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Empreendedorismo

Mais um texto interessante sobre nosso debate. Para saber mais, use a caixa de busca aí ao lado e digite “empreendedorismo”.

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Interesses ocultos, boatos estranhos, etc.

Sobre as declarações do Frei Betto, seu ex-assessor especial, que disse em Assunção que tinha informações de fontes do governo que o presidente brasileiro admitiu alterações no contrato de Itaipu, Lula, depois de dizer que não podia comentar uma declaração de alguém, reiterou que “não muda o tratado”.

Se o presidente da Silva não mentiu ao afirmar que não mexe no contrato de Itaipu, a quem (ou a quais grupos de interesses) serve Frei Betto?

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Ensino à distância…da qualidade?

Eis matéria interessante do Estadão. Alguns trechos:

Apesar de ainda ser visto com certas dúvidas, avaliações do sistema têm mostrado bons resultados. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao MEC, mostrou que estudantes a distância se saíram melhor do que alunos presenciais em 7 de 13 graduações avaliadas no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), incluindo Administração, Biologia, Ciências Sociais e Física. Nos outros 6 cursos, entre eles Ciências Contábeis, História e Geografia, as notas dos grupos são semelhantes.

Parte da explicação para o bom desempenho pode estar no próprio perfil do aluno: média de 30 a 35 anos, casado, com filhos, oriundo da escola pública, com renda até três salários mínimos e que trabalha durante o dia. “Os alunos já estão no mercado de trabalho, não conseguiram concluir uma faculdade quando eram mais jovens ou já estão formados em outra área”, afirma Luciano Sathler, pró-reitor de Educação a Distância da Universidade Metodista de São Paulo, que oferece 11 cursos a distância. “Em geral, é um público mais disciplinado, mais dedicado, porque o ensino a distância é a oportunidade que ele tem”, diz.

(…)

“O curso é muito apertado. Às vezes, as pessoas pensam que é um curso por correspondência. Não tem nada a ver. Exige muita disciplina, tem de cumprir os cronogramas. O tutor só esclarece as dúvidas. Você precisa se organizar”, diz. Durante a semana, Dayselane estudava com as apostilas e pela plataforma na internet. Nos finais de semana, ia aos pólos presenciais. “Hoje, eu vejo como as pessoas que fizeram cursos presenciais muitas vezes ficam admiradas ao ver que a gente sabe as coisas com profundidade. Como não temos a figura do “professor da disciplina”, precisamos entender tudo para ir bem nas provas.”

Interessantes resultados, não? Primeiramente, este tipo de ensino é interessante para os que nunca tiveram a chance de fazer um curso superior. É sempre interessante a diversificação dos produtos para se adequar ao perfil dos consumidores? Eu diria que quase sempre (pense em um pedófilo para entender meu “quase”). Algum tipo de regra é necessário para o bom funcionamento do mercado. Não se trata, obviamente, de qualquer tipo de regra, mas as que favoreçam a experimentação com o mínimo de interferência estatal costumam funcionar bem. Portanto, inicialmente, sim, acho a idéia ótima. Eu esperaria que bons alunos se saíssem bem nesta modalidade tanto quanto na tradicional “presencial”.

Entretanto, seria bom continuar a matéria analisando mais alguns dados. Algumas questões me parecem relevantes:

  • O desempenho da graduação presencial e à distância citado só trata de alunos de universidades públicas? Ou trata das privadas (e as estranhas “confessionais”)? – Pergunto isto porque toda a matéria analisa apenas questões de universidades federais. Assim, eu gostaria de ver, por exemplo, se o desempenho dos alunos de outras faculdades é maior ou menor, tanto no caso presencial como no caso à distância.
  • A avaliação do ENADE – pelo menos no que toca à prova – é bem pouco exigente em alguns casos. Um aluno que fez o ENADE ao final de sua graduação, ceteris paribus, é incapaz de obter um conceito razoável na prova da ANPEC (refiro-me, obviamente, ao que entendo: o curso de Economia). Como não desejamos baixar o nível do ensino, esta é uma discussão que deve se estender para outras áreas do conhecimento. Explico-me: se o ENADE avalia um conjunto mínimo (mas mínimo mesmo) de habilidades, o bom desempenho do aluno no ensino à distância pode não nos dizer muito sobre a qualificação da mão-de-obra que estamos formando.
  • Como o ensino à distância resolveu (ou não resolveu?) os problemas de incentivos? Já ouvi de amigos casos estranhos nos quais supervisores (normalmente pedagogos que não se preocupam com incentivos, mas vivem e se alimentam unicamente de discursos do tipo “social”, “coitadismo” e similares) pressionam professores para diminuírem o nível do conteúdo ministrado ou mesmo para considerarem respostas absurdamente estranhas como corretas para alunos do ensino à distância. A justificativa, como já mencionado, é, inclusive, a mesma que a matéria cita como geradora do bom desempenho do aluno. Só que ao invés do sujeito “experiente e mais velho” ser mais responsável, ele usa esta condição (que, obviamente é a mesma que lhe restringe o número de horas para estudo) para pedir privilégios incompatíveis com os critérios clássicos de uma boa avaliação do aprendizado.

Note que o ponto de minhas dúvidas não é o de condenar, a priori, esta ou aquela forma de ensino. Pelo contrário, acho interessante a proposta do ensino à distância. Mas será que esta modalidade de ensino tem realmente agregado valor à produção? Nossos trabalhadores realmente melhoraram? Ou é apenas um clássico problema de sinalização (alunos de Economia conhecem bem este termo da microeconomia)? Finalmente, quais incentivos prevalecem na hora da choradeira de um aluno sem tempo para estudo? O que pressiona o professor a mudar a falsamente avaliá-lo como apto ou o que pressiona o aluno a estudar mais?

Como não conheço muito mais do que ouço de meus amigos envolvidos nesta experiência, adoraria saber mais. Comentários?