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Crime contra a humanidade é usar o dinheiro alheio sem critérios…ou você não faz parte da humanidade?

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça está adotando critérios elásticos para conceder milionárias indenizações retroativas e pensões vitalícias a pessoas que não conseguem atender a uma exigência básica: a prova de que perderam o emprego, durante o regime militar (1964-1985), por perseguição política explícita. Um caso exemplar é o de Diógenes Oliveira, militante petista gaúcho e ex-secretário de Transportes da Prefeitura de Porto Alegre, que conseguiu uma indenização retroativa de R$ 400 mil e rendimento mensal vitalício de R$ 1.627,72 por, supostamente, ter sido obrigado a abandonar, em 1966, o emprego que tinha na Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEEE).

Leia mais aqui. Ah sim, clique aí no link acima para saber mais sobre ética na política, caixa dois e esquerda brasileira.

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Ensino para todos

Marcelo Soares tem um bom texto sobre aquela besteira que um professor da UFBA disse recentemente sobre seus alunos. Há pontos interessantes nisto tudo porque a discussão está além do maniqueísmo besta que alguns adoram (ensino público benevolente x ensino privado do mal).

Alguns fatos:

a) Antigamente existiam poucas faculdades e, portanto, poucos estudantes. O ensino era, sim, elitizado e havia um forte poder de monopólio destas faculdades (ou universidades). Estamos falando, sim, de universidades públicas e algumas que não se assumem como privadas e são chamadas de “confessionais”.

Em um mundo assim, o vestibular é realmente algo valioso pois se os burocratas escolherem bem os cursos, nunca terão uma baixa relação candidato/vaga. Em outras palavras, existirá uma variação na qualidade dos alunos recebidos, mas ela não será absurda se não existir concorrência. É um paraíso para o professor: ele recebe alunos excelentes e não precisa nem mostrar serviço se não quiser.

b) Hoje em dia existem muitas faculdades e, assim, o vestibular perdeu seu “charme” elitista. Boa parte disto é devido ao setor privado.

Pois é. O ensino é menos elitizado. Isto significa que, relativamente ao que existia antes, você tem mais alunos nas faculdades, mas a qualidade dos mesmos tende a ser menor. Ainda existe um fator agravante para as particulares. Ao contrário de suas congêneres públicas, paga-se mensalidade. Logo, é bem provável que os melhores alunos tentem aprovação em cursos de menor custo (os cursos públicos possuem uma taxa de manutenção absurdamente baixa). Dificilmente um bom aluno tentará entrar em uma faculdade mais cara, exceto se tiver, ceteris paribus, um nível de vida tão bom que assim o permita.

A mudança de (a) para (b) não deixa margem a dúvida: ambas as faculdades têm problemas. Existe ainda um argumento estranho, de tom anti-capitalista, de alguns que se recusam a liberar verbas para pesquisas para universidades particulares, mesmo sabendo que o sistema de incentivos na universidade pública nem gera favorece o bom ensino e a boa pesquisa. Aliás, a universidade pública ainda tem problemas que ficam claros quando se discute a supostamente desejada autonomia: todo reitor quer autonomia, mas não quer arcar com o custo de se virar para obter recursos que não sejam oriundos do imposto alheio.

Não é que um baiano tenha problemas com neurônios. Existem, claro, alunos com problemas de formação. Mas eles existem tanto para o setor público quanto para o privado. Ainda assim, na hora do vestibular, o setor público concorre com um preço ultra-competitivo (zero) e leva o que há de menos pior (ou de melhor) em termos de alunos.

Posto isto, o que se espera da universalização do ensino em qualquer planeta do Sistema Solar? Obviamente, o primeiro efeito é uma piora da qualidade do aluno universitário. Não tem jeito. Você colocou gente que jamais entraria em um vestibular mais difícil. Ainda assim, em média, é melhor ter este sujeito na sala de aula do que em casa, vendo TV. No longo prazo, a situação só reverte se o ensino pré-universitário melhorar. Não é com quotas na universidade que você resolve o problema. Se algum papel há para o governo, este está na educação anterior. Melhorar a qualidade do aluno é garantir que ele chegue mais bem preparado na faculdade.

Esta discussão, contudo, tromba em interesses poderosos, que tentam vender a imagem de que recursos nunca são escassos e que há dinheiro jorrando pela torneira, suficiente para financiar a criação de mil universidades públicas, mil escolas, mil qualificações de professores, etc. A quem interessa esta situação? Pergunte ao seu professor…mas desconfie da resposta.