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Aborto e violência

Se o aborto já é praticado há anos no Brasil, será que realmente a tese de Levitt se aplica por aqui? Depois do escândalo da UnB eu tenho até receio em divulgar dados de pesquisas de lá, mas vamos supor que os pesquisadores não foram tolhidos em sua liberdade científica. Assim:

O trabalho, obtido pelo Estado com exclusividade, foi realizado pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Universidade Estadual do Rio (UERJ) e tem apoio do Ministério da Saúde e financiamento da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

“Os dados mostram que não é a mulher considerada leviana que aborta. É uma mulher comum, que vive uma relação estável e que já tem um filho”, afirma uma das autoras do estudo, a antropóloga Débora Diniz, da UnB. “É depois de ser mãe, de saber o que é a maternidade, que ela decide com o parceiro pelo aborto. É uma decisão responsável e baseada na experiência”, complementa.

Débora explica que o objetivo da pesquisa foi justamente reunir todos os dados existentes sobre o aborto no Brasil, colhidos por pesquisadores das mais variadas vertentes, contrários e favoráveis à descriminação, para permitir que o tema seja debatido com base em fatos e não em suposições.

“Muita gente opina sobre o aborto sem ter dados, com base apenas em crenças morais ou opiniões pessoais. É comum ouvir dizer, por exemplo, que a mulher que aborta se arrepende e sofre de problemas mentais. Isso não foi encontrado em nenhuma pesquisa”, afirma.

Talvez o problema com a tese de Levitt, no Brasil, esteja na dificuldade que temos em isolar os efeitos do aborto entre as tais “mulheres levianas” e as outras, controlando por classe de renda. Dizem por aí que já há estudos sobre o tema o que me faz pensar sobre esta necessidade de se coletar dados. Se já fizeram estudos sobre o aborto e a violência no Brasil (e se não estamos a falar de proxies), então que novidades ou aperfeiçoamentos existem nestes dados novos?

Curioso mesmo estou é para ver o dito estudo.

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Instituições importam? O caso dos valores culturais

Valores culturais influenciam na noção dos direitos de propriedade sobre bens comuns ou é o contrário que vale? Este fascinante (mesmo) relato do meu amigo Duke sobre chineses e tibetanos nos EUA é de fazer pensar. Digo isto porque se estamos falando de chineses temporariamente emigrados, os valores carregados podem ser diferentes dos chineses que já estão em sua terceira ou quarta geração nos EUA. Sob este aspecto, pode ser que existam diferenças entre chineses.

Há mais experimentos naturais interessantes. Por exemplo, boa parte dos libaneses que emigraram para o Brasil são cristãos, que fugiram do conflito no país de origem. Logo, não se exportou muito “islamismo” (e variantes) para o Brasil o que, creio, explica boa parte da convivência pacífica entre judeus e árabes brasileiros.

Esta discussão pode render mais, claro, mas a questão inicial é a que mais me incomoda, intelectualmente falando.

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Terrorismo no Brasil

A blogosfera politicamente correta chamará isto de relativismo cultural ou de democracia. Mas o nome é outro. Uma questão que nunca foi debatida entre os blogueiros ou jornalistas no nível que deveria foi, no início da administração da Silva, a afirmativa – por parte de nosso George Bush brasileiro – que a ABIN não deveria se preocupar com supostos movimentos sociais.

Interferir nas atividades da ABIN pode muito bem ser um ato de democracia quanto um de interferência inadequada (pense na administração Bush se intrometendo nas agências de inteligência). Não vigiar “supostos” movimentos sociais tem uma consequência previsível: aumento da probabilidade de atividades terroristas em seu território (inclusive o famoso cyberterrorismo, já que alguns destes “supostos” movimentos sociais se dediquem a ensinar a meninada a manipular – de maneira até ilegal – a rede mundial de informações sob uma justificativa, digamos, “supostamente” social).

Não importa se o autoritarismo vem da esquerda ou da direita. O fato é que até o autoritarismo, no Brasil atual, é monopolizado: só temos o da esquerda. O da direita, por algum motivo, emagreceu e nem chega aos pés do seu irmão mais velho, o dos anos 60-80. Para um liberal, quanto menos dos dois, melhor.

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A economia política dos fundos públicos para pesquisa

Já falei sobre isto aqui, antes, em diálogo com o Adolfo Sachsida. As evidências de que há uso político de universidades por parte de partidos da esquerda brasileira (principalmente na era em que esta mesma esquerda só faz falar de Gramsci) não falseiam minha hipótese.

Muitas vezes ouço gente reclamar que faculdades privadas não recebem o mesmo tratamento por parte da FAPEMIG ou côngeneres (uso FAPEMIG apenas para destacar que são fontes públicas de recursos, não sei de nenhum caso concreto acerca disto, mas acho que cada estado tem sua FAPEXX, como São Paulo tem a FAPESP). Ao ouvir este tipo de queixa e ao ler a ponta do iceberg que é o escândalo da UnB, sinceramente, eu agradeço a Deus (você pode agradecer a Buda, ao materialismo histórico-dialético, ou à sua jabuticabeira, tanto faz) por não conseguir estes recursos.

No tempo do governo militar – sim, eu vivi sob uma parte deste período – o povo da esquerda tinha um discurso mais bonitinho, com sabor de honestidade intelectual. Naquele tempo, falava-se de um “governo” que “deveria preservar a liberdade intelectual dos pesquisadores”.

Isto, hoje, é chamado – entre a esquerda – de neopositivismo, ou de “bobagens de Popper” porque, supostamente (e ao contrário do que Bobbio tentou mostrar a este povo ignorante), nem tudo na vida é político e, claro, o fato de objeto e sujeito poderem se misturar, ainda assim não implica que a ciência deva ser feita sob esta norma. Há, no caso dos economistas, um artigo muito simples e esclarecedor sobre isto. Eu não me lembro se foi escrito por Robert Tollison ou Robert Ekelund (ou por ambos, o que, no caso, ocasionalmente ocorre), nem o nome do artigo. Infelizmente. Se eu o achar na papelada, um dia destes, cito-o de forma mais adequada. [claramente isto tornou metade do parágrafo um desafio e tanto para quem acha que a referência completa é obrigação “social” do blogueiro…]