, eu sei) de um sujeito que dizia ser a UNICAMP já um centro especializado no estudo de Finanças. Obviamente, o infeliz que deu este parecer confunde Hilferding com um modelo CAPM ou, quiçá, um parafuso enferrujado.

Isto deixou minha colega arrasada por muito tempo. Nunca alguém pagará o mal que lhe foi feito. Absurdo, eu sei. O artigo citado acima mostra algo similar, nos EUA. Eu duvido que uma proposta de pesquisa (se bem que, uma vez publicado aqui este texto, a estratégia ótima seja aprovar o que vou propor aqui e depois dificultar ao máximo meu trabalho, de forma lenta e gradual…) que, por exemplo, proponha-se a mostrar falhas na alocação dos recursos públicos como a que eu citei seja aceita…por uma agência pública de fundos de pesquisa.

Se você acha que gente da Academia é neutra e honesta, pura e sinceramente buscando o “saber” (ou o “Saber”, vai saber…), infelizmente você está enganado. Basta ir a uma única reunião de departamento (ou do sindicato) para descobrir a verdade elementar: acadêmicos também respondem a incentivos.

Leia o artigo acima. Vale a pena. Ele ensina, inclusive, como a perseverança pode fazer com que você faça sua pesquisa, mesmo a despeito destes absurdos cometidos por gente que se diz melhor que um bode e que pretende ter um voto tão valioso quanto o seu. Sorte a deles que o critério de ponderação não é o da eficiência econômica senão…

Um comentário em “Por que pesquisas científicas não podem depender de um suposto planejador benevolente apenas?

  1. Cláudio,

    A academia não é isenta, isso é um fato! A questão ideológica, ou qualquer coisa parecida, sempre tem lugar nas decisões. Estas mesmas decisões deveriam levar em conta apenas um critério: mérito. Porém, não é o que se observa (falarei mais depois, dado que, no momento, estou participando de uma banca de seleção. Logo, estou deixando tudo subentendido.)

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