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Política industrial pode…mas causa inflação se for no vizinho

Um subsídio, para algumas pessoas, é bom. Para as mesmas pessoas, é ruim, se é feito por outro amiguinho. Difícil mesmo é dizer que é fácil entender economia.

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Mises no Brasil

Não entendi se é uma extensão do Ludwig von Mises Institute, mas aí vai. Não sou um entusiasta dos escritos do povo do Mises, mas concordo que é um passo adiante para o real pluralismo no debate político nacional.

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Para que pagamos estes professores?

Seria para gerarem ensino, certo? Bem, esta notícia é bem interessante. Descobre-se que um bocado de escolas públicas usam apostilas produzidas…no setor privado. Vejamos quem ganha com isso:

Atualmente, há pelo menos 13 grandes grupos que atuam no mercado de sistemas de ensino: Objetivo, COC, Positivo, Expoente, Anglo, Pueri Domus, Uno, Ser, Ético, Etapa, Poliedro, Pitágoras e FTD (mais informações na pág. A34). Os seis últimos ainda não atuam em escolas públicas, mas todos informaram à reportagem que têm planos de ingressar nesse mercado em breve.

Para a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, os sistemas de ensino não são responsáveis sozinhos pelo bom rendimento dos alunos em exames nacionais. “Vários fatores influenciam, como número de alunos em sala de aula, participação da comunidade, avaliações”, diz. Segundo ela, os grupos privados ganham espaço nos municípios em que a formação do professor é precária. “O professor inseguro precisa de receitas. É como cozinhar. Quando a pessoa é iniciante, não larga a receita. Depois, vai ganhando autonomia, sabedoria e nem olha mais a receita.”

O MEC não tem um estudo sobre quais prefeituras usam apostilas. Por isso, seu Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) continua comprando exemplares e enviando gratuitamente aos municípios. Foram R$ 661 milhões gastos no último ano com livros didáticos. Enquanto isso, as prefeituras usam o dinheiro do Fundeb – fundo que reúne e redistribui para Estados e municípios a verba da educação, segundo um valor por aluno/ano – para contratar os sistemas privados. Isso é feito quase sempre por meio de licitação. O preço cobrado vai de R$ 150 a R$ 250, por aluno ao ano. Em São Paulo, é o equivalente a 10% do valor por aluno repassado pelo Fundeb. “É um gasto duplicado”, diz Pilar.

O mais complicado, creio, é a falta de cuidado com o dinheiro público. Falta uma pesquisa para descobrir não apenas o número de municípios nos quais o professor “inseguro” (sinceramente…) abdica da elaboração do material para adotar a apostila alheia (que, sim, dá bons resultados, pelo que dizem), mas também para que se entenda melhor os incentivos que levam o setor público para esta vergonhosa posição.

Como um bom liberal, eu até poderia já dizer que os incentivos para o professor, na escola pública, são diferentes dos que regem o ensino privado. E são mesmo. Basta pensar um pouco no que disse o cientista na entrevista que citei abaixo. O professor, no ensino público ou privado, é o mesmo preguiçoso. É como eu e você: quer trabalhar pouco e se divertir muito. Mas, para ter uma vida assim, ele precisa trabalhar ou se meter com a prática de transferir renda dos outros para seu bolso. No setor privado, esta última opção ocorre mais raramente (mas ocorre, claro, se a governança da escola for uma porcaria) e, por isto, somos pressionados para inovarmos no ensino. Já no setor público, se bem me recordo, professores de 40 horas quase nunca eram encontrados por mais de 8 horas na faculdade.

Antes de ler aqueles indicadores que os não-liberais adoram apresentar sobre um suposto melhor desempenho da escola pública sobre a privada, pense um pouco na seguinte pergunta: se o bom desempenho da escola pública vem do fato de se usar apostilas do ensino privado, então, na verdade, estamos medindo o bom desempenho do que exatamente?

Difícil responder, eu sei. Mas certamente não dá para esnobar uma suposta boa política de ensino público.
Aliás, um famoso sociólogo tem falado sobre isto em seu blog. O engraçado é que muitos sociólogos não gostam de ouvir dizer que outro sociólogo falou bem do mercado. Digo, sociólogos brasileiros, porque no mundo civilizado há uma compreensão intelectualmente bem mais desenvolvida, entre esta tribo, acerca da relação entre mercado e sociedade.

Finalmente, uma coisinha: aos professores dedicados da rede privada ou pública, meus parabéns. É muito difícil ensinar e resistir à tentação da doutrinação ideológica. Aqueles que não cometem estes abusos insanos com a mente dos alunos são não apenas dignos de nota. São dignos de um prêmio Nobel…

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A ciência e o mercado são compatíveis – evidência n.45336.33

Esta entrevista é bem interessante. Trechos:

Os cientistas, via de regra, não se arriscam o suficiente?

Como um grupo, os cientistas são a sociedade mais conservadora que existe. A maioria dos cientistas não pesquisa o desconhecido. A maioria estuda aquilo que já se sabe e evita aquilo que não se sabe. É a maneira mais fácil de fazer uma carreira em ciência. Mas para ter impacto é preciso fazer coisas diferentes daqueles que vieram antes de você. É assim que se descobre coisas novas.

Ou seja, cientistas, supostamente os empreendedores que necessitam de fundos públicos para se arriscarem….não se arriscam. É o que muitos já sabem. Só não sabemos, ao certo, quantos não fazem o que dizem estar fazendo. Em economia, eu, Ari e Jocka pesquisamos alguma coisa a respeito aqui e aqui.

A busca pelo lucro não “corrompe” a ciência? Ou a busca pelo lucro e pelo conhecimento são objetivos compatíveis?

Eles podem ser perfeitamente compatíveis. A pergunta vale para qualquer profissão. Até que ponto o lucro “corrompe” o que você escreve nas suas reportagens, por exemplo? É tudo uma questão de integridade pessoal. Acho que a maioria dos cientistas tem muita integridade ou estaria fazendo outra coisa. Claro que há cientistas que já forjaram pesquisas para obter fama e fortuna, mas o espectro é muito amplo. Não acho que seja justo condenar um cientista por tentar ganhar dinheiro para sustentar sua família. Eu tive a sorte de ganhar mais dinheiro do que a maioria dos cientistas, mas coloco 90% de tudo que ganho de volta no meu instituto, para financiar mais pesquisas.

Nunca antes, na história deste país, alguém disse tanta obviedade de forma tão simples e resumida. Apesar disto, os “cabeças-de-ideologia” (ou “monstrinhos não-liberais”, ou neocons latino-americanos) continuam a ignorar os fatos (queda da ex-URSS inclusa) para fazer doutrinação nas escolas de ensino básico, médio e superior. Basta lembrar que a ex-URSS, bastião do não-liberalismo mundial, é famosa pelo imenso número de fraudes em pesquisas científicas. Em outras palavras, não é com a supressão do mercado que você diminuirá as fraudes na ciência (o caso da educação socialista na ex-URSS é o melhor exemplo disto).

O problema, como sempre, é mais embaixo.

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Mais pobreza, mais islamismo (e, depois, mais extremismo?)

Questão que surge ao se iniciar a leitura desta matéria sobre o crescimento do islamismo na Grande ABC. Pode a questão religiosa ser parte de um problema maior? A religião tem a ver com a ideologia que tem a ver com o desenvolvimento econômico (e com o empreeendedorismo ou com a falência de estados).

Há muita coisa interessante nesta discussão. Pena que poucos atentem para o fato, ainda.

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Federalismo, Restrição Orçamentária Não-Rígida e a Safadeza Pura e Simples (SPS)

Já falei aqui sobre restrição orçamentária não-rígida e federalismo. Digo, nem foi aqui, tem sido desde meu mestrado. O tema é antigo e o jornalismo come mosca nesta história porque enfatiza apenas a corrupção (safadeza) dos políticos. Ok, sabemos que são safados. Sempre serão. Agora, a pergunta relevante é outra. Eu gostaria de saber que incentivos seriam úteis para evitar fatos como este. Pode-se mudar o federalismo atual para minimizar a probabilidade de ocorrência de corrupção? Uma discussão sucinta se encontra aqui.

Ah sim, claro, você pode encontrar muito mais por aí (por exemplo, nos escritos de Dan Treisman, Barry Weingast e Robert Inman). Mas quase todos concordarão comigo: transferências intergovernamentais são um perigo e raramente são a solução (ou exigem um mecanismo tão detalhado, dependente de tanta mudança institucional que, com a lei brasileira como parâmetro, é melhor roubar fruta do vizinho…).

Meus colegas do PF, por incrível que pareça, ainda não saíram na crítica do tema. Talvez alguns federalistas estejam mesmo é interessados na manutenção de um maciço sistema de transferências…será?