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Ensino superior – o buraco é mais embaixo…

Questão de incentivos, eu diria:

Professores matões

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escrito por Philipe Berman – 10:14 AM

Já falei diversas vezes aqui no blog sobre a decadência das universidades federais no Brasil. Se as privadas estão deixando a desejar, as públicas embarcam no mesmo barco. Minha namorada estuda na UFRGS e tem duas disciplinas nas segundas-feiras. Ontem de manhã, o professor não apareceu por que disse estar doente. Toda a turma compareceu, mas o departamento não colocuo um substituto. Na cadeira da noite, a professora compareceu ao local da aula, mas se irritou devido à ausência do retroprojetor. Resultado final, ela mandou todo mundo embora pra casa e não deu aula. Ora, todos que estudaram em universidades estatais sabem que falta material de apoio, mas usar isso como desculpa para deixar de realizar o seu trabalho é coisa de vagabundo.

Minha namorada me ligou na hora, com raiva e nervosa. Perguntei a ela se alguém havia reclamado sobre o ocorrido, mas parece que onde ela estuda houve casos nos quais alguns alunos que reclamaram das aulas e da ausência dos professores foram prejudicados nas avaliações finais. Como sempre, a culpa pela educação no Brasil é do aluno. Se não for, punamos eles mesmo assim, afinal, pra quem eles vão reclamar?

Quem disse isso foi o Philipe. Honestamente, fiquei surpreso.  Leo Monasterio sempre me diz que tenho uma visão muito pessimista dos alunos. Faz algum sentido. Estudei e agora leciono há mais de dez anos. Não é difícil ver que boa parte dos alunos só reclama para facilitar a própria vida, não para fazer jus ao que pagam de mensalidade (que é o direito de estudar e se submeter a testes de aferição do conhecimento individual).

Sim, já vi gente séria reclamando como o Philipe. Lembro-me de um professor de Economia Brasileira que vivia faltando aulas porque, dizia ele, tinha enxaqueca. Numa destas, eu o encontrei no setor de “xerox” da faculdade, feliz e contente. Claro que começou a se sentir mal, “supostamente”. Outro professor gente boa era o de Setor Público, que, como trabalhava para o governo estadual, mais matava aula do que lecionava. Pelo menos nunca foi injusto na cobrança, mas paguei o preço: só fui aprender sobre o tema no mestrado, em desvantagem com meus colegas.

Creio que a namorada do Philipe realmente tem porque ficar nervosa. Espero que também não seja como alguns alunos que, morando a 15 minutos da faculdade, chegam com 40 minutos de atraso. Vejo muito isto e realmente me pergunto sobre a importância que um sujeito dá ao estudo (sinalização com informação assimétrica ou aumento de produtividade?).

Quanto aos professores, sim, como já disse aqui antes: professor é um cara que se respeita…quando ele cumpre suas tarefas. Quais são suas tarefas: (i) preparar aulas; (ii) preparar exercícios); (iii) cumprir horário (se a matéria adiantar e o programa for factível, ok, senão, não); (iv) escrever no quadro e (v) responder perguntas que não atrasem excessivamente o andamento da matéria. Simples assim.

Você pode ser um iconoclasta e um anarquista intelectual, mas respeito é bom e todos gostam. Não são conceitos mutuamente exclusivos.

3 comentários em “Ensino superior – o buraco é mais embaixo…

  1. Isso acontece principalmente nas públicas, que não possuem dono e onde os professores participam ativamente do corporativismo. Nos meus tempos de universidade, lá pelos idos de 1995, os bons professores eram hostilizados pelos ruins (que na minha faculdade eram a maioria), porque os mesmos, ao fazer um bom trabalho, naturalmente realçavam a incompetência dos demais.

    Eu mais de uma vez já escutei isso de outros alunos e professores em outros tempos e cursos, e a grande questão é a de que os professores de universidades públicas raramente são avaliados e os seus empregos são quase vitalícios.

    Nos meus tempos presenciei um caso de um professor que era apenas mestre, mas como era politicamente articulado, conseguiu uma vaga de professor titular a semanas de se aposentar, apenas para incorporar o salário de professor titular à sua aposentadoria. Os alunos viram com naturalidade, pois todos crêem que o dinheiro não vinha do bolso deles, e finalmente o sujeito prejudicou o curso, pois perdemos uma vaga de professor titular (estas vagas aparecem como o Cometa de Halley).

  2. Prova que vc reclama demais no blog: o IBMEC-BH esta sempre no topo do provao (enade, ou seja lah o nome for agora ) e vc tem orientandos que produzem belos trabalhos.
    Tirando esse seu tom de velho resmungao quando trata do assunto, vc estah certo. 🙂

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